Jesus,
O MAIOR PSICLOGO QUE J EXISTIU
Mark W. Baker

Como os ensinamentos de Cristo podem nos ajudar a resolver os problemas do cotidiano e aumentar nossa sade emocional.

INTRODUO Jesus entendia as pessoas. Sabemos disso porque talvez ele seja quem mais influenciou a histria. Culturas foram formadas, guerras travadas e vidas transformadas em decorrncia do seu ministrio h dois mil anos. Como psiclogo, sempre fui fascinado pela pergunta: por que os ensinamentos de Jesus tinham tanto poder? Depois de estudar muitos anos, descobri que se compreendssemos psicologicamente os ensinamentos de Jesus poderamos entender por que suas palavras exerceram um impacto to profundo nos seus seguidores. As teorias psicolgicas atuais nos permitem perceber que o fato de Jesus compreender to profundamente as pessoas fazia com que elas quisessem ouvi-lo. H mais de vinte anos interesso-me pelo estudo tanto da teologia quanto da psicologia. Descobri que cada uma dessas disciplinas ajuda a aprofundar meu entendimento da outra. Fico sempre admirado ao constatar como os pontos de concordncia entre os princpios espirituais e os emocionais podem favorecer a sade tanto emocional quanto fsica. Freud, no entanto, considerava a religio uma muleta que as pessoas usam para lidar com seus sentimentos de desamparo. Esta postura deu incio a uma guerra entre a psicologia e a religio que continua at hoje. Alguns psiclogos encaram a religio como um culto que limita o potencial humano, e pela mesma razo algumas pessoas religiosas olham a psicologia com preconceito. Descobri que a animosidade existente em ambos os lados deste conflito tem origem no medo. O medo dificulta o entendimento.  necessrio que as pessoas parem durante algum tempo de se sentirem ameaadas para que consigam ouvir umas s outras e comecem a atingir um entendimento mtuo. H alguns anos um colega pediu-me que o substitusse em uma palestra que iria dar domingo numa igreja. Embora eu no soubesse nada a respeito dessa igreja, concordei em apresentar um dos meus textos sobre um tema psicolgico que considero importante e que adaptei para uma audincia religiosa. Pouco depois de ter comeado a palestra, um homem sentado na parte de trs da sala levantou a mo e disse: "Este seria um seminrio interessante para uma tera-feira  noite na biblioteca ou algo parecido, mas certamente no  adequado  Casa de Deus no dia do Senhor!" Infelizmente esta no foi  primeira nem a ltima vez em que, ao fazer uma abordagem psicolgica, despertei a hostilidade de pessoas religiosas. Mas o contrrio tambm sucede. Certa vez, depois de uma srie de conversas com um grupo de psicanalistas sobre o cristianismo, expressei meu desapontamento em relao ao preconceito que o grupo demonstrava contra as pessoas religiosas. A explicao de um dos psicanalistas para tal comportamento foi: "Convivo com esses profissionais e acho que eles no conhecem nenhum terapeuta que seja ao mesmo tempo inteligente e cristo." Verifiquei naquele momento que o preconceito existe de parte a parte. Felizmente, psiclogos contemporneos esto reavaliando muitas das idias de Freud, inclusive seu preconceito em relao  religio. Venho acompanhando esse processo com entusiasmo h vrios anos. Os pontos de concordncia entre as teorias contemporneas e os ensinamentos de Jesus tm me impressionado. Muitos livros j foram escritos sobre esses ensinamentos. Entretanto, eu gostaria de acrescentar algumas reflexes novas a respeito dessa antiga sabedoria. Os estudos que fiz sobre as teorias psicanalticas contemporneas possibilitaram-me interpretar as palavras de Jesus sob um novo prisma e enriqueceram a minha vida e a vida

dos meus pacientes. Em vez de achar que essas lies entram em contradio com as novas descobertas psicolgicas, eu considero que elas produzem novas e profundas percepes que eu no havia entendido antes. Neste livro vamos examinar de outra perspectiva algumas das parbolas mais conhecidas para aprender algo novo a respeito da sabedoria de Jesus  luz do pensamento psicolgico contemporneo. Cada um dos captulos que se seguem concentra-se em um conceito psicanaltico que ilustrarei com os ensinamentos de Jesus. Fao referncias em notas no final do livro para aqueles que desejarem ler textos psicanalticos tcnicos mais elaborados. Esforcei-me para traduzir esses conceitos complicados em termos simples, sem sacrificar a integridade do seu significado. Acredito que muitos desses princpios espirituais tragam benefcios em nossas tentativas de encontrar o equilbrio psicolgico. Procurei dar exemplos de como esses princpios se aplicam hoje em dia s nossas vidas. Os exemplos que usei foram extrados das experincias de pessoas com quem trabalhei que conheci ou a respeito de quem li. Por motivos confidenciais, cada exemplo  na verdade uma composio de vrias histrias e no representa ningum em particular. Independentemente das nossas crenas religiosas ou psicolgicas, todos podemos nos beneficiar dessa eterna sabedoria.

PRIMEIRA PARTE

Entendendo as pessoas

CAPTULO

1

Entendendo como as pessoas pensam
"Com que compararemos o reino de Deus ou que parbola usaremos para descrev-lo? Ele  como a semente de mostarda, que  a menor semente que plantamos no solo. No entanto, quando plantada, ela cresce e torna-se a maior de todas as plantas do jardim, com ramos to grandes que os pssaros do ar podem se abrigar  sua sombra." Com muitas parbolas como essa Jesus anunciava a seus seguidores a Palavra conforme podiam entender. Ele no lhes falava nada a no ser em parbolas.

Marcos 4:30-34

Jesus sabia que quase tudo o que fazemos na vida baseia-se simplesmente na f. A maior parte das nossas decises  tomada inicialmente em razo do que sentimos ou acreditamos. S depois racionalizamos para justificar nossas escolhas. Jesus usava parbolas para nos obrigar a lidar com as nossas crenas, e no com nossos raciocnios lgicos. A pessoa verdadeiramente sbia  sempre humilde. Jesus nunca escreveu um livro, sempre falou por meio de parbolas e conduziu as pessoas  verdade atravs do seu exemplo vivo. Ele era confiante sem ser arrogante, acreditava em valores absolutos sem ser rgido e tinha clareza sobre sua prpria identidade sem julgar os outros. Jesus abordava as pessoas com tcnicas psicolgicas que estamos apenas comeando a entender. Em vez de mostrar-se superior, dando palestras eruditas baseadas no seu conhecimento teolgico, ele humildemente dizia o que queria atravs de simples histrias. Falava de um modo que levava as pessoas a ouvirem, porque sabia o que as fazia querer escutar. Jesus foi um poderoso comunicador porque compreendia o que a psicologia est nos ensinando hoje: que baseamos a nossa vida mais no que acreditamos do que no que sabemos. Suas crticas mais severas eram dirigidas aos professores de religio, embora fosse um deles. Jesus no os censurava pelo conhecimento que possuam, mas pela arrogncia que demonstravam. Para ele era claro que quanto mais aprendemos, mais deveramos perceber que existem muitas coisas que ainda no sabemos. A arrogncia  sinal de insegurana. Jesus entendia que as idias humanas nunca expressam totalmente a realidade, e seu estilo de ensinar sempre levou este fato em considerao. Acredito que se desejarmos ser comunicadores mais eficazes precisamos aprender o que Jesus sabia a respeito da relao entre o conhecimento e a humildade. 1Os grandes pensadores so sempre humildes. Eles compreendem que a vida est mais ligada  f do que ao conhecimento.

POR QUE JESUS FALAVA POR MEIO DE PARBOLAS
"E no lhes falava nada a no ser em parbolas."

Marcos 4:34.

Jesus compreendia a forma de pensar das pessoas. Ele foi um dos maiores professores da histria porque sabia que cada pessoa s pode compreender as coisas a partir da sua perspectiva pessoal. Por isso ele ensinava por meio de parbolas. A parbola  uma histria que nos ajuda a compreender a realidade. Podemos extrair dela as verdades que formos capazes de entender e aplic-las em nossas vidas  medida que crescemos e evolumos, podemos rever as parbolas para descobrir novos significados que nos guiem em nossos caminhos. As parbolas me ajudaram a entender a vida. Isso aconteceu, sobretudo durante um dos perodos mais difceis, quando eu no estava conseguindo compreender meu sofrimento. Foi uma poca em que passei a questionar tudo, pensando: como pode existir um Deus se estou sofrendo tanto? Eu estava completamente desesperado e nada era capaz de me ajudar. Nessa ocasio, fui  casa do meu irmo para me queixar da minha situao. Tim  gelogo e passa a maior parte do tempo ao ar livre. Ele no costuma falar muito, mas, quando o faz, geralmente diz coisas muito proveitosas. Sempre o considerei um homem humilde, no melhor sentido da palavra. Eu estava sentado na cozinha da casa dele, com um ar deprimido e sentindo-me sem esperanas, quando meu irmo disse: "Sabe, Mark, recentemente, quando eu estava fazendo uma pesquisa geolgica, notei uma coisa interessante a respeito da maneira como o mundo  feito. Nossa equipe escalou a montanha mais alta da regio e a vista nos deixou emocionados. As experincias no alto das montanhas so magnficas. No entanto, nessa altitude as rvores no conseguem sobreviver. No topo da montanha nada cresce, mas quando olhamos para baixo notamos uma coisa interessante: todo o crescimento est nos vales.". A parbola de Tim me ensinou uma verdade essencial: o sofrimento nos causa dor, mas tambm nos faz crescer. Nunca esquecerei o que Tim disse naquele dia. As palavras dele no eliminaram a minha dor, mas de certa maneira a tornaram mais tolervel. As parbolas no alteram os fatos da nossa vida - elas nos ajudam a olh-los de outra maneira. Era o que Jesus pretendia ao contar as parbolas. PRINCPIO ESPIRITUAL: S podemos entender as coisas a partir da nossa prpria perspectiva.

COMO CONHECEMOS A VERDADE "Eu sou o caminho, a verdade e a vida." Joo 14:6 Don trouxe uma lista quando veio para a primeira sesso de terapia. Ele no gostava de perder tempo e, como o tratamento  caro, queria me apresentar logo os problemas que estava enfrentando e ouvir o meu conselho sobre o que deveria fazer para resolv-los. Embora eu goste de dar conselhos, logo vi que no era de conselhos que Don precisava. No entanto, ele achava que, se conseguisse o tipo certo de informao, poderia corrigir o que estava errado na sua vida. No fim de uma das nossas sesses, Don me pediu que passasse algum dever de casa para que ele pudesse aproveitar o intervalo entre as sesses. --No vou passar nenhum dever de casa - respondi. --Por que no? - perguntou ele. --Porque no  disso que voc est precisando. Voc veio aqui para aprender algo novo a respeito de si mesmo. Se for fazer o dever de casa vai colocar mais coisas na cabea, quando o que precisamos  colocar mais coisas no seu corao. Pouco a pouco a vida de Don comeou a mudar, apesar de eu estar lhe dando muito poucos conselhos. O que ele recebeu de mim foi um tipo de relacionamento diferente dos que ele tinha na vida. Don comeou a se concentrar menos no que pensava sobre as coisas e mais em como se sentia a respeito delas. Quando se tornou mais capaz de confiar no seu relacionamento comigo, comeou a investigar reas da sua vida que nunca explorara antes. Quanto mais ele aprendia sobre si mesmo, mais conseguia perceber os motivos que o levavam a tomar determinadas decises. Don descobriu as verdades mais importantes sobre a sua vida, no por causa dos meus conselhos, mas porque o nosso relacionamento foi capaz de conduzi-lo a um entendimento mais profundo sobre si mesmo. Jesus sabia que as pessoas jamais poderiam entender completamente a vida se usassem apenas o intelecto. Ele no dizia: "Vou ensinar a vocs o que  a verdade." Ele dizia: "Eu sou a verdade." Ele sabia que a mais elevada forma de conhecimento decorre dos relacionamentos em que existe confiana mtua, e no de grandes quantidades de informao. Jesus respondia s perguntas diretas com metforas para atrair as pessoas para um dilogo e um relacionamento com ele. Este princpio espiritual - que aprendemos as verdades mais profundas da vida atravs dos nossos relacionamentos -   base da forma como eu pratico a terapia. Todos temos idias conscientes e inconscientes 2 que afetam a maneira como percebemos o mundo.  psicologicamente impossvel colocar completamente de lado a influncia da nossa mente sobre a maneira como percebemos as coisas, sobretudo porque na maioria das vezes no temos conscincia de que tudo o que conhecemos intelectualmente passa pelo filtro das nossas crenas. A terapia proporciona s pessoas um relacionamento que pode lev-las a se conhecerem melhor, descobrindo, assim, as outras verdades da sua vida. PRINCPIO ESPIRITUAL: Aprendemos as verdades mais profundas atravs dos nossos relacionamentos.

POR QUE TENTAMOS SER OBJETIVOS "A sabedoria  demonstrada pelas suas aes." Mateus 11:19 Craig e Betty tinham valores e metas semelhantes na vida, o que os tornava bons parceiros e fez com que o casamento dos dois desse certo durante os primeiros anos. No entanto, pouco a pouco, Betty foi ficando insatisfeita com o relacionamento. Nas primeiras vezes em que tentou conversar com Craig a respeito do que sentia, o dilogo foi to difcil que ela desistiu, porque acabavam brigando. Betty respeitava Craig, mas nos ltimos tempos no estava segura nem mesmo para falar com ele de seus temores, o que a incomodava terrivelmente. --Nunca fui infiel e sempre proporcionei uma vida de qualidade a voc e s crianas. No acho que exista razo para sentir medo. Se voc olhar objetivamente para as coisas, vai ver que temos um bom casamento - insistia Craig. --No se trata de definir quem est certo e quem est errado - retrucava Betty. -  que eu no me sinto suficientemente segura para dizer como me sinto. --Segura? - espantava-se Craig. - Voc est imaginando coisas! Voc tem uma tima casa, uma poupana e eu fiz para voc um seguro de vida de um milho de dlares. A nica maneira de ficar mais segura seria se eu morresse. As conversas desse tipo nunca ajudaram Betty. Foi s depois que os dois foram procurar uma terapia de casal que o problema comeou a se esclarecer. Craig passou a entender que os fatos objetivos que ele tentava mostrar para a esposa no a estavam ajudando. Ela queria apenas que ele compreendesse que ela sentia medo e precisava de apoio. Ela no esperava que ele eliminasse seus temores, queria s compartilhar seus sentimentos na esperana de se sentir mais perto dele. Craig se sentia muito melhor examinando os fatos, mas percebeu que essa atitude no melhorava a situao, pois Betty precisava que ele a escutasse, a entendesse e respondesse com compaixo. Existem momentos em que a objetividade no faz entender a essncia da questo. Quando Craig tornou-se consciente do que estava acontecendo, foi capaz de ajudar Betty. As pessoas valorizam demais a objetividade. Dizemos coisas como: "Por favor, limite-se a me apresentar os fatos", como se obter os fatos fosse realmente  coisa mais importante a ser feita. Concluses baseadas em fatos objetivos nos conferem uma sensao de segurana. No entanto, para Jesus, agir com sabedoria era muito mais importante do que acumular fatos objetivos. Para ele, o conhecimento devia se traduzir sempre nos atos e no nos discursos racionais. Foi isso que ele quis dizer quando falou: "A sabedoria  demonstrada pelas suas aes." Podemos estar objetiva e racionalmente certos a respeito de algo que tem conseqncias devastadoras nos nossos relacionamentos com os outros, mas a sabedoria vai sempre considerar os resultados das nossas aes. Jesus ensinou que insistir em chegar aos fatos objetivos sobre as coisas s vezes pode ser perigoso. Guerras foram deflagradas, religies divididas, casamentos terminados, crianas repudiadas e amizades desfeitas por causa dessa atitude. s vezes, vencer numa discusso pode nos custar um relacionamento. Como diz o antigo ditado, temos duas escolhas no casamento: podemos ter razo ou podemos ser felizes. PRINCPIO ESPIRITUAL: Busquem mais a sabedoria do que o conhecimento.

PODEMOS ESTAR SINCERAMENTE ERRADOS "Os homens humildes so muito afortunados!" Mateus 5:5 (Living Bible) s vezes confiamos muito no que pensamos porque isso nos d uma falsa sensao de segurana. Podemos sinceramente acreditar que algo  verdade, mas ainda assim estar completamente errados. 3 Jesus nos avisou que no devemos confundir a sinceridade com a verdade. Quando acreditamos em alguma coisa, estamos convencidos de que ela  a verdade. Jesus ensinou que devemos ser humildes com relao ao que pensamos saber, porque s podemos conhecer a verdade a partir da nossa perspectiva pessoal. Quando eu estava na faculdade, um grupo de cristos da contracultura costumava fazer pregaes nos pontos mais freqentados do campus. Um deles pregava a mensagem de Jesus com toda a fora. Eu ficava impressionado com a sinceridade e o poder da sua convico. Tive certeza, depois de ouvi-lo durante meses, de que ele devia ter conseguido converter muitas pessoas. Certo dia, perguntei-lhe: - Ento, quantas pessoas vocs conseguiram atrair para Cristo com os seus discursos? Para minha surpresa, a resposta foi: -Na verdade, nenhuma. Mas isso no importa.  a nossa misso. Ele tinha a firme convico de estar fazendo a coisa certa. O resultado no era to importante quanto  sinceridade com a qual ele executava a tarefa. Nunca duvidei da sua autenticidade, mas questionei se o simples fato de ser sincero fazia com que estivesse certo. Na verdade, eu conhecia dezenas de alunos da faculdade que ficavam irritados com os sermes e se afastavam daquele Deus sobre o qual ele estava pregando porque no queriam aproximar-se de algum que parecia no lhes dar importncia. Esse pregador ignorava uma importante verdade que Jesus exercitava. Ser ao mesmo tempo fortemente convicto e bastante flexvel requer uma grande fora de carter. As pessoas maduras conseguem ser corajosas o suficiente para se comprometerem com a verdade, permanecendo abertas  possibilidade de estarem erradas com relao  maneira como a percebem.  assim que o conhecimento e a humildade se relacionam. Jesus disse: "Os homens humildes so muito afortunados", porque a pessoa rgida  a que mais sofre com sua rigidez. Ele sabia que pretender ser dono da verdade pode ter efeitos profundamente negativos, porque, apesar das nossas boas intenes, podemos estar sinceramente errados. PRINCPIO ESPIRITUAL: No confundam a sinceridade com a verdade; vocs podem estar sinceramente errados.

NO CONDENE O QUE VOC NO ENTENDE "No condeneis e no sereis condenados." Lucas 6:37 Conheo uma antiga histria a respeito de trs cegos que encontraram um elefante. Quando lhes foi pedido que descrevessem o animal, cada um disse uma coisa diferente. Um afirmou que o elefante era como uma grande mangueira; o segundo, que ele parecia um cabo de vassoura; e o terceiro, que ele se assemelhava ao tronco de uma rvore. Cada um descreveu o animal a partir da sua perspectiva. Nenhum deles estava certo ou errado; todos estavam expondo o seu ponto de vista pessoal. Somos humildes quando percebemos que somos como os cegos, limitados na nossa capacidade de perceber as coisas que esto bem diante de ns. Luke e Annie procuraram uma terapia de casal porque haviam chegado a um impasse no seu relacionamento. Annie era uma pessoa muito espontnea que expressava seus sentimentos mais profundos com facilidade. Luke era um homem de negcios bem-sucedido e muito racional que se preocupava com a famlia, sendo marido e pai dedicado. O maior problema que enfrentamos na terapia foi  dificuldade que Luke tinha com Annie, por consider-la "excessivamente emocional". Todas as vezes que discutiam, ela chorava ou se magoava, e Luke ficava furioso, queixando-se de que ela se recusava a ser "racional" com relao s coisas. Quando procuraram  terapia, o relacionamento os havia colocado em dois extremos. Luke era o frio e racional, e Annie, a excessivamente emocional. Luke tinha sido criado para fazer sempre a coisa correta, independentemente de como se sentisse com relao a ela. Estar certo vinha em primeiro lugar; os sentimentos eram de certa forma ignorados ou negados. Ser confivel era importante; os sentimentos s serviam para atrapalhar. Como Annie expressava seus sentimentos com muita facilidade, Luke freqentemente ficava confuso. Chegava a temer os sentimentos de Annie, porque no sabia como reagir para ajud-la. Temos medo daquilo que no conhecemos. "Oh, no! L vai voc de novo!", queixava-se ele sempre que ela expressava como se sentia com relao s coisas. As emoes intensas assustavam Luke e por isso ele criticava as pessoas que as demonstravam. "No dou a mnima com relao a como voc se sente a respeito do assunto. V simplesmente em frente", dizia ele.  claro que essa atitude s reforava o comportamento emocional de Annie, piorando a situao. As coisas comearam a melhorar quando Luke entendeu que reagia negativamente aos sentimentos de Annie por no entend-los. Ele passou a compreender que os sentimentos no so nem bons nem maus; so apenas outra fonte de informaes necessrias para que o casamento d certo. Talvez Luke pudesse se beneficiar tentando entender como Annie se sentia. Ele contribuiu para a harmonia conjugai quando deixou de achar que a mulher era emocional demais e comeou a procurar ver as coisas a partir da perspectiva dela. A atitude dele ajudou Annie a parar de se condenar por ter reaes emocionais muito intensas diante das coisas. Ela no era "excessivamente emocional". Era apenas uma pessoa que se sentia mal por ser emotiva, o que a fazia desmoronar sempre que se aborrecia. O fato de se permitir ter sentimentos possibilitou que estes surgissem e fossem resolvidos mais naturalmente. Luke e Annie ainda tm

discusses, mas conseguem super-las muito mais rpido agora. Quando tudo volta ao normal, Luke freqentemente diz: "Sabe, estou feliz por termos conversado a respeito disso." As discusses passaram a ser mais produtivas quando um deixou de julgar o outro e procuraram entender as diferenas. Jesus nos advertiu das armadilhas que encontramos ao julgar os outros. Ele sabia que nossos julgamentos se baseiam em informaes distorcidas por nosso modo de ser e que no correspondem necessariamente  realidade. Precisamos acreditar que sabemos a verdade completa a respeito das coisas e das pessoas para nos sentirmos seguros, achando que dominamos completamente a situao e que nada novo vir nos perturbar. Esse temor do desconhecido   base da intolerncia. Ele nos leva a julgar e rotular pessoas e coisas. Quando sentimos esse tipo de medo, condenamos o que no compreendemos. PRINCPIO ESPIRITUAL: Ao julgar os outros, ns nos condenamos.

LIVRANDO-NOS DA AUTOCONDENAO "Deus no enviou seu Filho ao mundo para condenar o mundo." Joo 3:17 Kirsten comeou a se tratar comigo porque estava sabotando a sua carreira e no conseguia entender por qu. Ela tinha conseguido chegar ao topo da organizao e agora no conseguia trabalhar, ficava paralisada devido ao crescente pnico de ser demitida. Estava quase incapacitada por sentimentos de insegurana. Foram necessrios vrios meses, mas finalmente conseguimos entender em parte por que ela estava arruinando o seu sucesso. Kirsten no se sentia orgulhosa por causa das suas realizaes. Na verdade, ela no sentia nenhum orgulho de si mesma. Sua auto estima era baixssima e ela tentava compensar este sentimento com o sucesso empresarial e a riqueza material. Procurava parecer boa externamente porque acreditava que era m por dentro. Estava nas garras da autocondenao. Kirsten passou a infncia tendo que lidar com uma me alcolatra e tentando esconder do mundo a vergonha que sentia. Vivia quase o tempo todo assustada ou envergonhada. A experincia foi traumatizante demais e, apesar de a me ter parado de beber quando Kirsten era adolescente, ficaram marcas profundas. Ela achava que sentia dio de si mesma devido  maneira como se sentia com relao  me. Acontece que no era a si mesma que ela odiava e sim  me. Apesar dos horrores e humilhaes por que passara quando criana, Kirsten jamais se permitira sentir raiva da me. Era como se tivesse o dever de enfrentar os problemas e fazer as coisas parecerem normais. Mas a verdade  que ela sempre se culpara pelos fracassos da me. Acreditava que se tivesse sido uma criana melhor, sua me no teria precisado beber, e acabou acreditando que no merecia que a me se esforasse para cuidar dela. Enquanto condenou-se por causa da sua infncia miservel, Kirsten teve a certeza de no merecer ter sucesso na vida.

Quando Kirsten comeou a perceber o que estava acontecendo, as coisas mudaram. Quando se condenava, era como se o fracasso na vida fosse inevitvel. Acreditou que nunca teria sucesso, e ponto final. Quando tomou conscincia de que "nunca terei sucesso" no era um fato real, mas apenas uma crena criada por sua experincia de vida, comeou a melhorar. Os fatos no mudam, mas as crenas, sim. Agora ela sabe que acreditou no seu fracasso durante anos e que as convices podem mudar. Est criando novas idias a respeito de si mesma e passando pelo processo de perdoar a me pelo que ocorreu na infncia. Mas para isso foi necessrio que ela tomasse conscincia do dio que sentia pela me. Jesus sabia que as pessoas so salvas ou destrudas com base no que acreditam, e a autocondenao  uma dessas crenas destrutivas. Kirsten passou a esforar-se para sair dessa situao causada pela fora de sua crena. A parte mais difcil da terapia foi faz-la descobrir que ela se condenava e se sabotava no por fatos reais, mas por causa do que acreditava ser verdadeiro a seu respeito. Quando ela percebeu isso, sua capacidade de mudar manifestou-se muito mais rpido. Todo mundo sente-se mal s vezes com relao a coisas que fez, mas algumas pessoas sentem-se mal a respeito de quem so. Elas se condenam e se tornam autodestrutivas se no descobrirem como mudar suas convices com relao a si mesmas. Apresentar-lhes fatos raramente muda a atitude de autocondenao. Jesus ensinou que as crenas so modificadas pela f e no pelos fatos. Ele no veio no unindo para conden-lo. Ele no queria que as pessoas se sentissem mal a respeito de si mesmas; em vez disso, desejava que elas se sentissem amadas por Deus. Jesus sabia que  saudvel nos sentirmos s vezes culpados para podermos reparar nossas faltas e aprender com elas, mas que a autocondenao resulta na crena de que sermos maus  um fato absoluto que no pode ser mudado. A autocondenao no  humildade,  humilhao. Jesus queria que as pessoas se livrassem da condenao e no que ficassem presas a ela. PRINCPIO ESPIRITUAL: A autocondenao envolve a crena em uma mentira a respeito de ns mesmos.

A VERDADE NO  RELATIVA "Que o vosso 'Sim' seja 'Sim' e o vosso 'No' seja 'No'." Mateus 5:37 A Sra. Parker telefonou-me em pnico. Seu filho, Nathan, tinha abandonado o segundo grau e sido preso por estar dirigindo embriagado. Ela temia que a vida dele estivesse ficando cada vez mais sem limites. Aps alguns minutos de conversa, convidei a famlia inteira para fazer terapia. O Sr. e a Sra. Parker tinham uma nica diretriz com relao  Nathan: "S queremos que ele seja feliz." Achavam que estavam investindo em sua felicidade quando, em vez de colocar limites quando ele era criana, ofereciam-lhe alternativas para que escolhesse. Por exemplo, em vez de determinar uma hora fixa de dormir quando o filho estava na escola primria, perguntavam: "Nathan, voc quer ir dormir tarde e ficar cansado amanh o dia inteiro ou prefere ir dormir agora e se sentir descansado

e bem disposto quando acordar?"  claro que Nathan preferia ir dormir mais tarde, o que fazia com que estivesse freqentemente cansado quando criana. O casal no queria ser autoritrio com Nathan, de modo que tentaram ensinar que tudo tem conseqncias, dependendo das escolhas que fazemos. Mas na poca Nathan no tinha maturidade para entender isso, e essa atitude dos pais o deixava inseguro, achando que eles no sabiam o que fazer e por isso estavam sempre lhe perguntando o que ele preferia. A vida de Nathan ficou descontrolada porque lhe deram uma responsabilidade que ele no era capaz de assumir. Quando temos sete anos e acreditamos que ningum dirige o universo, chegamos  concluso de que nada importa. Para Nathan, a verdade era relativa, e a realidade era como a crivamos. Na verdade, Nathan precisava que seus pais soubessem das coisas. Como criana, ele precisava que eles estabelecessem limites, fazendo-o sentir-se seguro, e que dessem respostas diretas s suas perguntas. Obrigar uma criana cedo demais a decidir por si mesma pode ter conseqncias negativas. Nathan necessitava aprender que a verdade no  relativa, 4 mesmo que cada um de ns a veja a partir de sua prpria perspectiva pessoal. A vida ainda  bem difcil para a famlia Parker, mas est melhorando. O Sr. e a Sra. Parker admitiram que desejam outras coisas para Nathan alm das que lhe transmitiam. Eles querem que o filho seja respeitoso, responsvel e uma companhia agradvel. Eles sempre desejaram isso, mas achavam que impor seus desejos ao filho prejudicaria a felicidade dele. No entanto,  medida que os pais so mais claros com relao ao que querem dele, Nathan est se tornando um rapaz mais feliz. Respeitar o ponto de vista uns dos outros no significa que tudo  relativo. Acreditar que a verdade  relativa e que nada realmente importa  exatamente o oposto do que Jesus ensinou. Mas tudo  importante. O que ocorre  que, apesar de a verdade ser absoluta, ns a percebemos de forma relativa. Foi por isso que Jesus disse: "Eu sou a Verdade" (Joo 14:6). Ele sabia que no compreendemos objetivamente as verdades mais profundas da vida; ns nos aproximamos delas. Sempre interpretamos o que percebemos, o que significa que nunca somos realmente objetivos a respeito de nada. Acreditar que a verdade  relativa significa afirmar que no existe uma verdade objetiva, de modo que cada um pode fazer o que quiser. Jesus ensinava a fazer do nosso "sim um sim" porque queria que fssemos pessoas de convico. PRINCPIO ESPIRITUAL: Acreditem na verdade com convico; aproximem-se dela com humildade.

HUMILDADE NO  PASSIVIDADE "Se algum te ferir na face direita, oferece tambm a outra". Mateus 5:39 Freqentemente dizemos que as pessoas passivas so humildes.  uma maneira de encontrar algo amvel para se referir a pessoas que consideramos bastante incapazes. Raramente admiramos a humildade, porque a consideramos como o oposto da agressividade, que associamos ao sucesso. Jesus, no entanto, tinha uma viso diferente da humildade. Ele disse: "Agora que eu, vosso Senhor e Mestre, vos lavei os ps, tambm vs deveis lavar os ps uns dos outros" (Joo 13:14). Jesus no se fez humilde na presena de outros porque possua uma baixa auto-estima. Ele escolheu servir seus apstolos porque tinha conscincia de quem era; Jesus era suficientemente confiante para assumir o papel de servidor. Ele sabia que o status e o poder no tornam uma pessoa importante. O que faz uma pessoa ser importante  sua capacidade de servir os outros. A verdadeira humildade exige confiana em si mesmo. Para ser humilde voc precisa saber quem  e escolher servir os outros. No se trata da modstia causada pela insegurana. Dar importncia  outra pessoa sem nos considerarmos diminudos  a verdadeira humildade. Uma das minhas alegrias quando criana era jogar domin com o meu av. Ele levava o jogo muito a srio. Fora criado em uma pequena cidade do Arkansas onde a habilidade de um homem no domin garantia sua reputao num raio de vrios quilmetros. Um dia, na tentativa de ganhar a partida, agi impulsivamente procurando ver as peas de meu av. A forma que o menino de dez anos que eu era encontrou foi me inclinando para frente e comeando a derrubar todas as peas do jogo. Instintivamente, meu av se levantou da cadeira horrorizado com o que eu estava fazendo. Quase ofegante e tenso, comeou a retirar-se, mas parou no meio do caminho. Com a mesma rapidez com que se erguera, inverteu o movimento e lentamente voltou a se sentar com um sorriso de quem sabe das coisas. Pediu-me para ajud-lo a recolher as peas a fim de retomarmos o jogo. Na hora achei esse comportamento estranho, e s muito mais tarde vim a entender o que ele significava. Embora tivesse lutado para chegar onde estava na vida, meu av sabia que ganhar no era tudo. Para ele, o objetivo de qualquer jogo no era conseguir o maior nmero de pontos; era jogar de maneira a obter o maior respeito possvel do oponente. Lembro-me daquele jogo de domin com o meu av porque ele se tornou um smbolo do nosso relacionamento. O importante para ele no era parecer capaz; ao contrrio, era fazer com que eu me sentisse capaz. Ele deixou de brigar comigo quando derrubei as peas do jogo no porque fosse passivo, mas para me ensinar algo a respeito da humildade. Foram necessrios muitos eventos desse tipo na minha vida para que eu pudesse entender isso, mas meu av ensinou-me de uma forma muito poderosa o que  a humildade - ele a praticou concretamente. Ser uma pessoa passiva  recusar-se a ter uma atitude por causa do medo. Ser humilde  ter uma atitude devido ao amor. Foi isso que Jesus quis dizer quando falou: "Se algum te ferir na face direita, oferece tambm a outra." Ele no disse: "Se algum te ferir na face direita, d meia volta e afasta-te." Jesus queria que as pessoas tomassem uma posio firme e tivessem uma atitude digna. O que ele

estava transmitindo  que o amor  mais forte do que o dio. Se as pessoas atacarem voc por dio, procure am-las at a morte. Jesus viveu este preceito literalmente na sua vida. Ele preferiu uma vida mais curta repleta de humildade e amor do que uma existncia mais longa cheia de medo e passividade. PRINCPIO ESPIRITUAL: A humildade  a fora sob controle.

POR QUE OS TERAPEUTAS PRECISAM SER HUMILDES "Abenoados os pobres em esprito, porque deles  o reino dos cus." (Mateus 5:3) Elaine era uma mulher tmida que procurou a psicoterapia por causa de constantes relacionamentos fracassados.  medida que o tempo passava, foi ficando cada vez mais difcil encerrarmos nossas sesses na hora. Era como se algo importante fosse surgir nos ltimos minutos de quase todas as sesses, e Elaine rompia em lgrimas e expressava sentimentos sofridos, o que tornava difcil para ns dois concluir as sesses. No incio, pensei que talvez as sesses de 45 minutos no fossem longas o suficiente para ela. Parecia que nossas conversas faziam um poo de emoes que havia dentro de Elaine entrar em erupo. Eu no queria atribuir a dificuldade em terminar a sesso ao fato de consider-la "excessivamente emocional", j que no gosto de ver as pessoas dessa maneira, pois parece que estou condenando quem expressa seus sentimentos. De repente, entendi. Quando a sesso ia chegando ao fim, eu procurava terminar a conversa. Eu no queria iniciar algo muito profundo, pois s nos restavam alguns minutos. Sem perceber, eu estava sutilmente cortando Elaine. Minha inteno era evitar trazer  tona qualquer coisa que no tivssemos tempo de examinar. Para Elaine, eu a estava rejeitando, como se dissesse que no queria mais ouvir o que ela estava sentindo. Quando percebemos o que estava acontecendo, o trmino das nossas sesses comeou a transcorrer de maneira muito mais suave. O encerramento ainda doa, mas deixou de ser sentido por ela como rejeio. O que estava precisando de tratamento no era um problema no interior de Elaine e sim o nosso relacionamento, que necessitava de ateno. Jesus ensinou que os "pobres em esprito" herdaro tesouros devido  sua humildade. Os terapeutas precisam ser humildes a fim de receber os tesouros que aparecem a partir de um bom relacionamento com os pacientes. Hoje, muitos profissionais acreditam que o relacionamento criado na terapia  que ajuda as pessoas. 5 Os psiclogos precisam ouvir com muito cuidado cada paciente para juntos descobrirem de que maneira o relacionamento que est sendo formado pode levar  cura. Eles esto aplicando nos consultrios o que Jesus disse ser verdade a respeito de herdarmos o Reino de Deus. Para Jesus, o agente de cura sempre pensa em si mesmo em relao aos outros. As pessoas no buscam simplesmente a cura; elas formam um relacionamento com

aquele que a oferece, e essa relao, se bem conduzida, contribui poderosamente para a cura.

PRINCPIO ESPIRITUAL: A terapia  mais do que um processo;  um relacionamento.

JESUS, O TERAPEUTA "Amai uns aos outros." Joo 15:17 Quando Sheila compareceu  primeira sesso, anunciou que eu era seu stimo terapeuta e que j conhecia seu diagnstico. - Tenho um distrbio de personalidade limtrofe.  claro que voc sabe que no existe cura para o meu caso - declarou ela. Nada causa mais medo no corao de um terapeuta do que o termo "limtrofe", de modo que lhe dei total ateno. - E como voc chegou a essa concluso? - perguntei. - Minha ltima terapeuta deixou isso bem claro. Espero que voc seja capaz de lidar com esse problema, porque preciso de algum que saiba o que est fazendo - disse ela num tom hostil. Logo se tornou visvel que a terapeuta anterior a havia rotulado de "limtrofe" por causa dos seus relacionamentos intensos e instveis, dos acessos de raiva e do seu medo sufocante de ser abandonada. De fato seus sintomas podiam levar a esse diagnstico, que  um distrbio difcil de ser tratado, pois os terapeutas sofrem agresses intensas dos pacientes durante o tratamento.  medida que o tempo foi passando, ficou bvio que Sheila receava muito que eu a rejeitasse, e por isso se empenhava desesperadamente para que eu a levasse a srio e me envolvesse com seu tratamento. As ameaas de suicdio, os telefonemas de emergncia s trs horas da manh, as ligaes sexuais com desconhecidos e as violentas exploses emocionais no meu consultrio tinham a inteno de intensificar o nosso relacionamento, porque ela vivia sob a constante ameaa de que ele poderia terminar a qualquer momento. Pude perceber que diagnosticar Sheila como um caso de "distrbio de personalidade limtrofe" havia se tornado parte do problema. Se ambos estvamos esperando que Sheila agisse de um modo agressivo devido  sua deficincia, seria este o comportamento que ela manifestaria. Sheila no estava sofrendo de uma raiva patolgica inata que a forava  autodestruio; era uma pessoa que estava desesperadamente tentando salvar a si mesma e o seu relacionamento comigo. Ela no estava tentando ser destrutiva, assim como a pessoa que est se afogando no est tentando matar aquele que vem em seu socorro. O salva-vidas experiente sabe que as pessoas fazem qualquer coisa para se salvar, at mesmo arrastar o salvavidas para o fundo. Pessoas desesperadas fazem coisas desesperadas. Assim que percebi que Sheila no estava lutando comigo, mas lutando para salvar a si mesma no nosso relacionamento, as lutas de poder entre ns comearam a

diminuir. Concentrei-me ento em compreender as suas tentativas desesperadas de relacionar-se comigo. s vezes ainda  difcil conviver com Sheila, mas o comportamento agressivo, to comum h alguns anos, melhorou. O diagnstico inicial tornou-se menos importante, porque ela se sente genuinamente ligada a mim e a outras pessoas. Hoje ela valoriza o fato de ser amada. Em seus ensinamentos, Jesus dizia que, em vez de nos basearmos no dogma, devamos nos apoiar em um relacionamento amoroso com Deus. A chave no era estarmos certos com relao s coisas e sim desenvolver um bom relacionamento. Jesus pregou: "Eis o que vos ordeno: amai uns aos outros." O amor  a substncia que faz os seres humanos formarem com os outros unidades indivisveis. O amor  o termo espiritual para a conexo genuna que muitos terapeutas procuram estabelecer com os seus pacientes. Muitos terapeutas afirmam que precisamos tirar a nfase das teorias e dos diagnsticos tcnicos e coloc-la sobre o relacionamento formado na terapia. Tanto em relao  sade psicolgica quanto  salvao espiritual, a chave  deslocar a nfase do conhecimento objetivo para a qualidade da relao. Esse ensinamento de Jesus  aplicado nos consultrios de muitos terapeutas. PRINCPIO ESPIRITUAL: O dogma no deve se tornar seu mestre.

CAPTULO

2

Entendendo as pessoas: elas so boas ou ms?
Jesus disse: "Descia um homem de Jerusalm a Jeric. Pelo caminho caiu em poder de ladres que, depois de o despojarem e espancarem, se foram, deixando-o semimorto. Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote. Vendo-o, passou ao largo. Do mesmo modo, um levita, passando por aquele lugar, tambm o viu e seguiu adiante. Mas um samaritano, que estava de viagem, chegou ao seu lado e, vendo-o, sentiu compaixo. Aproximou-se, tratou-lhe as feridas, derramando azeite e vinho. F-lo subir em sua montaria, conduziu-o  hospedaria e cuidou dele. Pela manh, tomou duas moedas de prata, deu-as ao hospedeiro e disse-lhe: 'Cuida dele e o que gastares a mais na volta te pagarei." Lucas 10:30-35

As pessoas so fundamentalmente boas ou ms? Quase todos ns chegamos a uma dessas duas concluses a respeito da natureza humana. Mas, se examinarmos como Jesus falava sobre as pessoas, parece que ele no chegou a nenhuma concluso. Alguns de ns somos como o sacerdote e o levita da parbola, outros como o samaritano, outros como os ladres e outros ainda como o homem que foi espancado e deixado meio-morto. Mas o que levou o samaritano a ter aquele comportamento? Foi o fato de ele ser essencialmente uma boa pessoa? Jesus repetidamente mostrou que o aspecto essencial da natureza humana  a nossa necessidade de ter um relacionamento amoroso com Deus e com os outros. Por isso uma pessoa se define pelo relacionamento que estabelece com outras pessoas. O samaritano era "bom" porque no desprezou o homem agredido e parou para estabelecer um relacionamento com ele. Do ponto de vista psicolgico, encarar as pessoas simplesmente como boas ou ms  muito simplista. Talvez seja mais fcil pensar assim porque, ao rotular os outros, sabemos em quem confiar e quem evitar. Mas a verdade  que sempre existem possveis "samaritanos" e "ladres" entre ns, e cada um de ns tem aspectos de ladro, de sacerdote e de samaritano. Aqueles que reconhecem e valorizam a sua necessidade bsica de se relacionar amorosamente com os outros tendem a ser boas pessoas e a ter um bom comportamento. Eles precisam dos outros, de modo que no desejam feri-los. As pessoas que violam sua natureza essencial de viver um bom relacionamento com os outros se comportam como ms.1 A parbola do bom samaritano fala de pessoas boas e ms. Jesus explica a diferena entre os dois tipos em funo do relacionamento que estabeleceram com o homem ferido. Jesus no fala que eram boas ou ms essencialmente. Ele conhecia profundamente a natureza humana e por isso pode nos ajudar hoje a compreender o comportamento de todas as pessoas que conhecemos, inclusive o nosso.

JESUS CONSIDERAVA AS PESSOAS ESSENCIALMENTE MS? "Descia um homem de Jerusalm a Jeric. Pelo caminho caiu em poder de ladres." (Lucas 10:30) Jesus estava familiarizado com as escrituras judaicas que falavam da profunda decepo de Deus com a raa humana e de como ele destruiu o planeta com um grande dilvio.2 Se Jesus concluiu, a partir dessa histria, que somos fundamentalmente maus, ento nossa natureza  ser como os ladres da parbola do bom samaritano. Ns nos apossaramos do que pertence aos outros e no os respeitaramos, porque o importante neste mundo seria a sobrevivncia do mais forte e faria parte da nossa natureza cuidar primeiro de ns mesmos, ainda que em prejuzo dos outros. A partir dessa perspectiva, sem alguma forma de religio ou de freio, todos nos mostraramos nocivos e destrutivos. Martin veio fazer terapia porque sua mulher disse que pediria o divrcio se ele no procurasse ajuda profissional. Ela havia descoberto no apenas que ele estava tendo um caso com outra mulher, como tambm que o problema dele com as drogas era muito mais grave do que ele deixara transparecer. Martin era freqentemente desonesto com a mulher, e ela estava chegando  concluso de que nem mesmo conhecia o homem com quem tinha se casado. Ele estava envolvido cm uma srie de atividades ilegais que escondera da esposa e no queria que um divrcio complicado o deixasse exposto. Martin s vezes ficava ansioso, com medo de ser apanhado por causa das suas ms aes, mas nunca se sentia culpado por praticlas. At onde eu conseguia perceber, Martin parecia ser uma pessoa genuinamente m, mesmo que ele no pensasse dessa maneira. Martin  o ladro da parbola do bom samaritano. Ele rouba dos outros e depois dissipa o produto do seu roubo, o que o leva a roubar de novo. Existem pessoas ms na vida que violam os outros e os deixam debilitados e destrudos. A tragdia  que cada vez que Martin comete um abuso contra algum, ele fere a si mesmo, o que faz com que ele queira aproveitar-se novamente de algum. Nua falta de compaixo pelos outros criou um muro ao redor do seu corao que o afasta da sua condio humana. Martin est preso em um ciclo vicioso de abuso contra as outras pessoas.  justamente por no se dar conta da prpria maldade que ele continua a agir maldosamente. Jesus sabia que de nada adianta colocar os ladres diante da prpria imoralidade. Eles geralmente nos dizem o que queremos ouvir. Algumas pessoas como Martin so capazes de mudar, mas s em circunstncias extremas. No sei o que teria acontecido se Martin tivesse permanecido na terapia e eu tivesse sido capaz de desenvolver com ele um relacionamento significativo o bastante para que ele fizesse um exame honesto de si mesmo. Naquelas circunstncias, ele continuou a ter um mau comportamento porque no considerava ningum suficientemente importante para faz-lo agir de outra maneira. A mulher de Martin de fato pediu o divrcio e no sei onde ele est hoje, mas no deve ser em um lugar muito bom. Na parbola do bom samaritano, o ladro era definitivamente uma pessoa m, mas Jesus no se concentrou nele. Ele no estava interessado em definir a natureza humana como m, mas em nos oferecer um modelo de como sermos bons. Jesus ligava-se constantemente a pessoas que podiam ser consideradas "ms" pelos outros, como a mulher adltera, mas ele no os encarava dessa maneira. Ele via todas as pessoas como capazes de ser boas e nunca as discriminava. Jesus pro-

curava sempre atrair as pessoas para um relacionamento com ele porque era isso o que as ajudava a se tornar melhores. PRINCPIO ESPIRITUAL: Roubar os outros furta a alma do ladro.

O PROBLEMA DE VER AS PESSOAS COMO MS "Por fora, pareceis justos aos outros, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e perversidade." Mateus 23:8 Joshua procurou a terapia porque seu casamento estava desmoronando. Joshua era um religioso devoto que desejava agir o mais corretamente possvel. Se fazer terapia individual pudesse ajudar o seu casamento, ele certamente estaria disposto a tentar. O problema que Joshua e eu enfrentamos logo no incio da terapia foi o fato de que ele acreditava que sua mulher era a causadora de todas as suas dificuldades. Joshua insistia em acusar a mulher, contando como ela o havia desapontado com seu egocentrismo, como ela deixara de se comportar a altura do que prometera nos votos matrimoniais e estava destruindo o casamento. Joshua se negava a admitir sua parcela de responsabilidade na crise conjugai e sempre encerrava sua autoavaliao com declaraes como: "Mas eu me sinto bem. Se uno fosse por causa dela, nem mesmo estaria aqui." Joshua se via como uma pessoa espiritualizada que havia dedicado anos aos estudos teolgicos, a cultivar a sua f e a ceder parte do seu tempo para auxiliar o desenvolvimento espiritual dos outros. Ele estava firmemente convencido de que se as pessoas praticassem as disciplinas espirituais no teriam problemas emocionais. Estava certo de que os problemas da esposa provinham do fato de ela no ter f. Joshua no conseguia entender os problemas psicolgicos da mulher e nem de que forma ele contribua para as dificuldades do casal. Ele acreditava que ceder a emoes humanas significava submeter-se nos desejos "da carne", que ele considerava fundamentalmente maus. Joshua queria ser uma pessoa espiritualizada capaz de superar as fraquezas humanas. Criticava muito a mulher por ela ser incapaz de fazer o mesmo. Tentei lhe mostrar que expressar as emoes no era sinal de fraqueza e sim uma demonstrao de fora. Mas esbarrava nas suas certezas. "Minha f se baseia em fatos, no em sentimentos", ele me informava. "Colocar fatos e sentimentos no mesmo nvel  uma violao da minha f." Como resultado, ele continuou a encarar os sentimentos da mulher como uma manifestao doentia. Infelizmente, minha terapia com Joshua foi breve e mal sucedida.  sempre difcil ajudar as pessoas que buscam a terapia afirmando que so os outros que precisam de ajuda. No entanto, uma das grandes barreiras para o sucesso da terapia de Joshua era a sua convico de que a natureza humana  essencialmente m e que as pessoas espiritualizadas deveriam separar-se dela. Havia uma discordncia bsica entre ns. Eu estava tentando fazer com que ele entrasse em contato com a sua condio humana, e ele se empenhava em se afastar dela o mximo possvel.

O problema de acreditar que as pessoas so fundamentalmente ms  que essa crena faz com que tenhamos vergonha de ser humanos. Criamos ento um ser idealizado para fingir que somos diferentes. Quem considera a natureza humana desprezvel e m precisa descobrir uma maneira de se livrar da parte nociva e tornar-se um ser puramente espiritual que vive acima de tudo isso. O problema dos fariseus era acreditar que eles no eram como as outras pessoas. Eles se achavam mais espirituais do que humanos. Em outras palavras, acreditar que a humanidade  fundamentalmente m faz voc querer se afastar dela o mximo possvel e s se associar queles que defendem idnticas convices religiosas. Pessoas assim desprezam, mesmo que de forma inconsciente, aqueles que deixam de alcanar o seu nvel de espiritualidade. Na terminologia psicolgica, essa persona que eles criam  chamada de falso eu. O termo religioso  fariseu. Na poca em que Jesus contou a parbola do bom samaritano havia um forte preconceito racial entre judeus e samaritanos. Naquele tempo, os samaritanos eram considerados pessoas ms, e os fariseus, os sacerdotes e os religiosos judeus eram tidos como bons. O fato de o prprio Jesus ser judeu dava ainda mais fora  mensagem da parbola. Hoje, os termos foram invertidos. "Bom" e "samaritano" referem-se a qualidades positivas, e ser chamado de "fariseu" tem uma conotao certamente negativa. Com sua parbola, Jesus nos mostrou que as pessoas so boas ou ms devido aos relacionamentos que estabelecem e no a algo que lhes  inerente desde que nasceram. A religio no nos tira da nossa condio humana, pelo contrrio - a religio nos faz viver plenamente a condio humana. PRINCPIO ESPIRITUAL: No podemos escapar do nosso eu, mas podemos encontr-lo.

JESUS VIA AS PESSOAS COMO ESSENCIALMENTE BOAS? "Amai os vossos inimigos." Lucas 6:27 A filosofia que afirma que as pessoas so essencialmente boas  chamada de humanismo. Devido ao amor de Jesus pelos outros e a sua preocupao com o bem-estar de todos, ele  freqentemente apresentado como um dos grandes exemplos do humanista ideal. Jesus ensinava que devemos amar a todos, at mesmo nossos inimigos.  fcil perceber que Jesus poderia ser usado como um exemplo de algum que acreditava na bondade essencial das pessoas. Carl Rogers  um famoso psiclogo conhecido por desenvolver uma teoria baseada na crena na bondade essencial da humanidade. Ele acreditava que todas as pessoas possuem dentro de si um "processo de auto-realizao" que as far saudveis na presena das condies corretas. Quase todos os terapeutas conhecem a terapia rogeriana como um dos principais exemplos da psicologia humanista. Certo dia, enquanto o Dr. Rogers conversava com a me de uma criana problemtica que ele estava tentando tratar, ele descobriu uma coisa muito importante. Depois de terminar a discusso sobre os problemas da criana, a me

se levantou e foi em direo  porta. L chegando, hesitou, voltou-se para o Dr. Rogers e perguntou: "Ainda lemos alguns minutos. O senhor se importa se eu disser algumas coisas a meu respeito?" Rogers convidou-a para sentar e escutou atentamente o que a mulher tinha a dizer. Nas prprias palavras dele,"Naquele momento, a verdadeira terapia comeou". Posteriormente, ele descobriu que existe dentro de cada pessoa o que acreditou ser um impulso inato em direo  totalidade, e este impulso  ativado quando a pessoa se sente acolhida e aceita incondicionalmente. No sei se o Dr. Rogers em algum momento pensou nisso, mas existem algumas surpreendentes semelhanas entre o seu pensamento e o amor incondicional que Jesus ensinou sculos atrs. Jesus falava do amor divino, que era incondicional. Rogers dizia que a considerao positiva incondicional era essencial para o processo de cura. Jesus descreveu a humanidade como sendo a imagem de Deus, possuindo um valor inerente. Rogers observou um processo de auto-realizao inerente em todas as pessoas e afirmou que a autenticidade s acontece quando somos coerentes com ns mesmos. Jesus disse muitas coisas que apiam a crena humanista na bondade inerente das pessoas, mas no podemos parar aqui. Jesus tambm reconheceu os problemas associados a essa crena, e para saber quais so temos que prosseguir na leitura. PRINCPIO ESPIRITUAL: Os bons ouvintes fazem as pessoas serem melhores.

O PROBLEMA DE VER AS PESSOAS COMO BOAS "Assim, os ltimos sero os primeiros e os primeiros, os ltimos." Mateus 20:16 Tyler  um jovem executivo promissor com um brilhante futuro.  inteligente, tem boa aparncia e  ambicioso. Tyler se considera uma pessoa realizada por ser independente e competente em tudo o que faz. Ele define fora como autoconfiana, at mesmo na presena de circunstncias extremas. Tyler procurou a terapia com a namorada porque ela achava que a relao dos dois poderia se beneficiar com um aconselhamento. Ele no julgava precisar do tratamento, mas estava sempre aberto a aprender como poderia ser mais eficiente na vida. "Estamos aqui apenas para um pequeno ajuste" - ele me avisou. "No estou interessado em um processo longo e arrastado para discutir o que sinto com relao  minha me ou qualquer coisa desse tipo." Tyler no gostava de olhar para trs porque se via sempre avanando, e discutir o passado lhe parecia intil. Tyler encarava o relacionamento com a namorada como uma tentativa de formar uma parceria. Estava disposto a investir no relacionamento, mas somente se obtivesse um retorno aceitvel do investimento. No queria algum que dependesse dele; desejava uma parceira cuja contribuio fosse igual  dele. --Os papis tradicionais podem ter funcionado nas geraes passadas, mas  impossvel vencer na vida hoje em dia se no estivermos dispostos a passar algum tempo sem ter filhos, com os dois trabalhando. Somos duas pessoas progressistas e  isso que d certo conosco - insistia Tyler. Eu sabia que os casais que fazem esse tipo de opo conseguem ter uma vida financeiramente bem mais folgada do que as famlias em que somente um dos

parceiros trabalha, mas perguntei-me se a realizao financeira seria suficiente para satisfazer Tyler a longo prazo. --Ento, voc acha que vo querer filhos no futuro? - perguntei. --Talvez um dia - respondeu Tyler. - Mas estamos aproveitando bastante nossa liberdade no momento. A coisa  qual Tyler dava mais valor era a independncia. Ele estava tentando descobrir como se unir a outra pessoa sem se sacrificar nem um pouco no processo. S estava interessado no casamento se pudesse v-lo como um esforo conjunto de duas pessoas, uma parceria experimental que poderia ser dissolvida se no lhe proporcionasse o benefcio prometido. Embora no conseguisse perceber nem admitir, Tyler estava na verdade preso aos vnculos tradicionais que ele considerava to inadequados. Tyler queria um relacionamento que fosse o exato oposto do de seus pais. Neste sentido, o relacionamento dos pais era o modelo que definia o dele. Por mais que detestasse pesquisar o passado, era exatamente isso o que ele precisava fazer para poder entender as suas decises para o futuro. No decorrer do aconselhamento, Tyler foi percebendo que o seu desejo de agir de forma oposta  dos pais significava que ele estava desapontado com a maneira como tinha sido tratado na infncia e na adolescncia e queria que sua vida fosse diferente. Ele comeou a reconhecer que no estava de modo nenhum livre do seu passado. Em vez de ser independente, Tyler descobriu que dependia tanto do seu passado e das outras pessoas que procurava at evit-las, sem ter conscincia de que estava fazendo isso. O relacionamento de Tyler com a namorada est indo agora de vento em popa. Eles passaram a se comunicar melhor porque esto mais conscientes de seus sentimentos, e as suas expectativas a respeito da relao mudaram. Suas metas financeiras ainda so bastante ambiciosas, mas no mais prioritrias. Tyler est comeando a depender emocionalmente de algum e est descobrindo as vantagens dessa dependncia. Em vez de s pensar em si mesmo, ele procura formar uma unidade com a namorada, e isso o deixa feliz. O individualismo  a crena na autoconfiana e na independncia. Aqueles que acreditam no individualismo enfatizam a realizao e o sucesso pessoais sem precisar depender dos outros. Se qualquer coisa viola seus direitos individuais, eles se livram dela. Sentem que tm o direito de alcanar a excelncia pessoal a qualquer custo. Os seres humanos na verdade no funcionam dessa maneira. Ns, seres humanos, precisamos fundamentalmente das outras pessoas para poder saber quem somos. Assim como necessitamos de espelhos que reflitam a nossa imagem fsica, que nos mostrem como parecemos fisicamente, precisamos que as outras pessoas nos retratem emocionalmente, que nos revelem como somos psicologicamente. A idia de Jesus de que "os primeiros sero os ltimos"  o oposto do individualismo. Embora ele reconhecesse o valor inerente de cada pessoa, as pessoas s eram consideradas boas como conseqncia do seu relacionamento com Deus e com os outros. Jesus nunca ensinou que poderamos ser bons sozinhos. Para ele, no realizamos nosso pleno potencial por meio da competio e sim atravs da conexo. PRINCPIO ESPIRITUAL: O indivduo  uma parte do todo.

AS PESSOAS NO SO BOAS NEM MS "Eu vos chamo de amigos." Joo 15:15 Com a parbola do bom samaritano, Jesus estava falando da natureza humana. Ele no estava dizendo que somos fundamentalmente maus como os ladres ou automaticamente bons como o samaritano. Nossa natureza essencial, de acordo com Jesus, se manifesta na relao. Nossa necessidade bsica  nos relacionarmos uns com os outros a fim de sermos completos. Freqentemente usamos vrias desculpas para negarmos a percepo de que estamos vitalmente ligados aos outros. Eles necessitam de ns e, o que  ainda mais assustador, ns precisamos deles. A rea da minha vida em que tive mais dificuldade em aceitar essa idia foi a do relacionamento com o meu pai. Raramente vamos as coisas do mesmo jeito e discutamos com freqncia. S consigo recordar poucas vezes na minha vida em que no me senti tenso ao lado dele. Nosso relacionamento foi assim at a sua morte. Quando recebi a notcia de que meu pai estava com cncer, fiquei chocado, em parte porque tinha a iluso de que essas coisas s aconteciam com as outras pessoas e em parte porque no estava pronto para a sua morte. Eu sabia que o nosso relacionamento no era bom e no queria que ele sasse da minha vida sem que tivssemos procurado nos aproximar. Embora no mantivssemos muito contato desde que eu me tornara adulto, fiz planos para voar at Tulsa e passar o fim de semana com ele quando os mdicos lhe deram alta do hospital e o mandaram para casa. Disseram que no podiam fazer mais nada por ele. Eu no sabia o que ia dizer, mas queria ter um tipo de conversa que no causasse conflito entre ns. Aquele iria ser um dos momentos mais importantes da minha vida. Nunca me esquecerei da minha ltima noite com ele. Eu estava sentado na beira da sua cama, buscando em vo palavras que expressassem como eu lamentava o nosso doloroso relacionamento. De um jeito que no era do seu feitio, ele me disse: --Mark, no temos conversado muito depois que voc saiu de casa. Por que voc no fala a respeito da sua vida hoje em dia? Sem pensar, deixei escapar: --Nossas conversas nunca foram fceis. Calmamente, ele retrucou: --Bem, se abaixarmos a cabea e rezarmos, voc acha que poderemos conversar? Voc conversa to bem. Chorando, abaixei a cabea e rezei junto com ele. Nas quatro horas seguintes tive a melhor conversa da minha vida com meu pai. Na verdade, acho que foi o nico dilogo verdadeiro que tivemos. Descobri coisas a respeito da vida dele que eu nunca soubera e contei-lhe coisas a meu respeito. Pedi que me perdoasse por ter sado de casa to zangado anos antes e viverei o resto da minha vida lembrando das ltimas palavras que eu disse ao meu pai: "Eu te amo." Uma das lies que aprendi naquele dia foi que no apenas eu, mas ns dois precisvamos curar nosso relacionamento. Ele entrou em coma no dia seguinte e no voltou a recuperar a conscincia. Tinha resolvido seus problemas e estava pronto para partir. Compreendi que eu tambm tinha assuntos no resolvidos. De certa maneira, estava empacado e no conseguia levar a minha vida adiante por no

ter resolvido meu relacionamento com ele. Era em meu benefcio que eu precisava perdo-lo. Somos profundamente influenciados pelos nossos relacionamentos com os outros. Precisamos deles para podermos ser saudveis e completos. O fato de estarmos com raiva de uma pessoa no significa que cortamos o relacionamento com ela. A enorme distncia fsica que eu colocara entre meu pai e eu no diminuiu nem um pouco o impacto do meu relacionamento com ele. Minha vida est melhor porque tive a oportunidade de fazer as pazes com meu pai antes de sua morte. Este fato me ajudou a reconhecer a importncia de todos os meus relacionamentos, at mesmo dos mais difceis, para tornar-me quem eu sou. Olhando para trs agora, consigo ver que nem eu nem meu pai ramos pessoas ms no nosso relacionamento. Ambos estvamos contribuindo para os nossos problemas e ns dois tnhamos a responsabilidade de fazer alguma coisa a respeito da situao. Era somente a nossa mgoa que estava impedindo que fizssemos as pazes. Exatamente como na parbola do bom samaritano, ramos como o homem espancado quando sentamos que estvamos sendo feridos pelo outro, como os ladres quando perpetuvamos a mgoa entre ns e como os levitas e os sacerdotes quando estvamos ocupados demais para nos dar ao trabalho de tentar melhorar as coisas. Graas a Deus conseguimos no final ser o bom samaritano quando paramos e fizemos um movimento para nos relacionarmos um com o outro. Jesus nos ensinou que, alm de amar os outros, devemos tratar os mais prximos de ns como amigos. Isso muitas vezes  extremamente difcil. Embora Jesus se considerasse um lder, um profeta e at mesmo o Filho de Deus, quando ele disse aos seus seguidores: "Eu vos chamei de amigos", estava fazendo uma declarao a respeito da essncia das pessoas. No existe nada mais importante do que a nossa escolha deliberada e consciente de construir um relacionamento amoroso com aqueles que nos cercam, por mais difcil que isso seja. Este  um dos princpios que uso na terapia e que tambm tem me ajudado na minha vida pessoal. PRINCPIO ESPIRITUAL: s vezes tratamos aqueles que amamos como nunca trataramos nossos amigos.Devemos pedir perdo por isso.

A IMAGEM DE DEUS NA TERRA "O Pai est em mim, e eu no Pai" Joo 10:38 Darren comeou a fazer terapia quando estava no ensino mdio e continuou a se tratar de um modo intermitente. Embora tenha se beneficiado de alguma maneira, tambm foi tratado com tcnicas que considero ultrapassadas. Darren era muito tmido e reservado. Sua auto imagem era medocre e acreditava que ningum estava realmente interessado nele. Tinha poucos amigos e s conseguia manter um contato social nos bares depois que afastava as suas inibies com doses significativas de lcool.  claro que essa atitude dava origem a outros problemas. Em determinado momento, Darren topou com uma forma de terapia que fez com que ele se soltasse bastante. Disseram-lhe que fosse para uma sala repleta de outros pacientes e extravasasse quaisquer emoes que quisesse. Baseado no comportamento dos outros, Darren ps-se a gritar e a se jogar no cho. De repente, foi capaz de expressar uma raiva violenta que reprimira a vida inteira. Ao contrrio do que poderia esperar, Darren no foi rejeitado pelos seus sentimentos de raiva; na verdade, foi elogiado por ser capaz de express-los com tanta liberdade. Ele se sentiu livre. Darren mal conseguia acreditar que pudesse mostrar aos outros o que tinha de mais inaceitvel e repulsivo, e mesmo assim ser aceito.  extremamente curativo quando, em vez de sermos rejeitados, somos aceitos ao expressar os sentimentos que censuramos. No entanto, os efeitos dessa experincia no duraram. Em algum nvel mais profundo, Darren no conseguiu acreditar que os outros o estivessem verdadeiramente aceitando. Ele achou que estavam fingindo, como todas as pessoas de sua vida. Inconscientemente, imaginou que havia algo a seu respeito que elas rejeitariam. Assim, suas exploses de raiva comearam a aumentar progressivamente. Gritava com os outros, derrubava a moblia e desafiava zangado os terapeutas quanto estes tentavam colocar limites no seu comportamento. Darren foi finalmente convidado a retirar-se do grupo de terapia, o que o deixou muito magoado. Os terapeutas reconheceram sua necessidade de se expressar, mas no perceberam a importncia do relacionamento deles com Darren quando ele se manifestava. O simples fato de expressarmos nossas emoes no  benfico, mas ser acolhido e compreendido ao extern-las pode ajudar muito na cura. Quando Darren sentia que a expresso dos seus sentimentos era aceita pelos outros, a terapia era capaz de curar mgoas passadas. Mas quando ele se sentiu rejeitado por expressar a sua raiva, a terapia se tornou uma repetio de traumas passados. Como j disse antes: os psiclogos esto reconhecendo hoje em dia a importncia essencial dos relacionamentos em nossa vida, e a nossa terapia precisa sempre considerar este fato. Jesus ensinou que no podemos viver sem um relacionamento com Deus e com os outros, assim como no somos capazes de existir sem o ar que respiramos. Tentar viver uma vida isolada significaria violar a nossa natureza. Reconhecer que dependemos fundamentalmente de algum fora de ns  a nica maneira de satisfazer a nossa natureza. Muitos psiclogos esto chegando  mesma concluso. Estamos reconhecendo que as pessoas s podem ter um "eu" ao se relacionarem

com os outros.4 Jesus sempre se viu em um constante relacionamento com Deus.5 Ele disse: "O Pai est em mim, e eu no Pai." Esta profunda conexo entre eles era um modelo de como ele queria que nos vssemos. Os seres humanos no podem viver isolados. PRINCPIO ESPIRITUAL: A imagem de Deus em ns  a nossa capacidade de nos relacionarmos.

A INTERPRETAO ERRADA DO OBJETIVO DA VIDA DE JESUS "A princpio seus discpulos no compreenderam..." Joo 12:16 O domingo de Ramos  lembrado na igreja crist como o incio da semana mais importante da vida de Jesus. Nesse domingo ele foi para Jerusalm viver seus ltimos dias na Terra. As pessoas que souberam que ele estava chegando enfileiraram-se nas ruas para saud-lo, agitando folhas de palmeira como um smbolo de vitria para um poderoso dirigente, mais ou menos como fazemos quando papis so jogados dos prdios para receber os heris. Para surpresa de todos, Jesus chegou montado em um jumento. Em vez de chegar  cidade com grande pompa, ele se serviu de um humilde meio de transporte para cumprir uma antiga profecia. Ele queria deixar uma coisa bem clara: ele era algum com quem qualquer um podia se relacionar. At mesmo Joo, o amigo mais chegado de Jesus, escreveu mais tarde a respeito desse evento dizendo que "no tinha entendido". As pessoas, tanto naquela poca quanto agora, tm a tendncia de achar que, se Jesus tinha o poder de mudar o mundo, ele deveria ter planos drsticos para varrer a corrupo e o mal que permeava o planeta. Jesus, porm, parecia continuar a dizer s pessoas que elas precisavam se relacionar com Deus. Meu amigo Steve no se interessa por religio, especialmente pelo cristianismo. Para ele, Jesus era um rabino moralista que se exibia como se possusse uma virtude superior, tentando fazer as pessoas se sentirem culpadas se no agissem da mesma maneira. Steve acredita que a religio traz  tona o que h de pior nas pessoas, aproveitando-se da culpa que elas sentem. Infelizmente, acho que muitas pessoas religiosas tambm pensam como Steve. Muitas so religiosas porque se sentem culpadas e tm esperana de que atravs das prticas religiosas podem ser salvas. Elas seguem rituais religiosos, fazem contribuies financeiras e tentam viver uma vida religiosa para no se sentirem mal com relao a si mesmas. A noo de que Jesus queria mostrar s pessoas que elas so ms para que vivam de forma mais digna  uma interpretao errada das idias de Jesus. Jesus criticava o comportamento de algumas pessoas, mas aquelas que ele mais censurava eram exatamente as religiosas. Raramente ele reprovava as pessoas comuns. Quando se deparava com algum que estivesse se comportando mal, dizia para a pessoa "ir embora e no pecar mais", sem dar nfase ao mau comportamento. O objetivo da vida de Jesus no era demonstrar que as pessoas

eram ms, mas fazer com que elas soubessem que precisavam relacionar-se com Deus e com os outros de forma amorosa. Ele acreditava que, se reconhecssemos essa necessidade humana bsica, no desejaramos agir de modo nocivo.  fcil enganar-se ao interpretar o objetivo da vida de Jesus se encararmos sua misso como um dever moral, se acreditarmos que Jesus considerava que as pessoas eram fundamentalmente ms e precisavam ser moralmente libertadas atravs de princpios religiosos. O objetivo da vida de Jesus no era fazer com que tivssemos mais moralidade e sim nos tornar mais amorosos em nossas relaes. PRINCPIO ESPIRITUAL: A boa moralidade se origina nos bons relacionamentos.

VOLTANDO AO JARDIM DO DEN "Eu vim para que elas tenham vida, e a tenham em abundncia." Joo 10:10 H anos Michael no fala com o irmo, Tom. Todos na famlia esto a par da animosidade existente entre os dois, mas ningum sabe o que fazer a respeito. Ambos so teimosos e cada um acha que foi profundamente ofendido pelo outro. Na ltima vez que a mulher de Michael tentou discutir a situao com ele, a conversa terminou com Michael gritando: "No quero que o nome dele volte a ser mencionado nesta casa." Na verdade, nem Michael nem Tom conseguem se lembrar de como surgiu a inimizade entre eles. No entanto, ambos so capazes de recordar numerosos incidentes que usam para manter ativo o dio existente entre os dois. Michael sente raiva de Tom por este no ser o tipo de irmo mais velho de que ele precisava, e Tom tambm sente raiva de Michael por v-lo to ressentido. Cada um acha que o outro lhe deve satisfaes e nenhum dos dois est interessado em fazer alguma coisa para melhorar a situao. O que nenhum dos dois percebe  que ambos precisam um do outro para serem completos. A guerra entre os irmos produz feridas e sofrimentos nos dois. Apesar do que Freud achava originalmente, no  natural que membros de uma mesma famlia sejam agressivos uns com os outros. Esse tipo de animosidade  um sinal de que algo est errado. Michael precisa reconciliar-se com Tom em seu prprio benefcio. Ele resiste  idia de aproximar-se do irmo por achar que estaria "cedendo". O que ele no percebe  que est prejudicando a si mesmo por permitir que o desentendimento continue. A reconciliao cura as feridas da nossa alma. A amargura e a raiva de Michael em relao ao irmo afetam todos os seus relacionamentos. Jesus via o trabalho da sua vida como a reconciliao da humanidade com Deus. As Escrituras judaicas ensinavam que Ado e Eva haviam sido expulsos do Jardim do den por terem desobedecido a Deus. Do ponto de vista teolgico, esse evento foi chamado de Queda, porque a humanidade caiu em desgraa em relao a Deus. A misso de Jesus era mostrar-nos o caminho de casa. Quando penso nessa "Queda" a partir de uma perspectiva psicolgica, me pergunto: "De onde eles caram?" A resposta que Jesus daria  a seguinte: "De um

relacionamento com Deus." O que a humanidade perdeu no Jardim do den foi o relacionamento ntimo com Deus. Jesus viu a si mesmo como a ponte entre Deus e a humanidade. Essa foi a nossa redeno, o nosso relacionamento restaurado com Deus. Acredito que a vida seria melhor se pensssemos com mais freqncia que a nossa salvao consiste em restabelecer os relacionamentos rompidos. Quando um relacionamento se rompe, a maioria das pessoas se preocupa em descobrir quem est errado. Quando somos feridos, procuramos logo o culpado, querendo que pague por isso. Jesus, por outro lado, achava que as coisas poderiam ser reparadas a partir do que damos aos outros e no do que recebemos deles como forma de pagamento. PRINCPIO ESPIRITUAL: Ns nos salvamos restaurando os relacionamentos.

CAPTULO

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Entendendo o crescimento
"Ningum pe um remendo de pano novo em roupa velha, porque o remendo repuxa a roupa e o rasgo fica pior. Nem se pe vinho novo em odres velhos. Do contrrio, rompem-se os odres, o vinho escorre e os odres se perdem. Mas coloca-se o vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam." Mateus 9:16-17 Jesus ensinou que as pessoas que esto crescendo so sempre capazes de mudar sua maneira de pensar a respeito das coisas.  medida que nos desenvolvemos e mudamos, antigas convices inflexveis so destrudas e deixam de funcionar para ns, assim como um odre velho se rompe quando o enchemos com vinho novo que ento se expande. As crenas que existem no nosso inconsciente so chamadas de princpios organizadores.  medida que passamos pela vida, acumulamos crenas a respeito de ns mesmos e do mundo que nos cerca. Esses princpios organizadores agem automaticamente, na maior parte das vezes sem que percebamos, determinando nossas escolhas e reaes, e so a base da nossa auto-estima.  somente quando nos tornamos conscientes desses princpios organizadores inconscientes que podemos abrir espao para novas convices. Essa tomada de conscincia promove o crescimento, assim como um odre novo acolhe o vinho novo.1

QUANDO A TOMADA DE CONSCINCIA GERA O CRESCIMENTO "Nem se pe vinho novo em odres velhos." Mateus 9:17 Sempre que David entrava no meu consultrio, era inundado por dolorosos sentimentos de insegurana. Ele morria de medo de falar o que sentia por temer dizer alguma coisa que me fizesse ficar triste com ele. O fato de David temer a minha rejeio resultava em longos e dolorosos silncios nas nossas sesses. David tinha muitas lembranas de entrar no escritrio do pai quando criana e ficar quieto, esperando que o pai conversasse com ele. Infelizmente, o pai estava com freqncia ocupado demais para notar a presena de David. Como o menino nunca falava e nem o perturbava, o pai nunca pediu que ele se retirasse, o que criou a seguinte crena -princpio organizador - no inconsciente de David: "Se eu no perturbar as pessoas, no serei rejeitado." O aspecto negativo desse princpio organizador era que David nunca tentava obter aceitao; ele estava constantemente tentando evitar a rejeio. Esse  um processo sem fim. Depois de algum tempo na terapia, David tomou conscincia de que estava automaticamente supondo que iria ser rejeitado se dissesse qualquer coisa perturbadora. Como tinha um enorme cuidado para no incomodar as pessoas, ele nunca se abria o suficiente para descobrir se as suas suposies estavam ou no

corretas. O resultado foi que nada mudou para David. Sua timidez evitava que ele fosse rejeitado, mas tambm o impedia de descobrir se iria ou no ser aceito. As coisas mudaram quando David compreendeu que seu medo da rejeio se baseava em uma convico inconsciente. Quando ele se deu conta desse princpio organizador, conseguiu encarar de modo diferente seus relacionamentos com os outros. Em vez de pensar: "Preciso ficar quieto para evitar a rejeio", passou a pensar: "Sempre tive medo de dizer o que sentia, mas a no ser que eu fale nunca vou realmente saber como as pessoas iro reagir." Este pensamento lhe deu coragem para se abrir com as pessoas e ele comeou a ter relacionamentos muito mais satisfatrios. Descobriu rapidamente que no iria ser rejeitado todas as vezes que dissesse o que estava pensando. De fato, passou a encontrar a aceitao que tanto queria receber do pai. O sentimento de ser aceito fortaleceu David e permitiu que ele crescesse e mudasse de muitas maneiras. Jesus tinha um objetivo. Estava decidido a tornar as pessoas conscientes do seu relacionamento com Deus. No entanto, ele sabia que tinha que enfrentar alguns obstculos. Uma das maiores barreiras era o fato de as pessoas ficarem presas a suas antigas convices e formas de pensar. Ele tinha que faz-las perceber esse aprisionamento antes de conseguir que elas se abrissem a novas idias. O crescimento humano  como o vinho novo. Jesus sabia que crenas antigas e inflexveis so como os velhos odres que se rompem e no funcionam na presena do crescimento. Ele sabia que  necessrio descobrir que as nossas antigas crenas precisam mudar se quisermos usufruir os benefcios do desenvolvimento. Como diz o antigo ditado: "Quanta gua voc consegue colocar em um barril de leo de vinte litros? Nenhuma. Primeiro temos que tirar um pouco do leo." PRINCPIO ESPIRITUAL: As pessoas sbias esto sempre abertas a novas idias e crenas, e at a respeito de si mesmas.

QUANDO O CRESCIMENTO GERA A TOMADA DE CONSCINCIA "Pois  pelo fruto que se conhece a rvore." Mateus 12:33 Como sabemos se uma macieira  saudvel e est crescendo? Pela qualidade dos frutos que ela produz. Jesus sabia que o mesmo era verdade no caso das pessoas. Podemos achar que estamos nos desenvolvendo, ou dizer que estamos, mas nos enganarmos. Ou ento podemos pensar que estamos fazendo um grande progresso na vida, mas depois descobrir que o crescimento s aconteceu quando nos tornamos conscientes de ns mesmos. Donna faz terapia h vrios anos. Ela nunca teve muitos amigos, de modo que a sesso de terapia  um dos poucos momentos na semana em que ela se abre para outro ser humano. No incio, achei que Donna talvez no fosse muito perspicaz, mas depois compreendi que para ela as aes falam mais alto do que as palavras. Passei muitas das sesses com Donna apenas ouvindo o que ela tinha a dizer. Levei algum tempo para perceber que era exatamente isso de que ela precisava.

Raramente Donna pareceu se beneficiar com minhas idias. O que ela parecia querer era a minha ateno completa e exclusiva. Depois de algum tempo, Donna me disse: "Fiz uma descoberta outro dia quando estava numa loja. Finalmente compreendi por que me sinto to pouco  vontade ali dentro. Tenho sempre a impresso de que quando eu me aproximar do balconista, ele no vai gostar de mim. Acabei entendendo o que voc vem tentando me dizer esses anos todos. A minha expectativa  de que as pessoas no gostem de mim. Agora eu entendo!" Fiquei ao mesmo tempo aliviado e um tanto ou quanto sem graa. Durante anos eu vinha tentando forar Donna a assimilar a minha interpretao a respeito do seu medo inconsciente de que as pessoas no fossem gostar dela. No entanto, o que ela precisou foi simplesmente que eu a ouvisse com interesse e ateno, at sentir que eu gostava dela. Como passou a acreditar que eu poderia gostar dela, sentiu-se confiante o bastante para entender que a sua expectativa era de que os outros no fossem gostar. s vezes o crescimento precede a descoberta. Jesus estava mais interessado em convidar as pessoas a terem um relacionamento com ele do que em defender uma filosofia. O fato de as pessoas compreenderem as coisas no era bastante para Jesus; ele queria que elas se relacionassem amorosamente com Deus e com os outros. Para ele, conhecer idias era menos importante do que desenvolver relacionamentos pessoais. Jesus ensinava que as pessoas s conhecem a si mesmas quando se sentem amadas por Deus. Ele acreditava que s podemos realmente entender sua mensagem quando h um encontro pessoal. Assim, o crescimento que sentimos por sermos amados nos prepara para tomarmos conscincia do que isso significa. PRINCPIO ESPIRITUAL: O conhecimento de ns mesmos  fruto do crescimento pessoal.

A ARROGNCIA NASCE DO CORAO INSENSVEL "Por que seus coraes so to duros?" Marcos 8:17 Embora a Sra. Adams freqente regularmente a igreja, temos a impresso de que ela no gosta realmente das pessoas. Ela est interessada em adquirir conhecimentos sobre a Bblia, mas tem muito pouca tolerncia com aqueles que sabem menos do que ela. Ao debater questes religiosas, ela parece a dona da verdade querendo mostrar aos outros em que ponto eles esto errados. Um dos seus ditados favoritos : "Deus ajuda aqueles que ajudam a si mesmos." Este axioma a ajudou a sobreviver na vida, porque ela no estaria onde est hoje se no acreditasse na virtude do trabalho rduo. O problema  que ela parece ter pouco respeito pelos outros. Os membros da sua famlia tm medo de que qualquer coisa que faam no fique  altura dos padres dela, e os membros da sua igreja sentem que ela os censura por no serem to versados na Bblia quanto deveriam.

A Sra. Adams limita os seus relacionamentos com todo mundo que conhece porque s tem uma maneira de ver as coisas. No h nada de errado com o conhecimento da Sra. Adams a respeito da Bblia. Seu problema  que ela tem medo de alimentar qualquer idia nova. Ela exibe uma quase arrogncia com relao ao seu conhecimento da Bblia para disfarar o medo de no saber o que ela acha que deveria conhecer. A maneira autoritria de suas conversas com os outros tem mais a ver com o que ela sente no corao do que com o que sabe ser verdade na cabea. No  o amor da Sra. Adams pela Bblia que a faz estud-la com tanto zelo;  o seu princpio organizador - sua crena - inconsciente: " preciso trabalhar arduamente para ser amada." Infelizmente, aqueles que no compartilham as convices da Sra. Adams freqentemente se sentem pouco  vontade em sua presena. Se ela fosse aberta a pontos de vista diferentes dos seus, talvez conseguisse aceitar melhor os outros e ser aceita por eles. Se no perceber que est sendo guiada por princpios organizadores inconscientes, e no por verdades bblicas,  pouco provvel que venha a mudar. Os princpios organizadores tm um aspecto positivo. No poderamos funcionar sem os princpios que desenvolvemos a partir das lies que aprendemos na vida. O aspecto negativo  fixar-se neles e recusar-se a mudar. Jesus ensinou que o pensamento rgido  prejudicial aos relacionamentos, porque precisamos ser abertos e sensveis aos outros. Ele acreditava que a mente fechada  na verdade um problema do corao das pessoas, uma forma de insegurana e de defesa. Quando penso, como psiclogo, no que Jesus estava tentando fazer as pessoas perceberem, acho que ele procurava lev-las a descobrir que os princpios organizadores inconscientes no so maus por si. Ele no queria que as pessoas jogassem fora suas antigas leis e convices; queria que elas acrescentassem outras s que j tinham e se dispusessem a mudar. Ele ficava frustrado com as pessoas que no queriam aprender nada novo. Aqueles que afirmam "saber tudo" fazem isso porque esto presos a princpios organizadores inconscientes e tm medo de mostrar qualquer ignorncia. PRINCPIO ESPIRITUAL: Os donos da verdade precisam descobrir a verdade a seu respeito.

POR QUE AS PESSOAS NO CONSEGUEM MUDAR "Sois aqueles que vos justificais" Lucas 16:15 Aaron s se interessou pela terapia depois de se divorciar. Sua ex-mulher insistira durante anos para que ele fosse se tratar, mas s depois de ela ir embora ele se decidiu. Aaron no achava que os problemas do seu casamento fossem totalmente causados por ele, de modo que se recusava a assumir a responsabilidade. Quando sua mulher dizia que ele precisava de terapia, Aaron se sentia acusado. Aaron comeou sua primeira sesso fazendo declaraes altamente positivas.

--Minha infncia foi tima - afirmou. - Eu respeitava o fato do meu pai trabalhar muito para nos sustentar, no odeio a minha me e tenho uma boa auto-estima. No estou sabendo como voc pode me ajudar. Tudo que consegui responder foi: --Voc  um homem de sorte. E me pergunto por que est aqui. --Bem, no quero que esse divrcio me prejudique - retrucou ele -, ento achei que voc talvez possa me dar alguns conselhos sobre o que devo fazer. Aaron no queria realmente os meus conselhos e provavelmente no os teria aceito. Na verdade, o que ele precisava era entender melhor a si mesmo para poder descobrir o que fazer. Era para isso que ele precisava da minha ajuda. Enquanto Aaron no percebesse que no se conhecia to bem quanto imaginava, seria complicado ajud-lo.  muito difcil ajudar as pessoas quando elas no acreditam que precisam de auxlio. Aaron deixou sua breve terapia igual ao homem que era quando comeou. Embora tenha me garantido que aprendeu muito durante o tempo que passamos juntos, eu no estava certo de que ele tivesse aprendido muito a respeito de si mesmo. "Agora posso dizer que fiz terapia", anunciou ele orgulhosamente na nossa ltima sesso. "Ela confirmou algumas coisas que j venho pensando h algum tempo e me ajudou a me sentir melhor a respeito de mim mesmo." Geralmente fico feliz quando as pessoas se sentem assim, mas no no caso de Aaron. Eu estava esperando que, em vez de se sentir melhor a respeito de si mesmo, ele passasse a se compreender melhor. Jesus sabia que as pessoas tm a tendncia de se "justificar". Temos o hbito de achar que somos acima da mdia, e para nos sentirmos assim procuramos minimizar nossos problemas. Mas no  o mesmo que enfrent-los. As tentativas de Aaron de se justificar atrapalhavam a sua capacidade de compreender a si mesmo e ele no iria mudar enquanto continuasse a fazer isso.  muito difcil mudar o que no entendemos. Para mudar os padres de pensamento e comportamento de uma vida inteira temos que nos conhecer e compreender. Sinto-me geralmente pouco  vontade quando as pessoas chegam dizendo coisas como: "Ningum me conhece melhor do que eu" ou "Pensei sobre a minha infncia e sei por que sou do jeito que sou". Acho que nos conhecemos parcialmente, e pensar que j entendemos tudo o que  preciso sobre ns mesmos  como colocar um par de antolhos que dificultam o crescimento e a mudana. A principal razo pela qual as pessoas no conseguem mudar  que elas no compreendem a si mesmas o suficiente para perceber quando a mudana  necessria. PRINCPIO ESPIRITUAL: Quando achamos que j chegamos, paramos de avanar.

PARE DE VIVER NO PASSADO "Deixa que os mortos enterrem os seus mortos." Lucas 9:60 A mulher de Burt insistia com ele para que fizesse terapia. Como Burt estava interessado em ser bom marido e bom pai, ele fez o que ela estava pedindo. --Sei que no sou perfeito - disse ele -, de modo que gostaria de examinar meu temperamento. s vezes fico muito zangado. -- um bom lugar para comear - eu falei. --Mas no quero ficar desencavando o que est morto e enterrado - prosseguiu Burt. - Gosto de esquecer o passado e seguir em frente. Para surpresa de Burt, fiz coro com ele. --Concordo plenamente com voc. Se algo est morto e enterrado, no vejo nenhuma razo para revolv-lo. Como a esposa lhe tinha dito que os psiclogos gostam de lidar com questes da infncia, Burt no soube o que retrucar. Prossegui ento: --Mas s vezes enterramos coisas que esto vivas. Burt no percebia que eventos do passado podem ainda estar nos influenciando hoje. Ns, psiclogos, no falamos sobre o passado por termos um interesse mrbido por circunstncias dolorosas. Tentamos entender os acontecimentos passados para poder determinar at que ponto eles ainda esto vivos e ativos no inconsciente no momento presente. Embora ele no soubesse, a sua recusa de examinar o passado o estava mantendo preso a ele. Burt no ficava pensando no passado; ele estava vivendo nele. Quando comeou a examinar os dolorosos eventos que recuavam at sua infncia, passou a entender o que desencadeava suas exploses de raiva. Havia certamente acontecimentos que estavam mortos e enterrados, mas as coisas que provocavam nele uma reao emocional ainda estavam vivas e ele precisava lidar com elas. Quando se reconciliasse com essas coisas, poderia ficar livre para reagir de modo diferente quando um acontecimento do presente as trouxesse  tona. S ento Burt poderia realmente dizer que no estava vivendo no passado e que agora seguia adiante. Viver presos a princpios organizadores inconscientes faz com que vivamos no passado.  somente ao examinar as crenas inconscientes moldadas pelo nosso passado que podemos ficar livres para desenvolver as novas convices de que necessitamos no nosso presente. Se no desenvolvermos novos pontos de vista, no teremos outra alternativa seno seguir as antigas convices. Jesus ensinava o que os psiclogos acreditam hoje: que  melhor escolher conscientemente o que acreditamos no presente do que seguir inconscientemente os padres do passado. As pessoas espiritualmente vivas esto crescendo e aprendendo coisas novas. Viver a partir de padres rgidos do passado resulta na morte espiritual, antes mesmo da morte fsica.  assim que os "mortos" podem "enterrar os mortos". Se quisermos permanecer espiritualmente vivos, temos que desenvolver conscientemente novas convices que surgem com o crescimento. PRINCPIO ESPIRITUAL: Aqueles que no aprendem com o passado vivem presos a ele.

COMO AS PESSOAS CRESCEM " na fraqueza que meu poder  mais forte." 2 Corntios 12:9 Fred venceu na vida pelo prprio esforo.  um homem muito culto, bem-sucedido e que se encontra em boa forma fsica. A maioria das pessoas acha que Fred  um homem realizado, o que  exatamente o que ele pensa a seu prprio respeito. Fred se considera capaz de resolver com sucesso praticamente qualquer situao e no consegue ver nenhum aspecto negativo em si mesmo. O controle  importante para Fred. Ele quer controlar o seu peso, suas emoes e dirigir o seu destino. Considera uma fraqueza no estar no domnio da situao. Para demonstrar que est no controle, Fred constantemente acrescenta realizaes  sua vida. Sua conta bancria est crescendo, ele est subindo na empresa e estuda  noite para obter outro diploma. As coisas esto melhorando na vida de Fred, mas a sua capacidade de desfrutar essas coisas est diminuindo e ele se sente insatisfeito e muitas vezes angustiado. O controle que exerce e os bens que acumula no esto mais funcionando como antes. Fred ainda no compreendeu que as circunstncias esto mudando, mas ele no. Aumentar no  o mesmo que crescer. A necessidade de atingir um bom desempenho tem origem na convico inconsciente de Fred de que quanto mais, melhor. Ele nunca realmente parou para avaliar essa convico; simplesmente tem vivido obedecendo a ela. Em cada ano em que ganhou mais dinheiro, conquistou mais diplomas ou superou os nmeros do ano anterior, ele na verdade no cresceu nem um pouco. Simplesmente viveu segundo os mesmos princpios organizadores que determinaram sua vida no ano anterior; apenas as quantidades e os detalhes das suas realizaes foram diferentes. Ele continuou igual. Para realmente crescer, Fred teria que aprender algo novo a respeito de si mesmo, o que exigiria que admitisse para si e para os outros que ele no  uma pessoa completamente realizada. Mas isso  extremamente difcil para ele. Para que Fred crescesse espiritualmente, ele precisaria aceitar que no pode fazer tudo sozinho. Para adquirir fora espiritual, Fred teria que primeiro tomar contato com sua fraqueza. Teria que reconhecer que precisa da ajuda dos outros para entender as coisas a respeito de si mesmo que no consegue ver. O que vai ajudar Fred a crescer  aprender a abrir-se para que os outros possam ensinar-lhe coisas a respeito dele. Fred sempre soube que s conseguimos o que queremos se pedimos, mas o que ele ainda no sabe  como pedir. Jesus ensinou que o crescimento espiritual no  um objetivo que possamos alcanar sozinhos. Precisamos de Deus e dos outros. Esta necessidade no  um sinal de fraqueza, e sim o comeo da fora. Muitas pessoas prefeririam acreditar que podem mudar por si mesmas em vez de pedir aos outros que as ajudem. Esta atitude geralmente impede o crescimento delas. A verdade  que no podemos nos conhecer o suficiente sozinhos. Os princpios organizadores inconscientes que moldam nossa vida esto essencialmente fora do alcance da nossa percepo. Precisamos de outra pessoa que nos revele coisas a nosso respeito que no conseguimos ver. Jesus queria nos mostrar que devemos

pedir ajuda para poder crescer. s vezes a nica coisa que atrapalha  achar que pedir  sinal de fraqueza. PRINCPIO ESPIRITUAL: At mesmo aqueles que conseguem o que querem precisam pedir o que necessitam.

OS TERAPEUTAS E AS LMPADAS "Quem tem ouvidos, oua." Mateus 11:15 Conheo uma antiga piada que diz: "Quantos terapeutas so necessrios para mudar uma lmpada queimada? Nenhum. Ela precisa querer mudar." Embora seja preciso que os outros nos ajudem a crescer, tambm  necessrio que tenhamos vontade de faz-lo.  comum no querermos realmente crescer porque isso significaria ter que examinar o que existe dentro de ns, e tememos o que poderamos ver. Kaitlyn foi criada para manter tudo em segredo. Ningum na escola deveria ter conhecimento do caos e da vergonha que reinavam no seu lar. Quando chegava em casa, ela nunca sabia se iria encontrar a me desmaiada no cho da cozinha ou em que estado o pai estaria. Sem saber como lidar com o alcoolismo dos pais, ela simplesmente guardava tudo dentro de si. Aps participar durante anos de um grupo de ajuda para filhos adultos de pais alcolatras, Kaitlyn decidiu fazer terapia. Ela sabia que no era culpada pelo fato de sua auto-estima ser to baixa, mas sentia que seria culpa sua deixar as coisas como estavam. Embora Kaitlyn acredite que tem medo de quase tudo, eu a considero corajosa. Para mim, ter coragem  saber que temos medo, mas mesmo assim escolher dizer sim  vida. O fato de Kaitlyn decidir fazer terapia foi exatamente isso. Ela tinha muito medo de falar sobre a infncia; era um pesadelo que no queria voltar a viver. No entanto, Kaitlyn tinha vontade de tomar decises melhores para a sua vida e estava determinada a fazer com que a terapia a ajudasse nesse sentido. No incio, sua pergunta "Por que continuo a fazer essas coisas?" continha um sentimento de autocensura, porque ela tinha vergonha das decises erradas que tomara. Mas logo a pergunta adquiriu um tom de curiosidade; ela realmente queria saber a resposta. Por mais doloroso que fosse discutir os acontecimentos da infncia que haviam moldado dramaticamente sua personalidade, Kaitlyn estava sempre disposta a examin-los, na esperana de mudar. Hoje, Kaitlyn no  mais a pessoa tmida na qual estava se transformando. Ela  capaz de concentrar-se no trabalho, de relacionar-se abertamente com os outros e no se sente atrada como antes por pessoas problemticas. Kaitlyn cresceu. Uma das principais razes pelas quais Kaitlyn est diferente  o fato de desejar entender de que maneira o seu passado difcil contribuiu para ela ser quem  hoje. Sua infncia ainda lhe causa medo, mas ela no vai permitir que seus temores a impeam de compreender o que precisa saber a respeito de si mesma. No  a ausncia de

medo que faz com que Kaitlyn tenha coragem suficiente para crescer;  fundamentalmente a sua disposio de entender as coisas que sempre a assustaram. Jesus estabeleceu uma distino entre as pessoas que estavam interessadas em mudar a prpria vida e aquelas que no estavam. Ele disse: "Quem tem ouvidos, oua." Ele partia do princpio de que todo mundo era capaz de mudar e oferecia s pessoas a oportunidade de crescer baseada exclusivamente na disposio de aceit-la. O crescimento exige que estejamos prontos para ouvir a ns mesmos e dispostos a lidar com o que encontrarmos. Jesus ensinou que temos que ter coragem para crescer.  preciso querer. PRINCPIO ESPIRITUAL: A coragem no  a ausncia do medo e sim a presena da f apesar do medo.

S VEZES NO PODEMOS VOLTAR PARA CASA "No h profeta sem honra, a no ser na sua ptria e na sua casa." Mateus 13:57 Quando Emily procurou-me para fazer terapia, ela estava preocupada com a sua dificuldade em lidar com os relacionamentos no trabalho. Ela se considerava insegura e ineficaz com as pessoas. Logo percebemos que seus sentimentos de ineficcia estavam relacionados  sua me. Foi ela que fez Emily comear a acreditar que era um fardo para as outras pessoas. Se acreditamos que a nossa prpria me nos considera um fardo, no  preciso muito esforo para imaginar que todas as outras pessoas nos vem da mesma maneira. Emily estava presa ao princpio organizador inconsciente: "Meus sentimentos so um fardo para os outros." Esta crena inconsciente a tornava hesitante em todos os seus relacionamentos. O resultado era que a maioria das pessoas desconhecia a opinio de Emily, da a dificuldade em se relacionar com ela. Infelizmente, a crena e a expectativa que tinha faziam com que as coisas acontecessem exatamente como ela imaginava. Durante o perodo da nossa terapia, Emily passou a conhecer o seu princpio organizador inconsciente. No momento em que ela tomou conscincia dele, deixou de experiment-lo da mesma maneira. Embora ainda achasse difcil expressar seus sentimentos, ela no pressupunha mais automaticamente que eles fossem um fardo para os outros. Essa mudana na perspectiva de Emily possibilitou que ela se tornasse muito mais aberta e eficaz nos seus relacionamentos. Quase todas as pessoas ficaram interessadas na transformao de Emily, exceto sua me. A capacidade de abrir-se e expressar seus sentimentos tornou ainda mais problemtico o relacionamento das duas.  medida que comeou a falar a respeito de como se sentia, at mesmo das coisas que a perturbavam, as discusses com a me chegaram ao auge. Emily agora tinha opinies. --  isso que voc est aprendendo na terapia? A botar a culpa de tudo em mim? dizia a me.

--Ser que eu no posso discordar sem que voc se sinta atacada? -retrucava Emily. Essas discusses raramente tinham uma concluso satisfatria para qualquer das duas. Embora Emily sempre tivesse se sentido pouco  vontade perto da me, ela agora tinha mais conscincia das razes deste fato. A me de Emily continuava agindo como se os sentimentos da filha fossem um fardo para ela. Emily precisava que sua me entendesse o que estava acontecendo para que as coisas pudessem se modificar, mas a me no percebia que alguma coisa precisava mudar. Quanto mais Emily se esforava para faz-la compreender a necessidade da mudana, mais ela ficava zangada com a filha. Agora que mudou, as coisas jamais podero voltar a ser como antes com a sua me. Emily no est desistindo do relacionamento com a me; ela est simplesmente insistindo para que elas tenham uma relao melhor do que a anterior. A mudana est acontecendo muito devagar, mas Emily acha que tanto ela quanto a me a merecem. Jesus ensinou que depois que se envolvem em um relacionamento com Deus as pessoas nunca mais conseguem olhar para o mundo da mesma maneira. s vezes o crescimento espiritual significa uma mudana radical na nossa perspectiva e tem conseqncias nos relacionamentos. s vezes nossos amigos e nossa famlia ficam felizes ao nos verem crescer e mudar; s vezes, no. Quando as pessoas  nossa volta no se alegram ao nos verem diferentes, temos que seguir em frente, desejando que um dia elas percebam o valor de nossa transformao. PRINCPIO ESPIRITUAL: A mudana nem sempre  um hspede bem-vindo.

CRESCIMENTO  TRABALHO "Tome a sua cruz e siga-me de perto." Marcos 8:34 (Living Bible) O processo do crescimento no apaga os nossos princpios organizadores. Ns nos lembramos do passado, mesmo que escolhamos nos libertar dele. Pode ser que em determinadas circunstncias nos sintamos tentados a reagir da maneira antiga. No podemos transformar imediatamente nossos antigos princpios organizadores em novos, mas podemos aprender a nos apoiar em outros at que os antigos se tornem uma memria distante. Jesus ensinou que o crescimento envolve um rduo trabalho. Precisamos estar preparados para assumir a nossa parte de responsabilidade se quisermos colher a recompensa. Megan voltou a fazer terapia porque percebeu que repetidamente saa com homens carentes que esperavam que ela assumisse o comando da situao, o que Megan acabava fazendo. Como j tinha feito terapia, ela sabia que essa caracterstica sua era resultado do seu relacionamento com o pai, uma pessoa seriamente deprimida. Como era a filha predileta, Megan sempre se sentira responsvel pela felicidade do pai e nunca se permitira ficar de mau humor na esperana de anim-lo.

-- Quero mudar -- ela me disse. -- Estou farta de homens carentes e perdedores. Quero me livrar de toda a bagagem do passado e seguir em frente. Onde esto os caras legais? Senti-me como se ela estivesse me convocando para assumir o comando da situao e respondi: --Voc no pode mudar, mas pode crescer. Megan no gostou de ouvir isso e foram necessrios vrios meses para que ela compreendesse o significado da minha afirmao. A verdade  que os princpios organizadores inconscientes que Megan estruturou na infncia so uma parte permanente do seu inconsciente terreno. Nenhum de ns  capaz de mudar isso. Ela provavelmente vai continuar a ter um movimento semelhante sempre que conhecer um homem que a faa lembrar-se de alguma maneira do pai. Mas o que efetivamente podemos mudar  a reao de Megan ao seu passado. Agora que est consciente de que se sentia responsvel por cuidar do pai deprimido, ela no precisa continuar a agir como se isso ainda fosse verdade. Todas as vezes que se sentir tentada a "cuidar" de outro homem carente, pode perguntar a si mesma se est respondendo s necessidades do homem que est na sua vida agora ou  daquele que estava na sua vida h muitos anos. Ela  capaz de comear a perceber que pode se ligar ao homem da sua vida sem ter que "cuidar" dele. Responsabilidade significa "capacidade de responder", e agir automaticamente a partir de princpios inconscientes do passado elimina essa capacidade e a substitui pela obrigao de ter sempre a mesma reao. Quando Megan disse "Quero mudar", ela estava na verdade dizendo: "No consigo mais suportar o que estou sentindo e quero que todos os maus sentimentos desapaream." Crescer envolve avanar em direo aos bons sentimentos e no tentar escapar dos maus. No podemos apagar os princpios organizadores de Megan, mas podemos ajud-la a reconhec-los, a lidar com eles e desenvolver outros. Megan pode aprender que as carncias dos homens com quem se relaciona hoje so oportunidades de crescimento para ela e no exigncias que precisa satisfazer. Embora isso signifique que Megan ainda precisa estar consciente de como se sacrificou por causa da depresso do pai, ela est mais capaz de superar o efeito que esse distrbio exerceu sobre seu comportamento. Jesus falou sobre o processo de transformao espiritual como uma tarefa que precisamos abraar repetidamente todos os dias. Ele convidava as pessoas para "tomarem a cruz" porque sabia que se tratava de um processo trabalhoso. Ele no oferecia s pessoas uma mudana instantnea. A vida melhor era para ele a prpria deciso de percorrer o caminho difcil para segui-lo de perto. Esta escolha  o constante crescimento. PRINCPIO ESPIRITUAL: As mudanas rpidas so freqentemente temporrias, mas o crescimento lento transforma profundamente.

CAPTULO 4

Entendendo o pecado e a psicopatologia
"Um certo homem tinha dois filhos e o mais moo deles disse ao pai: 'Pai, d-me a parte dos bens que me pertence.' ... E, poucos dias depois, o filho mais novo, ajuntando tudo, partiu para uma terra longnqua, e ali dissipou os seus bens, vivendo dissolutamente... Caindo em si, disse: 'Vou partir em busca do meu pai e lhe direi: Pai, pequei contra o cu e contra ti' Mas quando ainda estava longe o pai o viu e, comovido, lhe correu ao encontro, lanou-se-lhe ao pescoo e o beijou... O pai disse aos seus criados: 'Rpido!... Alegremo-nos e celebremos, porque este meu filho estava morto e reviveu, tinha-se perdido e foi encontrado.'" Lucas 15:11-24 Na parbola do filho prdigo, Jesus nos diz que a principal causa do pecado  o egosmo. A parbola, trata da soluo do pecado no mundo. Jesus estava estabelecendo que o pecado  o egocentrismo que resulta em um relacionamento rompido, e a salvao  o momento em que esse relacionamento  renovado. O filho prdigo partiu deixando o pai e acabou sozinho e perdido. Quando o acolhe na volta, o pai no menciona a vida desregrada que depauperou a herana do filho, nem mesmo considera que o comportamento dele merea punio. Ele se alegra porque o relacionamento foi restabelecido.1 O egocentrismo situa-se no mago dos problemas espirituais e psicolgicos, porque tanto o pecado quanto a psicopatologia resultam da auto preservao a qualquer custo. Este captulo mostra como o pecado e a psicopatologia so causados por relacionamentos rompidos, e como a salvao e a sade psicolgica acontecem quando os relacionamentos so reconstrudos.2 A PATOLOGIA DO EGOSMO "Quem agarrar-se  prpria vida a perder." Mateus 10:39 (Living Bible) Dora deixou de acreditar nas pessoas h muito tempo. Seus pais a desapontaram, seus amigos a decepcionaram e ela achou que Deus tampouco a ajudou. Dora passou a acreditar que quando queremos que uma coisa seja feita temos que faz-la sozinhos. Dora encara as outras pessoas como adversrios.  como se ela estivesse competindo com todo mundo por causa de tudo, sempre querendo ter certeza de que no ser enganada. O problema  que, mesmo quando consegue evitar que os outros a enganem, ela ainda se sente lograda. Quando no temos com quem compartilhar as coisas, a satisfao de conseguir o que queremos no dura muito tempo. Dora construiu um muro de defesas para garantir que ningum conseguir se aproveitar dela. O que no percebe  que, alm de impedir que os outros entrem,

esse muro a mantm presa do lado de dentro. A verdade  que Dora se ressente de estar sozinha. Ao tentar evitar ser vtima dos outros, ela criou o prprio inferno. Procura se proteger desconfiando dos outros, quer curar suas feridas permanecendo isolada. Dora tem poucos amigos porque sua atitude  muito defensiva diante das pessoas, e sua vida no parece ter significado porque ela no acredita em nada maior do que ela mesma. Dora age como se estivesse absolutamente certa do que quer, e  em geral intil discutir com ela a respeito disso. Mas sua fachada confiante e segura serve apenas para ocultar seu sofrimento. Dora est to ocupada em se defender que no sobra energia para construir coisas melhores para a sua vida. O que ela no percebe  que manter os outros  distncia lhe d uma falsa segurana, mas a impede de obter o que precisa para se sentir completa. Tanto do ponto de vista psicolgico quanto do espiritual, Dora extraviou-se e, sem a ajuda de outras pessoas, ser incapaz de encontrar o que realmente precisa. O ponto inicial tanto da salvao quanto da sade psicolgica  reconhecer que precisamos dos outros. Do ponto de vista espiritual, necessitamos de um relacionamento com Deus para sermos completos. De um ngulo psicolgico, nossa sade mental depende da nossa capacidade de nos relacionarmos bem com os outros. Se encararmos as outras pessoas como adversrios dos quais precisamos nos proteger, nos tornamos defensivos e corremos o risco de prejudicar exatamente aquilo que estamos to arduamente tentando proteger. Jesus ensinou que os seres humanos so seres essencialmente de relao. Ele freqentemente mencionava a importncia da nossa relao com Deus e com os outros. Para Jesus, a sade espiritual acontece quando os relacionamentos esto intactos, e o pecado, quando eles esto rompidos. Quando temos medo de que as nossas necessidades no sero satisfeitas, nos envolvemos em atos impulsivos de autopreservao ou em mecanismos de defesa para nos proteger. Esses mecanismos infelizmente tornam-se psicopatologia que nos separa no apenas das outras pessoas como tambm do nosso verdadeiro eu. Jesus declarou que os seres humanos no podem existir como ilhas; os psiclogos afirmam que no podemos ser completos sem nos relacionarmos com os outros. Tanto o pecado quanto a psicopatologia resultam de atos desesperados de autopreservao que colocam o egosmo no cerne dos nossos problemas espirituais e psicolgicos. PRINCPIO ESPIRITUAL: O egosmo  pecado e psicopatologia.

A SADE E A SALVAO SO MOVIMENTOS EM DIREO AOS OUTROS "Assim como ouves o vento mas no sabes de onde ele vem, o mesmo acontece com o Esprito." Joo 3:8 (Living Bible) Assisti certa vez a uma palestra apresentada por um antroplogo que mostrou por que determinadas culturas no mundo no conseguiam entender as descries do cristianismo feitas pelos missionrios americanos. Explicou que nos Estados Unidos pensamos em funo de conjuntos fechados e limitados. Representou o que queria dizer atravs de uma srie de crculos no quadro, para demonstrar como achamos que as pessoas pertencem a certos grupos e no a outros. Os cristos esto dentro de um crculo e os no-cristos do lado de fora. Achamos que se entrarmos no crculo do cristianismo estaremos salvos. Se no entrarmos, seremos condenados. Sempre acreditei que a terapia fosse um processo de movimento espiritual. A presena de Deus no  mencionada na terapia, mas isso no impede que Deus crie movimento em nossa vida. Eu creio nisso. Quando meus pacientes percebem uma ausncia desse movimento na terapia, ou seja, quando no sentem que as coisas esto progredindo, eles se consideram "empacados". Depois, quando as coisas comeam a fazer sentido e eles acham que a terapia est funcionando, fazem observaes como: "Agora estamos indo para algum lugar." Embora, na sua maioria, os pacientes no tenham uma idia clara de para onde querem ir, eles desejam chegar a algum lugar o mais rpido possvel. Derek era um homem muito motivado quando iniciou a terapia. Estava genuinamente interessado em melhorar. Percebi logo que ele imaginava os seres humanos separados em crculos. Havia o crculo dos mentalmente saudveis e o dos emocionalmente doentes, onde ele se via. Queria que eu lhe dissesse o que estava fazendo de errado para corrigir seu comportamento e poder entrar no crculo dos saudveis. Estava menos interessado em se conhecer e tomar conscincia de seus mecanismos inconscientes do que em receber conselhos sobre como proceder. Como todos ns, Derek  um produto da sua cultura. Ao comear a terapia, perguntou: "Quanto tempo voc acha que isso vai levar?" Quando as pessoas me perguntam isso, sinto que vou ter dificuldades. Normalmente respondo com a metfora da academia. Quando paramos de nos exercitar? Todo mundo parece entender a necessidade de fazer atividades para manter a forma. O exerccio emocional  na verdade a mesma coisa. A meta no  terminar, mas fortalecer-se com um treinador que  o psicoterapeuta. A necessidade de nos exercitarmos fsica ou emocionalmente nunca acaba, mas em algum ponto quase todos ns deixamos de precisar que o treinador permanea ao nosso lado o tempo todo. Derek parou de se sentir empacado na terapia e na sua vida quando deixou de encarar a sade mental como algo a ser conquistado para integrar o crculo dos saudveis. Ele comeou a se sentir melhor quando passou a ver a sade mental como um modo de se aproximar dos outros. Est mais interessado na maneira como se relaciona com aqueles que j fazem parte da sua vida. Agora Derek raramente me pergunta o que acho que ele deve fazer, porque no acredita mais que haja uma resposta certa para essa pergunta. Jesus ensinava que o pecado  qualquer coisa que nos separe de Deus e dos outros. Esta  a mensagem que ele queria transmitir na parbola do filho prdigo. Se estamos avanando em direo a Deus e aos outros, estamos nos movendo em uma direo espiritual. Se nos afastamos, estamos nos movendo ao contrrio.  por

este motivo que o pai na parbola quis dar uma festa apenas por ver o filho fazendo um movimento em sua direo. Uma das verdades espirituais da psicoterapia  que a meta no  chegar, mas fazer um movimento. O sucesso na terapia no consiste em alcanar o interior do crculo da sade mental; consiste na capacidade de fazer um movimento em direo s outras pessoas. Os pacientes que compreendem isso aproveitam melhor a terapia e conseguem entender por que o pai do filho prdigo deu uma festa para comemorar o movimento de volta. PRINCPIO ESPIRITUAL: Pecado  afastar-se de Deus e dos outros.

O PAPEL DO ARREPENDIMENTO NA TERAPIA "Arrependei vos e acreditai nas boas novas!" Marcos 1:15 O Dr. Smith veio fazer terapia por causa de um ultimato da esposa. Ele era um cirurgio bem-sucedido, mas um fracasso como marido. Sua mulher vivia se queixando dele e via a terapia como uma oportunidade de mudar as coisas. Ele me procurou porque se sentia mal em seu relacionamento com ela e no sabia mais o que fazer. Os cirurgies precisam ser muito precisos no seu trabalho. O Dr. Smith era enrgico com sua equipe de enfermagem por uma tima razo: as pessoas podiam morrer se eles cometessem erros. Infelizmente, a mesma preciso e nvel de exigncia que faziam dele um profissional de sucesso estavam prejudicando o seu casamento. O Dr. Smith sentia-se mal porque a mulher era infeliz no casamento, mas considerava as queixas dela ilgicas e no acreditava que fossem causadas pelo relacionamento dos dois. Ele era fiel, proporcionava uma vida confortvel  famlia e estava sempre atento s necessidades dos filhos. Considerava-se uma pessoa aberta para mudar de opinio a respeito de qualquer coisa que estivesse aborrecendo a mulher, desde que ela conseguisse lhe mostrar onde o pensamento dele estava errado. A verdadeira terapia do Dr. Smith s comeou muito tempo depois da nossa primeira sesso, quando j fazia vrios meses que vinha regularmente ao meu consultrio. Durante uma determinada sesso, quando discutamos as queixas que a mulher tinha dele, o Dr. Smith explodiu, frustrado, dizendo o seguinte: - Por que ela no me deixa em paz? Ser que terei que passar o resto da minha vida com algum pegando no meu p? - No sei - respondi. -Voc sempre teve algum na vida pegando no seu p? - Sempre - ele respondeu sem graa. - Nada que eu fazia era bastante bom para o meu pai, e agora eu tenho que agentar a mesma droga da parte da minha mulher. Por que todo mundo acha que eu tenho que ser perfeito? De repente o Dr. Smith compreendeu. Trabalhar com rigor e preciso fazia dele um melhor cirurgio na clnica, mas em casa ele precisava agir de modo diferente. Na verdade, ele no estava investindo na felicidade de seu casamento; estava apenas tentando evitar que lhe "pegassem no p". Estava usando a mesma estratgia que aprendera quando criana para evitar as crticas do pai. O Dr. Smith comeou a se

perguntar se alguma vez fazia algo porque efetivamente queria faz-lo. Talvez tudo o que fizesse fosse apenas para evitar que os outros o censurassem, ficassem desapontados, ou at mesmo morressem. Ele no estava procurando a felicidade; estava constantemente evitando o oposto dela - uma tarefa interminvel. O Dr. Smith decidiu que no queria continuar a viver baseado na mxima "Quero fazer tudo para evitar a crtica dos outros". Ele precisava de um novo lema. Queria fazer as coisas por realmente desejar faz-las. No entanto, para saber o que queremos, precisamos saber o que sentimos. O Dr. Smith passou a ter um novo motivo para fazer terapia. Ele no vinha mais s sesses para descobrir como evitar que a mulher fosse infeliz com ele e sim para tentar compreender como ele mesmo poderia ser feliz. Parou de tentar modificar a mulher e comeou a investir na prpria mudana. Este  o papel do arrependimento na terapia. Curiosamente, a mulher do Dr. Smith j no se queixa tanto dele. Quanto mais ele toma contato com seus prprios sentimentos, mais fala a respeito deles com a mulher, o que cria intimidade entre o casal. Na verdade, o que ela mais queria era saber como ele se sentia a respeito da vida dos dois. Quase todas as pessoas acham que arrepender-se significa sentir-se mal quando procedem errado. O arrependimento para elas  uma autopunio ou um sentimento de culpa que merecemos por fazer o que no deveramos ter feito. Jesus no via o arrependimento dessa maneira. Embora o filho indisciplinado na parbola do filho prdigo sinta-se mal e insista em afirmar que pecou contra o pai, Jesus mostra que o pai no se prende a esses sentimentos de culpa e alegra-se apenas por uma coisa: o filho mudou de idia e voltou para casa. De acordo com Jesus, o ato de arrependimento do filho no aconteceu quando ele implorou o perdo do pai e sim quando decidiu mudar de vida e voltar para casa. O que fez diferena foi o fato de ele ter mudado de idia e de atitude. A palavra grega para "arrependimento" na Bblia  metanoia, que significa "mudar de idia".  estar percorrendo um caminho em uma direo e decidir inverter o rumo e seguir por um caminho totalmente novo. Jesus falava sobre o arrependimento neste sentido. Ele no queria fazer as pessoas se sentirem mal a respeito de si mesmas; ele queria ajud-las a mudar.  a mesma coisa que os terapeutas procuram fazer quando os pacientes os procuram. O arrependimento desempenha o mesmo papel na psicoterapia.  preciso perceber a necessidade de mudar para que a terapia funcione. Para crescer tanto espiritual quanto psicologicamente temos de modificar a nossa maneira de pensar e de agir. PRINCPIO ESPIRITUAL: As pessoas sbias esto sempre preparadas para mudar de idia e de atitude; as tolas, jamais.

A VERDADEIRA CULPA VERSUS A FALSA CULPA "Ele conscientizar o mundo do pecado..." Joo 16:8 Muitas pessoas acham que o consultrio de um psicoterapeuta  o lugar aonde podem ir para atenuar sua culpa. Elas acreditam que a culpa  neurtica e que os terapeutas so especialmente treinados para ajud-las a livrar-se dela. Chip vinha para as sesses com o mesmo entusiasmo e carisma que dedicava a todas as reas da sua vida. Era eloqente, motivado e bem-sucedido em tudo o que fazia. Embora Chip me garantisse que amava a mulher, ele me confessou que tivera um caso extraconjugal. A mulher ficou furiosa quando descobriu e insistiu para que ele fosse fazer terapia para tentar se compreender. Chip estava genuinamente perturbado com a possibilidade do seu casamento fracassar. Ele detestava o fracasso. Embora Chip tivesse deixado bem claro tanto para mim quanto para a mulher que estava se sentindo muito mal com o que fizera e que desejava que o seu casamento desse certo, tive dificuldade em ajud-lo. Eu no compreendia bem a razo de seu mal-estar. Finalmente descobri que Chip de fato estava se sentindo culpado no com relao ao que havia feito, mas por ter sido apanhado. O tipo de culpa que Chip sentia no se baseava no remorso que experimentamos quando magoamos algum que amamos, mas no medo das conseqncias por ter cometido um erro e estragado as coisas. Na verdade, o que Chip estava sentindo era uma falsa culpa.  difcil tratar a falsa culpa na psicoterapia, porque as coisas no so como parecem ser. Chip no conseguia admitir para si mesmo o verdadeiro motivo da sua culpa. Se conseguisse, ele admitiria que no acreditava que os homens fossem capazes de ser monogmicos e que "pular a cerca" de vez em quando era admissvel. Mas no podia aceitar essas idias porque sabia o que a mulher pensaria a respeito delas e tinha medo das conseqncias. Chip deixou a terapia alguns meses depois, sentindo-se muito melhor. Informou a mim e  mulher que aprendera muitas coisas a respeito de si mesmo. Mas no fundo Chip nunca concordou comigo sobre a razo dos seus sentimentos de culpa. Ele costumava me dizer: "No  ficar sentindo-se mal a respeito do passado.  aproveitar ao mximo o que se tem hoje. Minha mulher simplesmente vai ter que superar o problema e voltar a confiar em mim." Parece que Chip conseguiu evitar o divrcio, mas duvido que a mulher dele tenha voltado a sentir-se segura no casamento. Embora as coisas tenham parecido melhorar, tanto Chip quanto a mulher continuaram a viver com a sensao de que algo no estava bem resolvido. Embora Jesus tenha dito que no veio ao mundo para condenar (Jo 3:17), ele acreditava que h momentos em que devemos nos sentir culpados. A partir da perspectiva dele, nem toda culpa  m.3 Jesus acreditava em dois tipos de culpa. O que os psiclogos chamam de verdadeira culpa, ele chamava de culpa baseada no amor. O que chamamos de falsa culpa, segundo ele, era a culpa fundamentada no medo. A verdadeira culpa  o remorso que sentimos quando magoamos aqueles que amamos; ela nos faz ter vontade de corrigir as coisas no nosso relacionamento com os outros. A falsa culpa  o medo da punio que est mais ligada  necessidade de nos protegermos depois que fazemos algo errado.

A falsa culpa raramente beneficia o nosso relacionamento com os outros. Na verdade, ela em geral nos prejudica e nos torna pessoas de convivncia mais difcil. Sentimos a verdadeira culpa quando nossos relacionamentos so importantes para ns e nos sentimos motivados a curar as feridas provocadas por nosso comportamento.  esse o tipo de culpa que Jesus queria que sentssemos. PRINCPIO ESPIRITUAL: A culpa motivada pelo amor cura a mgoa; a culpa baseada no medo s faz escond-la.

SE AS PESSOAS FOSSEM PERFEITAS, POR ACASO ALGUM PECARIA? "Sede perfeitos, portanto, como o Pai celeste  perfeito." Mateus 5:48 Melissa tira notas excelentes na escola, seus professores a adoram e ela  super organizada. Todo mundo tem a impresso de que Melissa  a criana perfeita. Mas as aparncias superficiais podem ser enganadoras. Melissa  muito autoritria e intolerante com seus colegas. As outras crianas a chamam de mandona. Na verdade, Melissa prefere a companhia dos adultos. Ela  sempre elogiada por causa da sua inteligncia e equilbrio. O que a maioria das pessoas no percebe  que o fato de Melissa parecer precoce para a sua idade  na verdade uma necessidade de exercer o controle e ser aceita, o que encobre problemas mais profundos. Melissa no  a criana perfeita porque gosta de ser assim; ela  perfeccionista porque precisa ser desse jeito. Vrias crianas com problemas de auto-estima passam pelo sistema educacional sem serem notadas, porque nunca causam problemas. As crianas barulhentas e indisciplinadas  que so identificadas como problemticas, ao passo que as excessivamente perfeccionistas sentam-se em silncio nas carteiras e passam despercebidas. No entanto, a inflexibilidade pode ser indcio de baixa auto-estima tanto quanto o comportamento rebelde que visa chamar a ateno. O perfeccionismo  apenas uma maneira socialmente mais aceitvel de lidar com a baixa valorizao. Parecer perfeito nunca foi sinal de sade mental. Bem ao contrrio. Ter a coragem de ser imperfeito indica muito mais uma auto-estima saudvel do que fingir ser impecvel. As crianas como Melissa s vezes se esforam intensamente para serem especiais porque tm medo de no serem amadas se no fizerem isso. Se as crianas no se sentem amadas pelo que so, elas aceitam a ateno que recebem pelo que se esforam para fazer. A questo no  saber se o comportamento delas  ou no perfeito e sim a motivao que as leva a ter esse comportamento. Ocasionalmente deparo com versculos na Bblia que me deixam perturbado. Um deles  este: "Sede perfeitos, portanto, como o Pai celeste  perfeito." Esta frase d a impresso de que Jesus estava estabelecendo para os seus seguidores um padro ridiculamente alto que, se no fosse alcanado, poderia fazer com que eles se sentissem maus e inadequados. No decorrer dos sculos muitas pessoas con-

fundiram o perfeccionismo moral com a retido espiritual e definiram a espiritualidade em funo do nmero de coisas das quais se abstinham, como fumar, beber e praguejar. Mas s vezes so exatamente as pessoas que se empenham em parecer perfeitas as mais culpadas de pecado. A palavra grega traduzida como "perfeito" nessa passagem tambm pode ser traduzida por "maduro". Quando soube disso, eu me senti muito melhor. Sei que jamais serei perfeito, mas acredito que posso continuar a crescer. Ter maturidade significa reconhecer que vamos continuar a pecar, mas seremos capazes de rever nossas aes e corrigi-las. Fingir ser impecvel  na verdade um sinal de imaturidade. Jesus no definiu a maturidade espiritual como a ausncia de imperfeies e sim como presena da fora. Eis como interpreto os ensinamentos de Jesus: no nos sentimos mais amados porque somos perfeitos; desejamos ficar mais maduros porque nos sentimos amados. PRINCPIO ESPIRITUAL: O perfeccionismo  uma mscara e no uma meta.

O PECADO  UM PROBLEMA PESSOAL "Se o teu irmo pecar contra ti, repreende-o, e se ele se arrepender, perdoa-o." Lucas 17:3 Jesus dizia que pecar significava cometer um erro.4 Mas ele estava mais interessado nos relacionamentos destrudos por causa dessas falhas do que nos erros propriamente ditos. Por isso ele perdoava as pessoas com facilidade. Para ele, o relacionamento, e no o erro, era o problema principal. Laila e Kerry eram amigas e trocavam confidncias a respeito da sua vida pessoal. Laila achava bvio que as confidncias ficassem entre as duas, por isso ficou indignada quando soube que Kerry tinha contado a uma amiga comum os detalhes de uma experincia que ela lhe confiara. A inteno no fora de trair a amiga, mas Laila concluiu que no podia mais confiar em Kerry e passou a falar mal dela, como se estivesse tentando pagar na mesma moeda. A relao entre as duas ficou insustentvel. Por mais que os outros amigos tentassem reaproxim-las, foi em vo. Ningum na verdade sabia por que elas se detestavam tanto, mas estava claro que esta era a realidade. Laila e Kerry continuaram a alimentar a desavena porque estavam fazendo a pergunta errada. A questo no era "Quem comeou a briga?" e sim "Quem est fazendo com que a briga continue?". Kerry tinha cometido um erro. Laila tinha o direito de estar magoada e zangada. Mas para Jesus a questo ligada ao pecado no  o que foi feito no passado, mas as providncias que podem ser tomadas hoje para resolver o problema. Laila e Kerry mantiveram o pecado ativo porque ambas estavam mais preocupadas em se proteger do que em corrigir o ressentimento existente entre elas.

" inevitvel que haja escndalos", disse Jesus, "portanto, tende cuidado" (Lucas 17:1-3). A seguir, ele prossegue: "Se o teu irmo pecar contra ti, repreende-o, e se ele se arrepender, perdoa-o." Ele estava primordialmente interessado em restaurar os relacionamentos pessoais. Jesus freqentemente adotava a perspectiva psicolgica de no encarar o pecado como um problema que existe dentro das pessoas e sim entre as pessoas. PRINCPIO ESPIRITUAL: s vezes o pecado  um problema que existe entre as pessoas e no dentro delas.

A SALVAO E A PSICOTERAPIA "Porque este filho estava morto e voltou  vida, estava perdido e foi encontrado." Lucas 15:24 --Acho que meu radar est quebrado - declarou Sarah na nossa primeira sesso. --Radar? - perguntei. --Isso mesmo,  como eu chamo o mecanismo que me faz escolher os homens. Voc pode dar um jeito nisso? - perguntou ela. Sarah queria se entender, o que me deixou contente, pois esta atitude favorece os resultados da terapia. Mas no era positivo ela achar que tinha algum tipo de defeito. Descobri que o fato de uma pessoa estar convicta de que tem um defeito  mais pernicioso do que a deficincia que possa vir a ser descoberta.  medida que a nossa terapia progredia, fiquei sabendo que os pais de Sarah tinham se divorciado quando ela estava na escola primria, e que a sua me precisou arranjar um emprego para poder sustentar as filhas. Sarah buscara nos colegas de escola a ateno de que necessitava, pois seus pais no estavam mais disponveis para isso. Quando Sarah chegou ao segundo grau, o seu relacionamento com os meninos havia se tornado predominantemente sexual, e este era o preo que ela pagava para ter a sensao de estar prxima de algum. Sarah passou a acreditar que a nica maneira de obter o que queria era dar em troca o que os outros queriam. Esse tipo de amor condicional fez com que Sarah sentisse que era capaz de conseguir ateno pelo que fazia, mas no saber se poderia obter amor por ser quem era. Percebi que durante um certo tempo Sarah imaginou que iramos ter um relacionamento sexual. Depois, ela passou a achar que eu s a estava atendendo por causa do dinheiro que ela me pagava, mas que secretamente eu a considerava repulsiva devido s suas atividades sexuais do passado. No entanto, depois de passar muitas horas descrevendo coisas horrveis sobre si mesma e revelando me os aspectos mais negativos e inaceitveis da sua vida, Sarah comeou a achar que talvez fosse possvel que uma outra pessoa, mais especificamente um homem, se interessasse por ela por outra razo alm do que pudesse obter em troca. Sarah estava redescobrindo o seu verdadeiro eu, a parte dela que desejava ter um relacionamento com outra pessoa pelo que era e no pelo que fazia.

As coisas que Sarah tinha feito para conseguir amor no eram prova de um defeito de personalidade; eram tentativas de encontrar o amor perdido. Sarah no compreendia como sua histria explicava seu modo de ser. A sua promiscuidade sexual era apenas um resultado lamentvel de uma necessidade insatisfeita. Quando Sarah descobriu a menina que continuava intacta dentro dela, ansiando pelo amor do pai, sua vida comeou a fazer mais sentido. Ela no era defeituosa; apenas no se sentia amada. Aos poucos Sarah foi entrando em contato com quem verdadeiramente era. Sarah no precisa continuar a agir com se houvesse algo errado com ela. O problema no era com ela e sim com o que ela precisara e no recebera. Sarah est comeando a acreditar que tem algo valioso a oferecer. No  de causar surpresa que ela tambm esteja atraindo um tipo de homem diferente. Jesus ensinou que o pecado acontece quando quebramos o relacionamento e que a salvao ocorre quando o restabelecemos. Na parbola do filho prdigo, Jesus mostrava que a salvao envolve o reencontro com o nosso verdadeiro eu. A psicoterapia funciona porque segue o padro que Jesus descreve para o processo da salvao. Os bons relacionamentos nos curam. No podemos ser psicologicamente saudveis se no nos relacionarmos de um modo saudvel com ns mesmos e com os outros. Os seres humanos foram criados desta maneira, ou seja, precisamos estar ligados aos outros para sermos completos. A psicoterapia  o processo de ajudar pessoas que esto perdidas a se reencontrarem. Ao estabelecer relacionamentos saudveis com os outros, podemos reconduzi-los ao caminho da sade psicolgica. PRINCPIO ESPIRITUAL: Uma alma perdida  encontrada e no consertada.

CAPTULO 5

Entendendo a religio

Certa ocasio, andava Jesus pelos campos de trigo em um dia de Sab. Com fome, seus discpulos comearam a arrancar espigas e a com-las. Vendo isso, os fariseus lhe disseram: "Olha! Teus discpulos fazem o que no  permitido fazer no Sab." Ele, porm, lhes disse: "No lestes o que fez Davi quando teve fome, ele e os que o acompanhavam? Como entrou na casa de Deus e comeu os pes sagrados? Ora, nem a ele, nem aos que estavam com ele era permitido comer os pes reservados apenas aos sacerdotes. Ou no lestes na Lei que, no Sab, os sacerdotes em servio no Templo violam o Sab sem se fazerem culpados? Pois eu vos digo: quem est aqui  maior do que o Templo. Se compreendsseis o que significa: quero misericrdia e no sacrifcios, no condenareis os inocentes. Porque o Filho do Homem  Senhor do Sab." Mateus 12:1-8 Jesus acreditava que a religio tinha sido feita para as pessoas, e no as pessoas para a religio. Embora tivesse violado a lei judaica ao fazer o que fez no dia santo do Sab, Jesus o fez assim mesmo. Jesus disse coisas como: " lcito fazer o bem ou o mal no Sab? Salvar uma vida ou matar?" (Marcos 3:4). Freqentemente ele enfrentava aqueles cuja maneira de pensar se tornara rgida e que haviam perdido de vista o objetivo da religio.  medida que amadurecemos, comeamos a perceber que as regras existem como diretrizes para facilitar o relacionamento entre as pessoas. Jesus colocou a prtica espiritual da misericrdia acima da do sacrifcio, o que se assemelha bastante ao que os psiclogos dizem a respeito da evoluo moral.1 A misericrdia sempre leva em conta a outra pessoa; o sacrifcio pode s vezes ser apenas para ns mesmos.

RITUAIS RELIGIOSOS "Fazei isto para vos lembrardes de mim." I Corntios 11:24 Katherine e Brandon procuraram o aconselhamento conjugal para melhorar o casamento. Eles sabiam que se amavam e tinham orgulho da maneira como os filhos estavam crescendo, mas achavam que as coisas poderiam ser melhores entre eles. Katherine vinha de uma famlia que costumava se expressar emocionalmente e estava acostumada a demonstraes de afeto e de raiva. A famlia de Brandon era muito mais reservada. Para ele, o que falamos tem pouco valor; o que conta so as nossas aes. Katherine freqentemente tentava fazer com que Brandon expressasse seus sentimentos para que ela pudesse sentir-se amada. Brandon, porm, achava que a melhor forma de demonstrar amor era atravs de seus atos.

- s vezes eu preciso saber como voc se sente - insistia Katherine. - Eu me casei com voc, no casei? - Brandon respondia. - Por que voc acha que fiz isso? Durante a terapia, descobrimos um ritual interessante para ajudar o casamento de Katherine e Brandon. Se ele queria demonstrar seus sentimentos atravs das aes, precisava agir de uma maneira que tivesse significado para Katherine. Ele sabia quando ela estava triste, mas com freqncia no tinha a menor idia do que fazer para ajud-la. Conversando, descobrimos o ritual do abrao carinhoso. O abrao no tinha a inteno de transmitir um desejo sexual ou evitar uma conversa; o objetivo era simplesmente enviar para Katherine a mensagem de que Brandon a amava. Depois de um tempo, Katherine e Brandon disseram que o abrao carinhoso se tornara um importante ritual capaz de ajud-los a atravessar momentos difceis. s vezes eles no sabiam como exprimir por meio de palavras o que estavam sentindo, e era nessas ocasies que o abrao conseguia expressar a ligao significativa que ambos desejavam. Assim como a inteno de Jesus era que os rituais fossem usados para que nos lembrssemos de Deus, ns tambm podemos utiliz-los para manter vivo na mente o amor que sentimos uns pelos outros. O ritual  uma ao concreta que simboliza uma realidade espiritual. Jesus acreditava que os rituais religiosos eram positivos quando usados para nos lembrar que temos um relacionamento com Deus e com os outros, mesmo nos momentos em que isso  difcil. Temos tendncia ao esquecimento e muitas vezes realizamos os rituais de forma puramente mecnica, esvaziando os do contedo. Jesus sabia que todos temos momentos em que precisamos de algo palpvel que nos faa lembrar o valor dos nossos relacionamentos. s vezes precisamos de demonstraes fsicas de que o amor existe, e os rituais concretos podem exercer essa funo. Os rituais religiosos podem ser positivos, desde que nos lembremos do seu objetivo. PRINCPIO ESPIRITUAL: Os rituais nos ajudam a lembrar o amor.

AS COISAS FICAM MAIS CINZAS A MEDIDA QUE CRESCEMOS "Com muitas parbolas como esta, Jesus anunciava-lhes a palavra segundo podiam entender". Marcos 4:33 Os pais de Jonathan se divorciaram quando ele era pequeno, e o menino passou a ver o pai apenas nos fins de semana. Ele se lembra de ficar sentando do lado de fora, na casa da me, esperando que o pai viesse busc-lo. Sempre sofria quando o pai se atrasava. A me dificultava as coisas ao fazer comentrios como: "Bem, acho que o seu pai tem coisas mais importantes para fazer do que estar com o prprio filho." Jonathan detestava a sensao de sentir que no era importante para o pai. Na sua mente de criana, a equao era muito simples: "Se ele me amasse, estaria aqui na hora combinada."

Hoje em dia, Jonathan insiste em ser pontual. Ele faz o possvel para no se atrasar e espera que as outras pessoas o respeitem da mesma maneira. Jonathan passou a acreditar que o atraso encerra um nico significado na vida: de que a pessoa atrasada no tem considerao pela outra. A exatido de Jonathan com relao ao tempo estendeu-se para outras questes na sua vida. O fato de as pessoas serem precisas a respeito dos fatos, de sempre dizerem a verdade e manterem as promessas que fazem (por mais insignificantes que sejam) indica se elas o consideram importante ou no. Jonathan j rompeu amizades devido a incidentes que envolveram qualquer falha nessas reas. Ele exige preciso dos seus amigos, porque esta  a nica maneira que ele tem de saber se eles do valor a ele. Infelizmente, Jonathan no compreendeu que respeitar o tempo do outro, dizer a verdade e manter as promessas so apenas smbolos, e no a prova do quanto valorizamos as outras pessoas. Existem muitas razes pelas quais podemos deixar de ser precisos com o nosso tempo, palavras ou aes. Devido ao que sofreu na infncia, porm, Jonathan  rgido nessas questes. Por isso perdeu vrios relacionamentos e continua a ficar desnecessariamente magoado por interpretar a pontualidade como smbolo de desprezo e desrespeito. Jonathan coloca em atos concretos um significado que eles no tm necessariamente. A inteno de Jesus era que o simbolismo dos gestos e atitudes fosse uma coisa positiva, capaz de melhorar os relacionamentos, e no que pudesse ser usado para destru-los. Jesus acreditava que o simbolismo religioso era til para pessoas de todos os nveis de educao e inteligncia. Ele sempre falava por meio de parbolas para que as pessoas pudessem entender o significado dos seus ensinamentos. Fornecer s pessoas imagens concretas com as quais elas pudessem se identificar as ajudava a compreender princpios espirituais mais abstratos. Jesus era um exmio contador de histrias porque conhecia o poder do simbolismo na comunicao das idias. A pessoa espiritualizada est em constante desenvolvimento. Coisas que foram um dia vistas em "preto e branco" adquirem "nuanas de cinza"  medida que vamos crescendo. Jesus instituiu rituais religiosos para que nos lembrssemos dele e no porque os rituais tivessem a capacidade mgica de nos tornar poderosos. Algumas pessoas fazem os gestos e repetem as palavras dos rituais sem perceber o sentido que eles encerram. Seguir regras e executar rituais sem entender que eles se destinam a favorecer o relacionamento com Deus e com as outras pessoas  praticar uma religio vazia que no favorece o crescimento espiritual. PRINCPIO ESPIRITUAL: Os rituais favorecem o amor; eles no o substituem.

POR QUE FREUD ODIAVA O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO "Eles estavam fatigados e desamparados, como ovelhas sem pastor." Mateus 9:36 Dylan me procurou porque o seu casamento estava desmoronando. Era simptico e gostava de conversar, mas no entendia o que estava acontecendo. Ele se via como um sujeito divertido que simplesmente tinha se casado com uma mulher muito rgida com relao a vrias coisas, especialmente ao seu hbito de beber. "Eu apenas fiz a escolha errada", era a sua explicao para os problemas do seu casamento. Aps vrias sesses e muito incentivo e pesquisa da minha parte, Dylan e eu fizemos uma importante descoberta. Ao beber, ele no estava apenas procurando se divertir; ele se empenhava profundamente em no se sentir mal. O lcool era uma espcie de anestsico que ele usava para evitar, sempre que possvel, os sentimentos dolorosos. Levou bastante tempo para Dylan concluir por si mesmo que era alcolatra. No decorrer do ano seguinte, Dylan transformou-se. Comeou a freqentar reunies dos Alcolicos Annimos, parou de beber e tornou-se bastante religioso. Ele no se interessava por religio desde os poucos anos que passara na escola paroquial, mas algo tinha mudado para ele. Dylan conseguiu admitir que era impotente para tomar certas atitudes na vida, e que, assim como precisara da ajuda de outros, precisava da ajuda de Deus. Ele tornou-se capaz de falar sobre as suas inadequaes, abrirse para emoes que sempre desconhecera e confiar nas outras pessoas pela primeira vez na vida. O fato de Dylan compreender que estava desamparado e que precisava da ajuda de outros e de Deus modificou a sua vida. Ele sente que Deus literalmente salvou a sua vida e no tem vergonha de dizer que a religio fez dele um homem mais autntico. Freud odiava a religio. No creio que seja necessrio abordar aqui a criao religiosa de Freud e o que fez com que ele tivesse tanta raiva da religio. Para Freud, ela era uma iluso que as pessoas usavam para defender-se do sentimento de que estavam desamparadas no mundo.2 Segundo essa perspectiva, as pessoas vivem de forma superficial, escondendo-se atrs de rituais e regras religiosas, em vez de enfrentar significados e sentimentos mais profundos. Algumas pessoas de fato fazem isso, principalmente os fundamentalistas religiosos. Mas na vida de Dylan a religio estava tendo o efeito oposto do que Freud imaginaria. Jesus discordaria da opinio de Freud a respeito da religio. Para ele, reconhecer a nossa impotncia era um sinal de maturidade espiritual, e pedir a ajuda de Deus e dos outros era a melhor coisa a ser feita. A religio no foi feita para ser uma defesa contra a sensao de desamparo; ela  uma resposta positiva a este sentimento que nos abre a um relacionamento com algum capaz de nos ajudar quando precisamos. Para Jesus, todos vivemos sensaes de desamparo e todos necessitamos de Deus. PRINCPIO ESPIRITUAL: A sade comea com o reconhecimento de que no somos Deus.

POR QUE JESUS ODIAVA O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO "Ai de vs, escribas e fariseus hipcritas!" Mateus 23:27 Embora Jesus certamente fosse discordar das concluses de Freud a respeito de religio em geral, ele concordaria com a crtica especfica aos fundamentalistas religiosos. Jesus detestava o uso distorcido da religio e a via como uma estrutura que torna mais fcil o relacionamento com Deus, e no como um conjunto rgido de regras que fazem as pessoas se sentirem bem ou mal. O casamento de Noah e Rachel estava abalado. Noah tivera uma nica relao extraconjugal, mas se sentia pssimo e tentava entender como aquilo podia ter acontecido com ele e com seu casamento. Embora s tivesse acontecido uma vez, ele sentiu necessidade de confessar a Rachel o ocorrido e pedir perdo. Ela ficou furiosa. Na condio de crist extremamente fervorosa, Rachel considerou aquele ato inaceitvel. Noah cometera o nico pecado que lhe dava uma justificativa bblica para o divrcio, e ela pretendia "obedecer  Palavra de Deus". Noah estava arrependido, mas ao mesmo tempo confuso. Ele achava que a sua traio no tinha sido apenas o resultado de uma fraqueza, mas tambm um sinal de que alguma coisa estava errada em seu casamento. Rachel encarava essa atitude do marido como prova de que ele no fundo no estava arrependido e o ameaou com o divrcio. O aconselhamento conjugai foi difcil porque Rachel se convencera de que era a vtima inocente de um ato pecaminoso de imoralidade, enquanto que Noah queria mais entender por que aquilo tinha acontecido. Rachel tornara-se grande conhecedora dos versculos bblicos sobre a infidelidade e os votos do casamento e os usava abundantemente em nossas sesses. --Se voc passasse mais tempo refletindo sobre a Palavra de Deus, no seria vtima dessas coisas - era o que Rachel oferecia como soluo. --Teria sabido que o seu corpo no pertence a voc. Noah baixava os olhos, sem saber o que responder. Embora Noah e Rachel tenham decidido permanecer juntos, o aconselhamento conjugai terminou de uma maneira um tanto insatisfatria para todos ns. Para Noah, duas questes permaneceram pendentes: o perdo de que ele precisava por ter pecado contra a mulher e os problemas de relacionamento que o tinham feito procurar sexo fora do casamento. Em vez de procurar examinar os problemas 94 O maior psiclogo que j existiu do relacionamento, Rachel acusava o marido de m vontade em assumir a responsabilidade pelos pecados da carne. Ele pecara contra ela, e ela esperava que ele passasse o resto da vida tentando redimir-se. Ela tinha o direito bblico de deix-lo quando quisesse e, se resolvesse fazer isso, exerceria o seu direito com uma justificada indignao. Jesus considerava a infidelidade um pecado nocivo para os relacionamentos. Mas ele queria que a Sagrada Escritura fosse usada para beneficiar o nosso relacionamento com Deus e com as outras pessoas e no para nos dar poder sobre elas. As pessoas s vezes acreditam que as escrituras contm provas de que elas esto certas, quando na verdade esto espiritualmente erradas. Rachel usava a religio como uma defesa para no examinar a maneira como ela prpria contribura

para os problemas do casamento. No  este o objetivo da religio. Este  o tipo de fundamentalismo religioso que torna as regras mais importantes do que as pessoas e no contribui em nada para o crescimento espiritual. Quando as regras passam a ser mais importantes do que os indivduos que as seguem, a religio pode tornar-se nociva. Jesus considerava ofensivo as pessoas pegarem as Escrituras, que tm o potencial de uni-las a Deus e aos outros, e as usarem para exercer poder. Para Jesus, a religio deveria produzir compaixo e conexo e no arrogncia e autoritarismo. PRINCPIO ESPIRITUAL: A verdadeira religio fortalece a compaixo e a ligao com Deus e os outros.

O PROBLEMA COM A RELIGIO "Quero misericrdia e no sacrifcios." Mateus 12:7 A Sra. Johnson  uma assistente social que supervisiona casos de abuso infantil e leva o seu trabalho muito a srio. O nmero de casos sob sua responsabilidade  maior do que o dos seus colegas, e ela trabalha mais horas porque tem a necessidade obsessiva de prestar ateno aos detalhes. Embora a Sra. Johnson no seja uma pessoa religiosa, sua dedicao ao trabalho  religiosa. Hannah, que foi recentemente contratada para trabalhar com a Sra. Johnson, tambm  assistente social e est ansiosa para crescer na carreira. Ela no se concentra tanto nos detalhes como a Sra. Johnson, mas sente que escolheu a profisso certa devido ao seu amor pelas crianas. Hannah  idealista e espera que o seu otimismo seja til para enfrentar desafios mais difceis. Ela tem uma grande paixo pela sua atividade profissional com as crianas. Infelizmente, a Sra. Johnson no gosta nem das idias nem da abordagem de Hannah. Ela acha que precisa defender o campo da assistncia social de pessoas sonhadoras como Hannah que do mais valor  relao amorosa com as crianas do que ao trabalho rduo para proteg-las, cuidando obsessivamente dos menores detalhes operacionais. "A nica maneira de nos tornarmos bons assistentes sociais  passar mais tempo no campo de batalha e prestar ateno aos detalhes", costuma dizer a Sra. Johnson. Com o passar do tempo, as coisas se tornaram cada vez mais difceis. A Sra. Johnson repreendia Hannah sempre que esta cometia um erro ao arquivar documentos, constantemente criticava as decises dela nos casos administrativos e nunca perdia a oportunidade de corrigi-la em relao  poltica do departamento. Hannah finalmente deixou o emprego sentindo-se desanimada e oprimida. "Acho que no fui feita para este tipo de trabalho", disse ela no seu ltimo dia. "A atitude de vocs diante da vida  diferente da minha." O trgico  que Hannah poderia ter se tornado uma boa assistente social caso tivesse recebido um estmulo suficiente. Mas como nunca seria uma profissional do feitio da Sra. Johnson, foi rejeitada. A Sra. Johnson sacrificava-se muito, mas lamentavelmente seu sacrifcio decorria mais da rgida necessidade de seguir as

regras do que da compaixo pelos outros. As pessoas podem ter uma rigidez religiosa com relao a muitas coisas na vida; no caso da Sra. Johnson, tratava-se do trabalho. Jesus ensinou que a rigidez das pessoas sempre causa vtimas. Neste caso, Hannah foi a prejudicada. No decorrer da histria, muitas pessoas se engajaram em vrias formas de sacrifcio como parte da prtica religiosa. Abrir mo dos desejos pessoais em benefcio dos outros pode ser um sinal de verdadeira compaixo quando motivado pelo amor. No entanto, o sacrifcio desprovido de amor  uma religio vazia. Jesus acreditava que a religio destituda de amor  sinnimo de religio vazia.  por isso que ele desejava "misericrdia" em vez de sacrifcios. A adeso rgida a prticas religiosas que perdem de vista o propsito original de desenvolvermos uma relao de amor com os outros  uma religio negativa. Jesus amava a religio, mas odiava a rigidez. O problema no  a religio e sim a sua prtica inflexvel que priva as pessoas do que elas tm de melhor. PRINCPIO ESPIRITUAL:O problema no  a religio e sim a rigidez religiosa.

O PROPSITO DA RELIGIO "Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmo e ento volta para apresentar a tua oferenda." Mateus 5:24 H muitos anos, um amigo chamado Vern convidou-me para ir com ele visitar uma priso municipal para conversar com os presos e descobrir um lado da vida que eu no conhecia. Meu amigo fazia isso regularmente. Cheguei ao presdio antes de Vern e os delegados me contaram que muitas pessoas bem-intencionadas procuraram no decorrer dos anos oferecer apoio aos prisioneiros, mas a experincia demonstrara que esse amparo nunca era duradouro. Vern era a nica pessoa que provara ser capaz de se manter fiel a um trabalho que no foi feito para os fracos. Vern percorria as celas oferecendo a cada detento uma pequena Bblia e depois perguntava se ele gostaria de conversar a respeito de Deus. Quando o preso aceitava, Vern comeava a falar dos benefcios de um relacionamento com Deus de uma maneira que os presos eram capazes de entender. Lembro que fiquei chocado com a linguagem que ele usava, mas, quando olho para trs, percebo que era talvez a nica forma de se fazer ouvir. Nunca me esquecerei de Vern, com sua roupa esportiva fora de moda, falando com os prisioneiros em uma linguagem grosseira e inculta. Duvido que ele pudesse causar uma impresso positiva na maioria dos crculos religiosos, por causa de sua aparncia e do seu jeito, mas felizmente ele no se preocupava em se enquadrar em grupos tradicionais. A religio de Vern era o seu relacionamento com os prisioneiros, com os delegados e com Deus. Todos tinham por ele o maior respeito. Penso na minha experincia com Vern e sou grato pela oportunidade de ter conhecido um homem que vivia a sua f sem pertencer a nenhuma igreja especfica.

Jesus sabia que algumas pessoas usam a religio, mas que outras a vivem. Jesus condenava seu uso para alcanar uma posio social, oportunidades de apoio ou poder sobre os outros. Seu propsito  nos trazer vida. Estava evidente nos ensinamentos de Jesus que o amor e a reconciliao com os outros so mais importantes do qualquer ritual religioso. A prioridade dele era clara: "Vai primeiro reconciliar-te com o teu irmo." PRINCPIO ESPIRITUAL: A religio tem um nico propsito: ligar-nos amorosamente a Deus e aos outros.

O PROPSITO DAS REGRAS ESPIRITUAIS "No penseis que vim abolir a lei." Mateus 5:17 Os psiclogos que estudaram o desenvolvimento da moral humana chegaram a uma interessante concluso. Comeamos a vida com regras bastante concretas para lidar com as questes morais. Temos que seguir as regras.  medida que amadurecemos, compreendemos que as regras so diretrizes e no leis rgidas que devem ser obedecidas.  primeira vista essa afirmao pode dar a impresso de que estou dizendo que quanto mais as pessoas se desenvolvem moralmente, mais elas fazem apenas o que querem. No entanto, as pesquisas demonstraram que no mais elevado nvel de desenvolvimento moral ns, seres humanos, levamos em conta no apenas as nossas necessidades, mas tambm as dos outros. Na vida dos poucos que alcanaram os estgios superiores da evoluo moral podemos observar o que Jesus ensinou, ou seja, que as regras s existem para nos ajudar a amar. O casal Tompkins me telefonou porque estava tendo dificuldade em controlar a filha adolescente, Amanda. Era uma jovem excepcionalmente inteligente e tinha sido uma aluna exemplar na escola at dois anos antes. Agora ela fora reprovada na maioria das matrias, costumava matar aulas e tinha problemas por causa do seu comportamento. A criana-modelo transformara-se em pesadelo. O Sr. e a Sra. Tompkins eram pessoas extremamente amorosas e bondosas. Parecia injusto que a filha de pessoas como eles tivesse um comportamento to nocivo. Enquanto conversvamos a respeito do que estava acontecendo, descobri que eles podiam estar involuntariamente contribuindo para o problema. Ambos haviam sido criados por pais autoritrios cuja disciplina era muito rgida e punitiva. Para compensar essa falta de amor, resolveram exercer a disciplina na sua famlia de maneira bastante diferente daquela com que tinham sido criados. O casal estava tentando ser o mais carinhoso possvel com a filha, mas eles achavam que o amor no podia colocar limites. Agindo assim, pensavam estar respeitando a filha deixando-a fazer tudo o que quisesse. Achavam que ela s se sentiria amada se soubesse que eles confiavam na sua capacidade de julgamento. Mas o que no compreendiam era que, alm de respeito e confiana, o amor precisa colocar limites que dem segurana  criana.

Com a ajuda da terapia, os Tompkins foram capazes de estabelecer algumas regras no seu relacionamento com Amanda: tratar os outros com respeito, honrar o toque de recolher e cumprir compromissos como ir  escola e realizar tarefas que lhe fossem designadas. No incio, Amanda ficou furiosa com os pais. Mas com o tempo as coisas comearam a mudar. A freqncia de Amanda  escola melhorou, ela comeou a passar menos tempo na sala do diretor e a sua linguagem em casa tornou-se mais civilizada. No entanto, a mudana mais importante foi o fato de que em poucas semanas a jovem pareceu mais feliz. A famlia Tompkins descobriu a antiga verdade que Jesus pregou h muito tempo. Quando usadas da maneira apropriada, as regras existem para nos ajudar a exercer melhor o amor. Jesus ensinou que a forma mais elevada de desenvolvimento humano  amar os nossos semelhantes. Embora devamos aspirar a esse estado, no  fcil alcan-lo. Todas as religies contm um conjunto de regras ou rituais que so usados para estruturar as atividades religiosas dos participantes. As regras que Jesus praticava serviam para facilitar o amor aos outros. Para ele, os mandamentos de Deus existiam para ajudar os seres humanos a alcanar o seu estado mais elevado, desenvolvendo a capacidade de "amar uns aos outros". PRINCPIO ESPIRITUAL: Quando o amor  a lei, ns nos apoiamos nela para nos desenvolvermos.

CAPTULO 6

Entendendo o vcio

Um certo homem de posio perguntou-lhe: "Bom Mestre, o que devo fazer para ganhar a vida eterna?" Jesus respondeu: "Por que me chamas de bom? Ningum  bom a no ser Deus. Conheces os mandamentos: No cometers adultrio, no matars, no furtars, no dars falso testemunho, honra teu pai e tua me." "Tudo isso eu tenho observado desde que era menino", disse ele. Ouvindo isso, Jesus lhe disse: "Ainda te falta uma coisa: vende todas as coisas que tens, distribui o dinheiro aos pobres e ters um tesouro no cu; depois vem e segue-me'' Ao ouvir isso, o homem ficou triste, porque era muito rico. Vendo-o assim triste, Jesus disse: "Como  difcil para os que tm riquezas entrar no reino de Deus!  mais fcil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus." Lucas 18:18-25 Algumas pessoas tm dificuldade em relacionar-se com Deus, mas, como precisam ligar-se a alguma coisa, colocam objetos no lugar dele.  assim que Jesus definia a idolatria. Ele sabia que o homem rico precisava renunciar  sua venerao pela riqueza para poder abrir espao no corao para um relacionamento com Deus. Algumas pessoas tm dificuldade em relacionar-se com outras pessoas. Quando seus relacionamentos so ameaados ou perdidos, elas os substituem por objetos. Esta  a definio de vcio. O antigo problema da idolatria manifesta-se como o problema moderno do vcio. Como descobriu o homem rico, quando os relacionamentos so substitudos por objetos, renunciar a estes pode ser muito difcil. Apegar-se a um objeto para compensar a nossa necessidade de amor insatisfeita pode funcionar, mas temporariamente. A euforia que extramos da posse de certos objetos pode nos fazer esquecer que na verdade precisamos de algo mais profundo. No entanto, como o objeto  apenas um substituto do amor que trocamos nos relacionamentos, essa satisfao nunca  duradoura. Precisamos retornar repetidas vezes ao objeto para afastar os sentimentos de vazio e insatisfao. Segundo Jesus, o dolo  um substituto do amor porque  uma tentativa de colocar um objeto no lugar de um relacionamento amoroso. O vcio  um substituto do amor pela mesma razo. Lidar com as pessoas que no se sentem amadas e por isso se voltaram para o vcio pode ser til, mas somente durante algum tempo. Animar as pessoas que esto nessa situao tambm pode ser proveitoso, mas tambm  limitado. Apenas uma coisa  capaz de curar o vcio humano e expulsar a idolatria: o amor genuno. Os seres humanos s ficam satisfeitos quando experimentam o que  autntico.

O VCIO E A IDOLATRIA "Onde estiver o vosso tesouro, a estar tambm o vosso corao." Lucas 12:34 Tim era um empresrio inteligente e bem-sucedido que veio fazer terapia por insistncia da mulher. No havia problemas entre os dois, mas o casamento estava montono. Logo descobri que as queixas da mulher de Tim estavam relacionadas ao fato de o marido, apesar de presente fisicamente, ficar distante, bebendo uma quantidade de usque que o deixava sonolento e incapaz de conversar que j existiu sobre questes mais profundas. Ele se justificava dizendo que esta era a sua maneira de relaxar e lidar com o estresse. Ela reclamava acusando-o de estar encobrindo os seus sentimentos que ela queria muito conhecer. Sugeri a Tim que parasse de beber enquanto estivesse fazendo terapia para que o casal pudesse lidar com tudo o que estivesse sentindo. Ele concordou, mas s conseguiu cumprir o combinado durante alguns dias. Quando os seus sentimentos atingiam um ponto no qual ele se via ameaado de ser obrigado a conviver com eles, Tim no conseguia resistir e voltava a beber. Como acontece com freqncia em casos desse tipo, a terapia conjugal tambm comeou a ficar montona. Se as pessoas no conseguem expor seus verdadeiros sentimentos, nem mesmo a melhor terapia  capaz de produzir resultados. O ponto crtico aconteceu quando eu disse a Tim que no achava que a terapia iria poder ajud-lo enquanto ele continuasse a beber. Infelizmente, apesar de perceber que estava destruindo seu relacionamento comigo e com a mulher, Tim no conseguiu parar. Sugeri que fosse a uma reunio dos Alcolicos Annimos, mas ele se recusou. Em vez de lidar com os seus sentimentos, Tim voltou-se para o usque. Embora nunca fosse capaz de admiti-lo, a bebida passara a ocupar um lugar to importante na sua vida que psicologicamente havia se tornado um vcio e espiritualmente se transformara no seu Deus. No sei como as coisas transcorreram depois para Tim, porque ele encerrou a terapia antes de conseguir mudar. Como o homem rico na parbola de Jesus, ele simplesmente foi embora. Podemos escolher entre as "coisas" e os relacionamentos. Quando elegemos as "coisas", submetemos a nossa vida a deuses que nos escravizam em vez de nos libertar. Jesus no tinha uma palavra para vcio, mas ele compreendia que, quando criamos "deuses" que exigem a nossa ateno a ponto de destruirmos os nossos relacionamentos com outras pessoas, certamente estamos com graves problemas. A palavra que ele usava para isso era idolatria. Jesus disse algo ao homem rico: "Vende todas as coisas que tens, distribui o dinheiro aos pobres." Jesus desejava que o homem percebesse que as suas "coisas" ocupavam o centro do seu interesse. O homem tinha substitudo um relacionamento genuno com Deus por "coisas". Ele se viciara nos seus dolos. PRINCPIO ESPIRITUAL: Nenhum substituto do amor perdura.

O PROBLEMA COM AS DROGAS " mais fcil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus." Lucas 18:25 O motivo pelo qual as pessoas no conseguem abandonar os seus vcios  o fato de eles funcionarem -- temporariamente. Voltar-se para algo que produz repetidamente uma espcie de conforto d s pessoas uma falsa sensao de segurana. Elas conseguem afastar a dor de no conseguirem satisfazer as suas necessidades mais profundas. Os relacionamentos so desafiantes e trabalhosos porque nos fazem exigncias. As coisas concretas so sempre as mesmas; sabemos o que esperar delas. No entanto, a satisfao proveniente do uso de coisas materiais como substitutos no  duradoura. A dor das necessidades essenciais acaba reaparecendo, e por isso voltamos  soluo mais fcil, apesar de descobrirmos aos poucos que ela no  suficiente. Passamos ento a precisar de uma quantidade cada vez maior, embora algo dentro de ns saiba que no  dela que realmente precisamos.  por isso que o vcio  chamado de doena progressiva. Joguei futebol no colgio com Ricardo. Era uma pessoa extremamente gentil e educada fora do campo e excepcionalmente violenta e agressiva dentro dele, como se a sua personalidade se transformasse quando vestia o uniforme. Eu sabia que ele vinha de um ambiente familiar no qual sofria abuso e que tinha muitas coisas dolorosas para encobrir na vida. Hoje, ao olhar para trs, acho que sei de onde vinha toda a violncia que ele despejava sobre os jogadores do time adversrio. Ricardo era altamente considerado por todos. Os rapazes o respeitavam devido  reputao que ele conquistara no campo de futebol, e todas as meninas o admiravam por causa do seu jeito sofisticado. Sabamos que Ricardo fumava maconha, mas no dvamos muita importncia ao fato porque ele parecia estar sempre no controle da situao. Quando tnhamos dificuldades, Ricardo era a pessoa que encontrava uma sada. Todo mundo queria ser seu amigo. Vrios anos depois de me formar fui visitar a minha cidade natal. A perspectiva de ver Ricardo me deixava animado e eu esperava com prazer o nosso encontro. Tragicamente, eu no poderia ter ficado mais desapontado. Tudo indicava que Ricardo passara a fazer uso mais intenso das drogas e voltara-se para substncias mais pesadas. s dez da manh ele no conseguia permanecer alerta o suficiente para manter uma conversa. Sua mente divagava enquanto conversvamos, e o que ele falava freqentemente no fazia muito sentido. Disse que no estava trabalhando naquele momento e tive a impresso de que estava tendo dificuldade em conseguir um emprego fixo. O rapaz que eu tanto admirara deixara de existir. Sa do nosso encontro sentindo-me muito triste. A tragdia na vida de Ricardo era que ele estava tentando lidar com os traumas dolorosos usando drogas. O uso das drogas ajudou-o a enfrentar as dificuldades durante a adolescncia, possibilitando que fosse um dos rapazes mais populares da escola. No entanto, ser capaz de enfrentar problemas no  o mesmo que resolvlos. Os demnios acabavam voltando e ele precisava de uma estratgia mais eficiente para enfrent-los porque a antiga droga no estava mais funcionando. Ricardo apelava para uma substncia material procurando lidar com sentimentos

que s podiam ser examinados e resolvidos nos relacionamentos com outras pessoas. Tal como o homem rico que foi incapaz de renunciar ao apego  riqueza material, Ricardo estava dominado pelo vcio devido  euforia que as drogas lhe proporcionavam. Quando a euforia diminua, Ricardo voltava ao altar do seu vcio em busca de outro adiamento temporrio da sua dor. Tal como Jesus previu,  muito difcil desistir de qualquer tipo de idolatria. Jesus sabia que, quando passamos a nos apoiar em coisas materiais para nos sentirmos seguros,  muito difcil desistir delas. Foi isso que ele quis transmitir quando disse que " mais fcil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus". Ele no estava falando a respeito de dinheiro e sim de idolatria.  fcil viciarmos-nos em coisas materiais e acreditar que elas podem substituir as nossas necessidades emocionais. Quando nos viciamos nelas,  muito difcil larg-las. PRINCPIO ESPIRITUAL: O problema das drogas  que elas nos fazem sentir melhor - apenas temporariamente.

AS DROGAS NO PODEM NOS AJUDAR A CRESCER "Esforai-vos no pelo alimento que se estraga e sim pelo alimento que permanece at  vida eterna"! Joo 6:27 Ashley  uma mulher incrvel. Alm de ser uma advogada de sucesso,  pianista clssica e est em melhor forma fsica do que mulheres bem mais jovens do que ela.  capaz de fazer quase tudo. A meta de Ashley  ter xito em qualquer coisa que faa, e na maior parte das vezes  exatamente isso o que acontece. Procurou a terapia porque queria uma opinio profissional sobre como lidar com a ansiedade que sentia. --Voc faz hipnose? - perguntou na nossa primeira sesso. --No - respondi. --Achei que poderamos chegar l mais rpido - retrucou ela. --Chegar aonde? - perguntei. --Ao ponto em que eu no me sinta mais ansiosa,  claro - ela respondeu surpresa. Embora a vida de Ashley fosse complexa, o que ela buscava na terapia era bastante simples: definir uma meta e alcan-la o mais rpido possvel. Esta estratgia tinha dado certo em outras reas da sua vida, de modo que ela esperava tambm poder aplic-la  terapia. Rapidamente pude perceber que Ashley e eu tnhamos objetivos conflitantes. O dela era contratar-me para ajud-la a se livrar de emoes perturbadoras. O meu era ajud-la a compreender a si mesma para ento lidar com essas emoes. Ela estava tentando livrar-se dos seus sentimentos, e eu estava procurando fazer com que ela entrasse em contato com eles. Tnhamos nas mos um problema. Ashley era viciada no sucesso. Precisava ser sempre a melhor, possuir as coisas mais atualizadas e saber mais do que todo mundo. Ela acreditava que Deus queria o

seu sucesso. O problema era que Ashley tinha criado um Deus  sua prpria imagem e acreditava na euforia que os seus cones de sucesso lhe proporcionavam. O fato de Ashley cultivar o sucesso estava conseguindo fazer com que ela no se sentisse mal com relao  sua vida. Ashley tinha tudo o que queria, mas como estava indo apenas atrs de "coisas" o benefcio que recebia era limitado. Sempre que comeava a sentir-se ansiosa, ela saa para fazer compras ou planejava uma viagem. Se em algum momento ela se perguntava sobre o significado da vida, pensava na sua realizao profissional. O sucesso de Ashley era um grande antdoto para qualquer sentimento doloroso. Embora Ashley estivesse a cada ano fazendo um nmero cada vez maior de conquistas, descobrimos uma coisa interessante na terapia: ela continuava basicamente a mesma pessoa. Os seus objetivos eram os mesmos, apenas maiores. Os seus desejos eram os mesmos, somente menos satisfatrios. No nvel material, a cada ano Ashley alcanava mais sucesso, mas no nvel espiritual e emocional era como se vivesse repetidamente o mesmo ano. Ashley no precisava de uma nova droga para se sentir melhor; ela necessitava de um novo Deus. Ashley e eu acabamos descobrindo que a sua ansiedade estava lhe dizendo uma coisa. Ela gostava do sucesso, mas no era realmente feliz. Precisava entregar a sua vida a algo que lhe retribusse  altura. O sucesso  um Deus egosta - quando o veneramos, ele nos empobrece espiritualmente. Ele nos ajudar a colecionar dolos, mas no nos ajudar a sermos pessoas melhores. Na verdade, o fracasso  mais eficaz neste sentido. Ashley chegou  concluso de que, embora o seu portflio estivesse crescendo, ela no estava. Precisava ouvir os seus sentimentos e no se livrar deles. Os deuses de Ashley esto mudando. O seu conceito de crescimento est comeando a ter menos a ver com o sucesso profissional e mais com a qualidade dos seus amigos. Ashley j no tem tanta pressa porque a perspectiva de tempo do seu novo Deus  diferente. O surpreendente  que, apesar de no estar fazendo tantas coisas quanto antes, ela sente que est vivendo uma vida mais completa. Jesus constantemente orientava as pessoas para as coisas eternas. Ele sabia que a nossa atrao pela gratificao instantnea resulta em uma satisfao temporria e em uma insatisfao crnica. Ele sabia que a euforia da idolatria  apenas um antdoto para a dor e o desapontamento na nossa vida. O sofrimento pra, mas apenas temporariamente. Esse tipo de antdoto neutraliza os sintomas, mas no cura. Jesus nunca encorajou as pessoas a evitar o sofrimento na vida, porque ele no estava interessado em um alvio rpido. Ele no queria que as pessoas apenas se sentissem melhor, mas que elas efetivamente melhorassem. A idolatria pode momentaneamente evitar a dor, mas impede tambm o crescimento. Enquanto nos preocupamos com os dolos, permanecemos imaturos. A idolatria ajuda as pessoas a evitar as coisas, ao passo que o crescimento s acontece quando as enfrentamos.

PRINCPIO ESPIRITUAL: Os viciados veneram um Deus egosta.

O VCIO RELIGIOSO "Se a vossa justia no for maior do que a dos escribas e fariseus, no entrareis no reino dos cus." Mateus 5:20 Ryan freqenta regularmente a igreja, oferece-se como voluntrio e est sempre ansioso para discutir religio. Ele tem numerosas imagens e smbolos religiosos no seu apartamento e no carro, gosta de citar a Bblia para reforar o que esteja querendo provar, mas desconfia das pessoas que fazem o mesmo quando elas discordam da sua interpretao. Ryan  muito rgido a respeito de como as pessoas devem se tornar crists. Ele tem idias muito firmes sobre como elas devem falar, o que devem ler, que tipos de divertimento so aceitveis e como devem pensar a respeito dos assuntos sociais. Embora ele afirme ter entregue a Deus o controle da sua vida, quase todo mundo o considera muito controlador. Infelizmente, Ryan no deseja relacionamentos e sim discpulos. Ele precisa que os outros confirmem as suas convices religiosas aceitando-as incondicionalmente. Ele no est usando a sua religio com o objetivo de estabelecer uma conexo e sim de impor seus pontos de vista. Esta nunca foi a inteno de Jesus. Embora Ryan diga s pessoas que deseja que elas sigam Jesus, na verdade  a ele prprio que ele quer que sigam. Internamente, ele vive dvidas e angstias que tenta encobrir para si mesmo com seu fanatismo religioso. Um de seus amigos sugeriu certa vez que ele se consultasse com um terapeuta devido  dificuldade que estava tendo no relacionamento com a namorada. Mas Ryan desconfia da psicologia. Ele acredita que todos os problemas so resultado da falta de f e duvida que a terapia possa ajud-lo. A verdade  que Ryan no quer conversar com um terapeuta porque no deseja revelar suas dvidas, inseguranas e sentimentos de confuso interior. Ele gosta de se sentir forte e no controle da situao. O que Ryan no percebe  que a sua religio  uma forma de idolatria, porque est sendo usada para encobrir sentimentos dolorosos em vez de lig-lo a Deus e aos outros. Em vez de entender seus sentimentos, ele os dissimula com uma linguagem e com rituais religiosos. Ryan usa isso para se medicar contra a dor e o sofrimento, que  o oposto do que Jesus fazia. Ryan tornou-se viciado em controle, e a religio passou a ser a sua droga predileta para garantir a sensao de poder. Provavelmente ser necessrio que acontea uma crise na vida de Ryan para fazer com que ele reexamine a sua religio e possa us-la para favorecer o seu relacionamento com Deus. Para Jesus, a religio e a idolatria eram absolutamente diferentes. Os fariseus e os escribas eram pessoas sinceramente religiosas que no se consideravam idolatras, porque adoravam a Deus. Mas Jesus advertiu que no devemos usar a religio para parecer ntegros, escondendo dentro de ns os nossos verdadeiros sentimentos. Para ele, a integridade baseada nos relacionamentos era muito mais importante do que a integridade fundamentada em dogmas. Aquilo que Jesus descrevia como idolatria eu vejo hoje no meu consultrio como vcio. Para Jesus, o propsito da religio era favorecer o relacionamento com Deus e com os outros e no substitu-lo. s vezes as pessoas usam a religio para se sentirem

melhor, exatamente como os viciados com as drogas. No caso da idolatria, as leis e os rituais religiosos se tornam a "droga," proporcionando s pessoas  iluso de serem melhores do que realmente so. PRINCPIO ESPIRITUAL: A religio  um caminho e no um destino.

A TERAPIA PODE SER UM VCIO? "Confiai em Deus." Joo 14:1 Nem todo mundo que procura a terapia realmente deseja lidar com os seus verdadeiros sentimentos. O objetivo de algumas pessoas  simplesmente fazer com que seus problemas desapaream, sem de fato procurar entend-los. Quando a terapia  usada desta forma, ela corre o risco de se tornar uma espcie de droga viciadora. A tentativa de evitar sentimentos difceis conduz ao vcio, no a genuna expresso deles. Julia foi criada em uma cidade conservadora do Meio-Oeste onde aprendeu a importncia de uma boa tica de trabalho junto com valores religiosos tradicionais. Ela  conscienciosa a respeito de tudo o que faz e sempre mantm a palavra quando assume um compromisso. Seu relacionamento com a me foi horrvel, e ela tem dificuldades em relacionar-se com o marido, mas recusa-se a admitir que a me e o marido tenham qualquer parcela de culpa na infelicidade da sua vida. "Isso so guas passadas", disse quando fiz perguntas sobre a sua infncia. "Sou a nica responsvel pelos problemas na minha vida, ningum mais  culpado." Apesar de sentir-se mal, Julia no consegue imaginar como poderia modificar sua vida. Julia era excessivamente responsvel. Ela se culpava por tudo o que estava errado na sua vida. No procurou a terapia para entender seus sentimentos, pois achava que j os entendia. Ela acreditava que estava errada e apenas queria que eu lhe dissesse como se comportar para melhorar a situao. Havia muitas coisas que Julia precisava entender a respeito de si mesma, mas era difcil convenc-la disso. Por exemplo, ela se sentia culpada com relao ao seu relacionamento com a me e o marido, assim como a respeito de muitas coisas na sua vida, e culpava-se como um tipo inconsciente de autopunio. Infelizmente, Julia estava querendo usar a terapia para eliminar esses sentimentos em vez de traz-los  tona. A terapia  extremamente til para as pessoas que chegam  concluso de que no tm respostas para seus problemas e desejam entend-los. Julia estava convencida de que fazer perguntas sobre os seus sentimentos ou o seu passado era uma perda de tempo. "Muito bem, eu me sinto triste a respeito disso", disse ela quando descobrimos seus sentimentos de dor com relao ao seu casamento. "Ento o que  que eu posso fazer de diferente?" Ela se preocupava em mudar seu comportamento, sem perceber que suas atitudes provinham de sentimentos que

precisavam ser examinados. Ela estava convencida de que concentrar-se nos sentimentos s iria piorar as coisas. A terapia de Julia comeou a funcionar melhor quando ela finalmente foi capaz de abrir-se aos seus sentimentos mais profundos e acreditar que este procedimento a ajudaria a crescer. Embora no pudesse perceb-lo, ela estava antes tentando usar a terapia como um vcio. No entanto, a terapia usada para evitar os sentimentos dolorosos no ajuda as pessoas a mudar. Alm disso, como Julia descobriu, tampouco as ajuda a confiar mais nos relacionamentos, inclusive no relacionamento com Deus. Julia comeou a sentir-se diferente a respeito da sua vida quando parou de tentar fazer com que eu lhe dissesse o que fazer e comeou a procurar descobrir como se sentia com relao ao que j tinha feito. Ela percebeu que os seus sentimentos de culpa faziam com que ela se criticasse demais e comeou a compreender a diferena entre autocondenao e responsabilidade. Passou a usar a terapia para descobrir como usar os sentimentos de uma maneira construtiva nos seus relacionamentos com os outros. Quando a terapia tornou-se um recurso capaz de ajudla a ser mais consciente, o relacionamento dela com a me, com o marido e com Deus melhorou muito. Jesus acreditava que precisamos confiar em Deus. Para ele, Deus era a fonte suprema de fora e poder para viver a vida. Algumas pessoas religiosas criticam a terapia acreditando que ela nos afasta de Deus. Em geral, quem acha isso tem pouca experincia com a terapia ou tentou us-la como vcio. Descobri que, pelo contrrio, as pessoas que se tornam mais maduras e conscientes atravs da terapia conseguem aprofundar a sua confiana em Deus e nos outros com muito mais liberdade. Para Jesus, no havia conflito entre confiar em Deus e depender dos outros. Ele dependia dos amigos mais chegados e os estimulava a depender dele de uma maneira que fortalecia a confiana deles em Deus. A nossa capacidade de contar com os outros compartilhando os nossos sentimentos mais ntimos aprofunda a nossa capacidade de ter f. PRINCPIO ESPIRITUAL: A terapia  um processo de dependncia saudvel.

TER NECESSIDADES NO FAZ DE NS PESSOAS CARENTES "Confiai tambm em mim." Joo 14:1 "Eu gostaria de trabalhar a minha auto-estima", anunciou Grace na nossa primeira sesso. "Sei que pode ser difcil, mas a maioria das pessoas no me compreende. Espero que voc possa me ajudar." Grace fizera terapia antes e acreditava que tinha progredido muito, mas ainda se sentia mal a respeito de si mesma e queria tentar melhorar este sentimento. Era muito insegura na presena de outras pessoas e no tinha muitos amigos.

Freqentava algumas reunies de grupo na sua igreja, mas nunca tinha feito amizade com ningum. Grace se via como uma pessoa desajustada que queria desesperadamente pertencer a algum grupo. Se algum lhe dava ateno, ela se agarrava a essa pessoa como se este fosse o nico contato humano que iria obter. Grace detestava ser to carente, mas no conseguia mudar. No incio, Grace telefonava para mim com relativa assiduidade entre as consultas por causa de alguma crise sobre a qual queria conversar. Aumentamos a freqncia das sesses, o que ajudou, mas Grace ainda se via envolvida em estados emocionais com os quais no conseguia lidar. Ela precisava telefonar-me para pedir ajuda. Grace no queria admitir, mas estava com medo de ter me transformado em um dolo e de ser uma pessoa fraca demais para lidar com as dificuldades sem a minha ajuda. Era como se fosse viciada no nosso relacionamento, precisando de "doses" regulares de minha ajuda para conseguir atravessar a maioria dos dias. Com o tempo, Grace e eu viemos a perceber que o seu problema no era o fato de ela depender excessivamente de mim e sim de ela ter horror de depender de mim. Quando coisas desagradveis lhe aconteciam, ela dizia para si mesma que dessa vez no iria me telefonar, porque precisa lidar sozinha com os problemas. Essa situao acabava causando mais ansiedade, pois, alm de enfrentar o problema que a estava incomodando, ela ainda tinha que lidar com a vontade de no precisar de mim. O aumento da ansiedade fazia com que Grace sentisse uma necessidade ainda maior de falar comigo, vontade que procurava combater, e em pouco tempo ela se via dominada por um pnico insuportvel. Grace acabava sentindo-se como um viciado em drogas na fase de desintoxicao, precisando desesperadamente ouvir a minha voz para se acalmar. As coisas comearam a mudar quando ela parou de achar que era excessivamente carente e compreendeu que precisar de mim era uma parte normal do processo da terapia. Quando Grace aceitou o fato de que dependia de mim, ela ficou mais livre para lidar com os seus sentimentos durante a semana sem o peso da vergonha de ter necessidade de falar comigo a respeito deles. Seus telefonemas diminuram, porque ela j no se criticava tanto por querer me telefonar. Na maioria das vezes, passou simplesmente a ligar para a minha caixa postal e deixar uma mensagem, sem precisar que eu ligasse de volta. O simples fato de saber que podia contar comigo j era suficiente. Como Grace no estava mais se sentindo to mal por precisar de mim, deixou de alimentar sentimentos muito negativos com relao a si mesma. Afinal de contas, talvez ela no fosse uma pessoa to fraca, mas apenas uma mulher que de vez em quando tinha sentimentos intensos e queria ter a certeza de que outra pessoa a entenderia. Apesar de ter demorado um pouco, Grace veio a compreender um aspecto fundamental da sua condio humana contra o qual estivera lutando. As pessoas so criaturas dependentes. Precisamos dos outros para sermos completos. Grace percebeu na sua prpria vida que Jesus pedia que confissemos nele, no porque fssemos fracos e carentes, mas porque esta  a nica maneira pela qual podemos crescer plenamente. Jesus encorajava as pessoas a confiarem nele e a contarem com ele. Ele no encarava a dependncia como um problema, mas como algo necessrio para uma vida espiritual realizada. Jesus compreendia que os seres humanos precisam depender de Deus e dos outros para sobreviver. Tentar ser totalmente independente significa rejeitar a nossa natureza fundamental. Para Jesus, a nossa capacidade de ser vulnerveis e acolher a nossa dependncia  que nos conduz  totalidade.

Aqueles que se recusam a ser dependentes esto apenas fingindo que tm tudo de que precisam. PRINCPIO ESPIRITUAL: Ter necessidades no nos torna carentes.

COMO ENCONTRAR A SERENIDADE "Comigo est o Pai que me enviou." Joo 8:16 Rudy era viciado na sua raiva. A carga de endorfina que acompanha uma exploso de raiva proporcionava-lhe uma sensao quase eufrica de poder e confiana para lidar com seus problemas. Sempre que Rudy se sentia inseguro ou ameaado, ele tinha  mo a droga que escolhera. Desta forma, nunca tomava contato com sua fraqueza ou insegurana, porque em qualquer circunstncia a raiva o fazia sentir-se instantaneamente forte e poderoso. Rudy cresceu com um pai distante e exigente. Provavelmente para compensar a ausncia emocional do pai, sua me o protegia excessivamente. Rudy sentia-se inseguro pelos dois lados: ele no se considerava  altura das expectativas do pai, e o excesso de proteo da me fazia com que ele no se achasse capaz de realizar as coisas por si mesmo. Ele tinha medo de experimentar coisas novas, embora fosse muito inteligente e capaz de descobrir como faz-las rapidamente. Rudy detestava ter medo, mas sentia-se atemorizado a maior parte do tempo. O chefe de Rudy insistiu que ele fosse fazer terapia porque a sua raiva estava atrapalhando o seu desempenho no trabalho. No gostava de conversar comigo sobre o seu passado e era difcil identificar exatamente o que estava sentindo a maior parte do tempo. Aos poucos fui percebendo que ele s manifestava duas emoes: raiva e apatia. Rudy vivia a maior parte do tempo quieto e insatisfeito com a vida. Era basicamente infeliz porque sentia como se estivesse vivendo abaixo do seu potencial. As nicas vezes em que Rudy se sentia realmente vivo era quando estava zangado. Sua raiva lhe dava a capacidade de concentrar-se e sentir paixo. Por isso a raiva se tornara um vcio com que ele procurava encobrir sentimentos de insegurana que o tornavam vulnervel e fragilizado. Esta sensao o deixava furioso de tal forma que, quando comeava a dar vazo  sua raiva, era quase impossvel acalm-lo. Passado o acesso, Rudy sentia-se pior por ter perdido o controle, o que o tornava ainda mais suscetvel de ficar magoado e de recomear todo o ciclo da raiva. Com o tempo, Rudy e eu viemos a entender que a sua insegurana era proveniente do fato de ele se sentir sozinho no mundo. Desde a infncia, ele achara que no contava com o interesse do pai e a confiana da me. Nunca houve ningum para quem ele pudesse se voltar em busca de uma ajuda genuna. Sem poder contar com ningum, Rudy tinha a impresso de que o peso do mundo estava sobre os seus ombros, o que parece uma tarefa grande demais para qualquer pessoa. Quem no se sentiria inseguro nesta situao? Pouco a pouco Rudy comeou a deixar que eu compartilhasse parte do seu fardo emocional.  medida que passou a confiar em mim, sentiu-se menos solitrio e

inseguro. Os seus acessos de raiva se tornaram menos freqentes porque ele j no ficava magoado tantas vezes e no precisava se medicar com a raiva. Rudy descobriu que tinha todo um leque de emoes sobre as quais podia falar, agora que havia algum com quem podia contar para ajud-lo a entender os seus sentimentos. Rudy precisava de uma pessoa ao lado de quem pudesse sentir-se em segurana. Quando permitiu que eu "substitusse" seus pais nesta condio, ele descobriu uma importante verdade a respeito da natureza humana.  uma verdade que Jesus ensinou: atingimos a verdadeira serenidade quando sabemos que podemos contar com algum que nos faz sentir seguros. Desenvolvemos a capacidade de nos acalmar ao sermos tranqilizados por aqueles que se preocupam conosco. Podem ser os outros, mas podemos ser ns mesmos quando nos fortalecemos emocionalmente. O motivo pelo qual muitas pessoas se voltam para os vcios  o fato de nunca terem tido no passado algum que as ajudasse a sentir-se seguras, desenvolvendo assim a capacidade de serenar a si mesmas. Elas usam o vcio para se acalmar artificialmente ou para evitar o medo. Jesus sabia como encontrar a serenidade: permanecendo ao lado de Deus. Todos estamos em busca de segurana e s podemos encontr-la se nos sentirmos protegidos dos perigos existentes na vida. Onde no universo poderamos encontrar um lugar mais seguro do que ao lado do nosso Criador? Jesus acreditava que s ento poderamos encontrar a paz de esprito. Para ele, aqueles que encontram a verdadeira serenidade nunca esto sozinhos. PRINCPIO ESPIRITUAL: As pessoas verdadeiramente serenas nunca esto sozinhas.

A CURA  O AMOR "Amai-vos uns aos outros como eu vos amei" Joo 15:12 Jordan  uma ex-viciada em cocana que participa de um programa de recuperao. "Tenho dois anos de abstinncia e acho que est na hora de examinar alguns dos meus problemas com a ajuda da terapia", declarou ela na nossa primeira sesso. Ela  uma mulher atraente que viveu intensamente num ritmo rpido. Seu antigo hbito de usar drogas estava associado a um estilo de vida extravagante que envolvia noitadas, viagens exticas e gastos elevados. Agora ela estava grata pela nova vida, mas sem dinheiro. "Todo aquele divertimento teve um preo, mas procuro achar que tudo isso foi necessrio para que eu chegasse onde estou hoje." Jordan tinha uma longa histria de relacionamentos intensos e superficiais com homens durante o tempo em que usou a droga. Agora ela estava tentando descobrir como fazer as coisas de um modo diferente. "Tudo era mais simples antes", explicou. "Nunca esperei realmente nada alm de bons momentos com aqueles caras, de modo que nunca fui ferida. Agora tudo  muito complicado." Jordan estava acostumada a se conectar atravs do sexo e das drogas - meios bem reais e concretos de lidar com os relacionamentos.

Jordan est tomando contato com inmeros outros sentimentos. Ela pensa com dor e vergonha nos dias em que usou as drogas por causa da maneira como se comportava nos relacionamentos. Chegou a procurar vrias pessoas e pedir desculpas por sua conduta. Ela se lembra que repetia "Eu te amo!" automaticamente para quase todo mundo que conhecia naquela poca, como se fosse uma espcie de saudao que pudesse lig-la instantaneamente aos outros. Agora ela no faz mais isso, no porque no goste das pessoas, mas porque est comeando a descobrir o que significa amar de uma maneira muito mais profunda. Hoje Jordan est tentando ligar-se s pessoas usando os sentimentos. Procura tambm ouvir os sentimentos dos outros e acolh-los com ateno. Ela no diz mais "Eu te amo!" para pessoas que conhece superficialmente, porque hoje acredita que o amor  resultado de um processo. Jordan tem amigos e os ama sem vincul-los a sexo ou drogas. Seus relacionamentos tendem a durar muito mais e a experincia de se sentir amada  magnfica e merece um investimento maior. Ela no est interessada em substitutos para o amor, agora que descobriu o que  ter o amor verdadeiro. Os viciados amam os dolos, mas estes no podem retribuir o amor. O vcio impede o amor de amadurecer. Quando as pessoas escolhem um objeto como substituto do amor, o amadurecimento delas  interrompido. Quando os viciados conseguem renunciar ao seu apego aos dolos e descobrem a alegria de se relacionar com pessoas capazes de am-las ficam maravilhados. Jesus ensinou que devemos amar e ser amados para amadurecer espiritualmente e que a idolatria do vcio impede que isso ocorra. Jesus acreditava que o amor  a fora mais poderosa do universo. Ele ensinou que Deus  amor e que o amor  a fora criativa que supera todos os problemas do mundo. O amor  o ponto central dos ensinamentos de Jesus e  o elemento essencial para a cura do corao humano. PRINCPIO ESPIRITUAL: O amor cura.

POR QUE DEUS ODEIA A IDOLATRIA "No acumuleis riquezas na terra, onde a traa e a ferrugem as corroem." Mateus 6:19 Presenciar o nascimento de um ser humano  um acontecimento poderoso. Eu s compreendi realmente isso quando assisti ao parto do meu filho Brendan. Minha mulher, Brbara, e eu planejamos esse evento durante muitos anos. Fizemos vrios cursos e lemos uma extensa literatura sobre o assunto. Eu no poderia estar mais preparado, e no entanto ainda no estava. Ter um filho no  uma coisa que podemos aprender com os outros;  algo que temos que experimentar pessoalmente para saber como . O parto de Brbara foi difcil. Aps 33 horas de contraes, chegamos  concluso de que a cabea de Brendan era grande demais e que ele teria de vir ao mundo por meio de uma cesariana. Foi uma experincia extenuante, mas tudo acabou bem.

Nunca me esquecerei do momento em que vi meu filho pela primeira vez. "Milagre" ainda  a minha palavra predileta para descrever a experincia. Quando segurei meu filho nos braos minutos depois do parto, embora estivesse fatigado e sob tenso, notei que alguma coisa estava acontecendo entre Brendan e eu quase instantaneamente. Havia um movimento mtuo na direo um do outro. Meu filho e eu estvamos comeando um relacionamento. Sei que no posso perguntar a Brendan o que ele sentiu durante o nosso primeiro encontro na sala de cirurgia, mas certamente conheo a experincia pela qual passei. Acredito que tive um vislumbre da imagem de Deus na Terra. Tive a sensao fortssima de estar vendo em algum que s tinha seis minutos de vida a capacidade inata de estabelecer um relacionamento que existe dentro de cada ser humano. A partir do nosso primeiro alento na vida, buscamos um relacionamento com algum fora de ns mesmos. Nascemos para nos relacionar, e este  o nosso aspecto divino. Aquele momento me marcou profundamente e nunca esquecerei como  poderoso ter um relacionamento de amor com o meu filho. Foi assim que fomos criados para ser e nenhum substituto para esse tipo de amor jamais poderia tomar o lugar dele. Jesus conhecia o ensinamento do Antigo Testamento: "No fars para ti dolos com a forma de qualquer coisa que exista em cima, nos cus..." (xodo 20:4.) Ele falou do cime de Deus, no no sentido da insegurana por medo de perder o seu valor para outra pessoa. Deus quer proteger o mundo do jeito como o criou e fica indignado diante das tentativas de alterar a ordem natural do universo. Jesus ensinou que a imagem visvel de Deus na Terra no  uma coisa ou um objeto e sim a capacidade criativa de se relacionar. Deus fica indignado com a idolatria porque ela  uma tentativa de substituir a capacidade divina amorosa dentro de ns por uma "coisa". Ele nos conferiu a capacidade essencial de nos relacionarmos uns com os outros e com ele. Por conseguinte, a imagem de Deus na Terra no  um objeto que um dia degenerar e ser destrudo, mas a capacidade eterna de se relacionar que transcende o tempo. PRINCPIO ESPIRITUAL: Amar os outros  a expresso visvel de Deus.

SEGUNDA PARTE

Conhecendo a si mesmo

CAPTULO 7 Conhecendo os seus sentimentos Naquele momento aproximaram-se de Jesus os discpulos e perguntaram: "Quem ser o maior no reino dos cus?" Jesus chamou uma criana, colocou-a no meio deles, e disse: "Em verdade vos digo, se no vos transformardes e no vos tornardes como crianas, no entrareis no reino dos cus. Pois aquele que se fizer humilde como esta criana ser o maior no reino dos cus." "E quem receber uma destas crianas em meu nome,  a mim que recebe. Mas quem fizer pecar um destes pequeninos que crem em mim, melhor seria para ele que lhe pendurassem uma pedra ao pescoo e o jogassem no fundo do mar." Mateus 18:1-6

Jesus ensinou que o que sentimos no corao determina quem somos. Ele falou em renascer, viver com f e ter um corao de criana. Ele queria que fssemos como crianas porque estas so inocentes, crdulas e abertas s suas emoes. As pessoas profundamente espiritualizadas tm conscincia de suas emoes. Jesus gostava de desafiar a maneira como as pessoas pensam. Para sermos grandes, disse ele, precisamos ser pequenos. Para sermos lderes, precisamos servir aos outros. Para sermos profundos pensadores, temos que ser capazes de sentir. Jesus ensinou que a identidade do ser humano  uma questo do corao. Jesus amou, sentiu raiva, experimentou o medo, chorou de tristeza e viveu com coragem. Ele sabia quem era e agia motivado pelo que sentia, mesmo que isso no fizesse um sentido lgico para os outros. Nossas emoes nos fazem conhecer quem somos e nos levam a fazer as coisas que fazemos. Jesus queria que conhecssemos a gama completa das nossas emoes.1 SEJA COMO AS CRIANAS, MAS NO SEJA INFANTIL "Se no vos transformardes e no vos tornardes como crianas..." Mateus 18:3 Algumas pessoas relutam em agir de forma emocional porque a consideram uma atitude infantil. No entanto, existe uma diferena entre ser infantil e ser como as crianas. Ser infantil  ser imaturo e recusar-se a assumir a plena responsabilidade pelas prprias aes. Ser como as crianas  assumir responsabilidade e ao mesmo tempo ser capaz de entregar-se s emoes. Jesus atribua uma grande importncia ao fato de sermos como as crianas. Ser infantil exige pouco esforo, mas  preciso fora para nos abrirmos s emoes como fazem as crianas. Jesus sempre teve uma noo muito clara dos limites e permaneceu consciente das conseqncias das suas aes, mas tinha coragem de

entregar-se s suas emoes. Isso fazia com que as pessoas se sentissem prximas dele, enquanto que o seu senso de responsabilidade confivel as fazia sentir-se seguras em sua presena. Harriet envolvera-se repetidas vezes em relacionamentos intensos e problemticos que nunca davam certo. Sempre que algum a desapontava, tinha exploses de raiva, embora j tivesse passado por inmeras sesses de terapia tentando entender seus problemas com a sensao de abandono. Durante as nossas sesses, Harriet tinha dificuldade em admitir sua parte de responsabilidade em seus problemas de relacionamento, mas acusava outras pessoas, culpando as por esses problemas. No incio, sempre que Harriet se considerava em estado de emergncia emocional, ela enviava mensagens para o meu Pager. Ficava furiosa com todo mundo, inclusive comigo, e sentia que tinha o direito de expressar a sua raiva praguejando, gritando e tendo acessos de fria. Nossas sesses com freqncia eram repletas desse tipo de exploso. Ela acreditava que os terapeutas tinham a obrigao de lidar com esses comportamentos, pois eram uma forma desesperada de fazer com que compreendessem a profundidade da sua dor. As exploses infantis no beneficiavam os relacionamentos de Harriet nem a ajudavam a lidar com os seus sentimentos. Ela estava convencida de que as outras pessoas no gostariam dela caso falasse a respeito do que sentia. No falava, mas explodia. Para prevenir a rejeio que imaginava, Harriet tinha um comportamento hostil. Ela se sentia melhor quando a rejeio vinha dela. Aos poucos Harriet foi percebendo que a sua expectativa de rejeio a impedia de receber o que precisava dos outros e comeou a mudar a maneira como expressava seus sentimentos. Em vez de violentas exploses que criavam o distanciamento, Harriet comeou a externar sentimentos de dor e vulnerabilidade, a falar sobre eles e a pedir ajuda, tal como faz uma criana confiante. Surpreendeu-se ao ser ouvida e acolhida. Harriet descobriu pela primeira vez na vida que quando revelava suas emoes com a sinceridade das crianas ela se tornava mais atraente. Suas tentativas corajosas de manifestar sua vulnerabilidade faziam as pessoas gostar mais dela, em vez rejeit-la, como ela sempre temera. O maior benefcio dessa mudana foi a transformao no modo como ela se sentia a respeito de si mesma. Harriet parou de recear ser rejeitada pelos outros e comeou a se considerar uma pessoa melhor. Esse era o tipo de atitude prpria das crianas a que Jesus estava se referindo. Ele recomendou que as pessoas "se tornassem como crianas" para serem mais abertas e confiantes. Por incrvel que parea, ter medo de manifestar a prpria vulnerabilidade  a forma mais poderosa de viver.

PRINCPIO ESPIRITUAL: Os atos infantis afastam, enquanto que as aes prprias das crianas atraem.

O PAPEL DOS SENTIMENTOS NO CRESCIMENTO "Deixai vir a mim as criancinhas." Lucas 18:16 Brittany, de sete anos, era uma menina difcil. Ficava freqentemente zangada e tinha um comportamento agressivo, o que dificultava muito o seu relacionamento com as outras crianas. Mordia, chutava e arranhava qualquer pessoa que a perturbasse, e seus acessos de raiva eram exaustivos para todo mundo, inclusive para ela. Alarmados e confusos com o comportamento da filha, seus pais procuraram ajuda profissional. Quando Paula viu Brittany pela primeira vez, soube que tinha um trabalho difcil pela frente. A menina, sentada no cho no meio do quarto, quebrava os seus brinquedos. Perguntar a Brittany por que ela estava sendo to destrutiva era intil, porque a menina no sabia. Estava externando sentimentos que tinha dentro de si, mas no conseguia expressar de outra maneira. Paula compreendeu isso. Era muito claro que Brittany estava zangada, mas era mais difcil perceber que a raiva encobria o medo. Paula sentiu que precisava acolher os sentimentos de Brittany de uma maneira que fizesse a menina sentir-se segura. Como Brittany se expressava mais fisicamente, Paula tinha que lidar com ela nesse nvel. Se Brittany gritava, Paula dizia: "Estou vendo que voc est muito zangada." Mas se Brittany queria arranhar ou morder, Paula a segurava com firmeza at que ela se acalmasse. Como a menina estava ao mesmo tempo zangada e com medo, Paula precisava respeitar essas emoes no relacionamento das duas. Ela queria ajudar Brittany a expressar todas as emoes, no apenas a raiva. Com o tempo, em decorrncia da terapia com Paula, Brittany mudou. Socialmente, ela ainda  um tanto inbil, mas deixou de ser to violenta quanto antes.  mais capaz agora de falar sobre seus sentimentos, de modo que tem menos necessidade de extern-los por meio de aes. Brittany aprendeu que pode expressar o seu medo e que ele pode ser bem recebido pelos outros, o que a faz sentir-se mais segura. Ela cresceu como pessoa porque consegue manifestar melhor suas emoes. A habilidade com que Paula acolheu os sentimentos de Brittany foi uma libertao para a menina. O relacionamento das duas  um exemplo do crescimento que pode acontecer quando acolhemos amorosamente todas as emoes que algum nos traz, exatamente como Jesus fazia. Jesus sempre recebeu bem as crianas. Ele conhecia a importncia de ser receptivo  abertura delas. Hoje sabemos que o crebro humano precisa experimentar a acolhida aos sentimentos para poder desenvolver-se adequadamente.2 Cada vez que uma criana  capaz de identificar um sentimento, como "Eu estou triste" ou "Eu estou feliz", ela desenvolve uma noo mais forte de quem  o "eu" que est tendo o sentimento. A criana aprende que  o seu "eu" que est tendo sentimentos tristes ou alegres e que eles no esto vindo de outra pessoa ou de outro lugar. Os pais que acolhem os sentimentos dos seus filhos esto na verdade ajudando-os a solidificar uma identidade que os conduzir atravs da vida. Ajudar as crianas, e tambm os adultos, a identificar os seus sentimentos os ajuda a crescer. O ardente desejo de Jesus de acolher as crianas  um modelo psicolgico para ns. Ao receber com alegria a espontaneidade emocional das crianas, ele estava

estimulando o crescimento delas. A sua capacidade de acolher tornou-se a marca registrada da sua presena benfica que era sentida por todos que o encontravam. PRINCPIO ESPIRITUAL: A identidade de uma criana forma-se mais no corao do que na cabea.

O PAPEL DOS SENTIMENTOS NA NOSSA CONEXO COM OS OUTROS "Felizes os puros de corao, pois vero a Deus." Mateus 5:8 (Living Bible) Jesus ensinou que as pessoas espiritualizadas relacionam-se de corao para corao. O entendimento emocional cria um vnculo. Ns nos sentimos aprovados quando os outros concordam intelectualmente conosco, e somos confortados quando eles nos protegem fisicamente, mas s nos sentimos ligados quando compartilhamos com eles experincias emocionais. Os puros de corao tm uma conexo especial com Deus no apenas porque so sinceros, mas tambm por causa da sua capacidade de saber claramente como se sentem. Sandra e Ben procuraram o aconselhamento matrimonial por causa de um dos problemas mais comuns que encontro hoje nos casamentos: a comunicao emocional deficiente. Antes do casamento, ambos eram profissionais de nvel superior com uma carreira de sucesso. Quando comearam a formar a famlia, decidiram de comum acordo que Sandra deixaria seu trabalho e ficaria em casa para cuidar das crianas. Eles estavam felizes com essa deciso, satisfeitos com o dinheiro que Ben trazia para a famlia e contentes com o desempenho dos filhos. O que no agentavam mais eram as brigas constantes entre eles. Sandra e Ben no conseguiam resolver as discusses porque no compreendiam a importncia das emoes. Tanto Sandra quanto Ben achavam que seriam capazes de negociar as divergncias no relacionamento seguindo as mesmas regras que haviam usado com sucesso nas respectivas carreiras. Infelizmente, as normas do trabalho no so iguais s regras do lar. No so os procedimentos que devem ser examinados, mas as razes que os provocam. A maneira como os parceiros falam um com o outro  to importante quanto o tema da conversa. Em casa, Sandra tentava conversar com Ben sobre uma preocupao que estava lhe causando um dos filhos. Ben dava uma interpretao superficial e sugeria que eles passassem a adotar uma mudana de comportamento. Esta resposta fazia Sandra se sentir menosprezada, reproduzindo uma sensao de sua infncia e adolescncia. Por isso, ela discordava do marido. A atitude dela, por sua vez, colocava Ben na defensiva, pois fazia-o lembrar das crticas constantes que recebera devido ao perfeccionismo do pai. Ele ento defendia com mais intensidade a sua posio. Essas discusses quase sempre terminavam da mesma maneira. Um dos dois levantava as mos desgostoso e dizia abruptamente: "Tudo bem! Ento faa como voc quiser!" e marchava com passos pesados para fora do quarto. Neste processo, o casamento ia se desgastando.

Finalmente Sandra e Ben chegaram  concluso de que dar a seu relacionamento um carter profissional no funcionava. Ser ntimos dos nossos colegas de trabalho no  importante; ser ntimos do nosso cnjuge . A meta no trabalho  desempenhar tarefas. O objetivo em casa, alm de desempenhar as tarefas domsticas,  sobretudo amar um ao outro, e a maneira de fazer isso  prestando ateno aos sentimentos mtuos. Sandra e Ben esto se sentindo melhor hoje com relao ao casamento porque reconhecem que as emoes presentes em cada conversa so to importantes quanto o seu contedo. Ben j no se sente mais to agredido pelas exigncias de Sandra porque chegou  concluso de que estas so completamente diferentes das de seu pai. Sandra agora faz um auto-exame antes de discordar automaticamente, porque no sente mais necessidade de se afirmar. Quando comea a sentir que Ben a est menosprezando, ela consegue dizer a ele como est se sentindo e falar dos sentimentos antigos que a atitude do marido faz vir  tona. Ben se desculpa dizendo que sua inteno no era depreci-la; ele est apenas ansioso para ajudar e s vezes se apressa em apresentar logo uma soluo por causa da presso que o pai exercia sobre ele. Sandra e Ben aprenderam uma importante verdade: a conexo entre as pessoas s  plenamente exercida quando a intimidade  vivida pela expresso clara dos sentimentos. Eles no eram capazes de experimentar a intimidade sem uma maior clareza no corao. Como Jesus previu,  preciso pureza de corao para construir um relacionamento feliz. Jesus nunca colocou o valor intelectual acima da pureza de corao. Ele sabia que as pessoas estabelecem contato atravs das emoes e que as nossas divergncias mais srias no so a respeito do que pensamos, mas o resultado de como fomos emocionalmente feridos. PRINCPIO ESPIRITUAL: A intimidade que vem de um corao puro  essencial no relacionamento de um casal.

O SEGREDO PARA SOBREVIVERO SOFRIMENTO "No se perturbe o vosso corao.Confiai em Deus; confiai tambm em mim." Joo 14:1 Jesus ensinou que a soluo para sobreviver ao sofrimento era permanecer ligado a Deus. Se permitirmos que Deus permanea conosco no sofrimento, por pior que este seja, podemos amadurecer e crescer durante os tempos difceis. Qualquer coisa  tolervel se no tivermos que suport-la sozinhos. Rica era uma das crianas mais baixas da sua turma no colgio. Era sempre o ltimo a ser escolhido para um time, e os meninos mais altos freqentemente caoavam dele. Ele tentava evitar situaes em que as outras crianas pudessem ter a oportunidade de zombar dele por ser to baixo, mas mesmo assim isso acontecia com freqncia.

Rick escapou de tornar-se uma pessoa amarga em parte devido ao seu relacionamento com Greg. Os dois formaram uma amizade especial que durou a vida inteira. Certa vez Rick passou por uma situao humilhante, quando um valento alto e forte o enfiou em uma lata de lixo apenas para se divertir. Sem dizer uma palavra, Greg, que estava ao lado de Rick, lanou para o amigo um olhar solidrio, como se dissesse: "Deixa pra l. Esse cara  um completo idiota." Era isso que Rick precisava, de que outra pessoa lhe desse apoio. A solidariedade de Greg tornava as coisas menos dolorosas. Rick conseguiu superar o trauma causado pelas zombarias porque sabia que Greg sempre iria entender como ele se sentia. Hoje sua vida  melhor porque ele teve algum com quem compartilhar os seus sentimentos durante os momentos difceis. Jesus queria que entendssemos que este  o segredo para sobreviver ao sofrimento. Algumas das pessoas mais sbias que conheo sofreram muito na vida, mas o mesmo posso dizer de algumas das pessoas mais amargas que encontrei. Jesus sabia que o sofrimento pode nos tornar melhores ou mais amargos. O prprio sofrimento dele era uma parte inevitvel da sua vida, e enfrent-lo foi fundamental para a sua misso na Terra. Jesus demonstrou com sua vida qual  a maneira de sobreviver ao sofrimento. Mesmo nos momentos mais difceis, Jesus nunca perdeu a sua ligao com Deus. Ele no tentou passar sozinho pelo sofrimento. E  isso o que ele nos ensina. PRINCPIO ESPIRITUAL: O sofrimento  tolervel se no tivermos que suport-lo sozinhos.

POR QUE O SOFRIMENTO SE TORNA TRAUMTICO "Se o demnio parte... ele volta e encontra o corao do homem limpo mas vazio! O demnio ento convoca outros sete espritos piores do que ele e todos entram no homem e nele se instalam. E a situao dele torna-se pior do que antes." Mateus 12:43 Algumas crianas que sofreram circunstncias extremamente difceis tornaram-se relativamente equilibradas, ao passo que outras que passaram por um sofrimento muito menor parecem psicologicamente mais prejudicadas. A explicao est na diferena entre dano psicolgico e trauma psicolgico. O dano psicolgico  aquele que sofremos quando somos atingidos emocionalmente. Isso acontece com todos ns. As pessoas que nos criaram podem deixar de satisfazer de maneira significativa algumas de nossas necessidades, e podemos tambm ser expostos a circunstncias cruis, ou agredidos por algum de um modo que nos magoe profundamente. O trauma psicolgico acontece quando ningum est presente para nos dar apoio e nos ajudar a compreender os danos que sofremos. Os danos psicolgicos podem causar traumas que nos deixam com a impresso de sermos fracos, incompetentes,

defeituosos e perseguidos. Um evento doloroso torna-se traumtico quando adquire um significado negativo a respeito de quem somos. Os eventos traumticos do passado podem transformar-se em demnios que nos perseguem a vida inteira. Ter a presena de uma pessoa que se mostre receptiva  nossa dor faz toda a diferena do mundo. Jesus sabia que precisamos da ajuda dos outros quando somos magoados para evitar que os demnios voltem a nos ferir ainda mais. Candice  uma mulher atraente e inteligente. Quem olha para ela no imagina que tenha passado por uma experincia que modificou a sua vida. Quando era adolescente, ela foi estuprada quando voltava da casa de uma amiga. Foi o acontecimento mais terrvel da sua vida. Se pudesse, ela o apagaria da memria. Antes de fazer terapia, Candice nunca havia falado detalhadamente sobre o estupro. Contara aos pais o que tinha acontecido naquela noite, eles deram queixa na polcia e tudo ficou por isso mesmo. Ela no procurou ajuda teraputica e seus pais acharam que falar sobre o assunto iria humilh-la ainda mais, de modo que nunca mais o trouxeram  baila. Candice tem problemas ao relacionar-se intimamente com os homens por causa do estupro. Fica tensa quando pensa em ter um contato sexual com um homem e sente medo quando est perto de homens fortes e dinmicos. Cora a terapia, ela acabou descobrindo que no  bom guardar para si certos segredos. Candice caiu na armadilha na qual sucumbem muitos sobreviventes de estupro. Ela no conseguia parar de pensar: "Se ao menos eu tivesse pedido uma carona naquela noite", "O vestido que eu estava usando chamava muita ateno" ou "Como posso ter sido to idiota?" Candice estava se culpando. Este procedimento transformou o dano que sofrera em um trauma duradouro. Talvez se ela tivesse sido capaz de conversar com algum, seu segredo no tivesse sido to nocivo. Outra pessoa poderia t-la ajudado a ver que seus sentimentos no eram anormais e que ela no era responsvel pelo que acontecera. Se Candice tivesse recebido ajuda para lidar com seus sentimentos, esse terrvel acontecimento talvez no tivesse se transformado em um trauma permanente que a fazia sentir-se to mal com relao a si mesma. Os demnios adoram trabalhar em segredo, mas fogem quando so forados a se tornar visveis. Candice est comeando a sentir-se menos amedrontada na presena dos homens, porque est trabalhando os seus sentimentos na terapia. Fechar a porta para os danos do passado no mantinha os demnios  distncia, mas permitir que seu terapeuta percorra com ela os lugares escuros e ocultos est conseguindo afastlos. Jesus sabia que todos sofremos danos, mas no temos que viver traumatizados por causa deles. Ele acreditava que, se compartilharmos o fardo das ofensas que recebemos com algum em quem confiamos, poderemos evitar que elas se transformem em trauma. O tempo por si s no  capaz de curar. Se no procurarmos ajuda, os demnios do passado ficaro presentes. PRINCPIO ESPIRITUAL: O tempo por si s no  capaz de curar.

OS SERES HUMANOS GOSTAM DE RACIONALIZAR "O corao do homem determina as suas palavras." Mateus 12:34 (Living Bible) Christopher acha que as emoes so sinal de fraqueza. Sua me lutou contra a depresso quando ele era criana, e seu pai freqentemente o castigava com raiva. Ele jurou que nunca seria como eles. A mulher de Christopher pediu o divrcio aps quatro anos de casamento porque "suas necessidades emocionais no estavam sendo satisfeitas", o que o deixou ainda mais convencido de que as pessoas que vivem com base nas emoes acabam destruindo tudo  sua volta. Christopher acredita que as pessoas racionais so de confiana e as pessoas emocionais so fracas e patticas. Considera que seu nico erro no casamento foi no ter percebido antes como sua esposa era emocional. O que Christopher no percebe  que a sua concluso a respeito das emoes est profundamente ligada ao que sofreu na infncia. Por este motivo, ele no foi capaz de criar uma intimidade emocional com a mulher, o que fez com que o casamento acabasse muito antes de ela deix-lo. A sua insistncia em afirmar que o fato de ela ser "excessivamente emocional" tinha sido a causa do divrcio foi na verdade uma racionalizao que ele usou para defender-se. Christopher tinha um medo enorme de que a mulher o magoasse depois de toda a dor que os seus pais haviam lhe causado. O problema no era o fato de a sua mulher ser emocional demais, mas de ele depreciar e negar as emoes. Christopher possui um argumento racional para explicar como as emoes arrumaram a sua vida. O que no percebe  o papel que ele prprio desempenhou na destruio do casamento. Apesar de achar que sua deciso de evitar as emoes era racional, foi uma deciso puramente emocional. E como ele no tem conscincia disso, fica sujeito ao poder destrutivo de uma emoo no controlada. As agncias de publicidade, os polticos, os profissionais da rea de vendas - todas as pessoas que lidam com a maneira como tomamos decises - sabem que os impulsos, os desejos e os sentimentos so as verdadeiras motivaes por trs do nosso processo de tomada de decises. Freqentemente pensamos estar sendo objetivos e racionais para emprestar maior credibilidade s nossas concluses. Mas a verdade  que seguimos o corao nas concluses a que chegamos, mesmo quando insistimos em negar isso. Jesus freqentemente seguia a paixo do seu corao, mesmo quando ela no fazia nenhum sentido lgico para aqueles que o cercavam. Quando decidiu escolher um grupo de discpulos para o seu crculo mais chegado de amigos, o seu principal critrio no foi a educao e nem mesmo a inteligncia. Ele preferiu aqueles capazes de "entender com o corao". Jesus no tentou mudar o mundo com uma nova filosofia ou um melhor conjunto de princpios espirituais que pudessem ser ensinados de modo acadmico. Ele sabia que o Reino de Deus seria difundido pelo impacto do que as pessoas sentiam no corao. PRINCPIO ESPIRITUAL: Justificamos na mente o que decidimos no corao.

CAPTULO

8

Conhecendo o seu inconsciente
"A vs foi dado conhecer os mistrios do reino dos cus, mas a eles no. A quem tem ser dado, e ter em abundncia; mas de quem no tem, at mesmo o que tem ser tirado. Eis por que lhes falo em parbolas: para que, olhando, no vejam e, ouvindo, no escutem nem compreendam. E neles se cumpra a profecia de Isaas, que diz: 'Ouvireis com os ouvidos e no entendereis, olhareis com os olhos e no vereis." Mateus 13:11-14 Podemos olhar diretamente para as pessoas sem v-las, ou ouvir as pessoas falarem, mas no escut-las. Jesus sabia que foras fora da nossa percepo consciente atuam na nossa mente, freqentemente impedindo que lidemos com as coisas que esto bem na nossa frente. Ele conhecia este aspecto da mente humana que hoje chamamos de inconsciente. O inconsciente  uma maneira de descrever o modo como a mente filtra o pensamento.  o jeito que a nossa mente tem de evitar que pensemos a respeito de tudo de uma vez s. Como no podemos lidar com tudo de uma nica vez, no podemos estar plenamente conscientes de tudo o que se passa na nossa mente em um determinado momento. O problema no  o fato de a nossa mente operar inconscientemente e sim de no termos conscincia disso. Trabalhamos os nossos assuntos inacabados no inconsciente. Questes problemticas ou no resolvidas do passado ficam armazenadas no inconsciente e so freqentemente revisitadas. Sem perceber, ficamos repetindo o passado na tentativa de corrigi-lo. Por isso  importante conhecer o inconsciente. Sem essa percepo, "estaremos sempre ouvindo, mas nunca entendendo", porque algumas coisas muito importantes que precisamos compreender esto ocultas no nosso inconsciente.1 SOMOS CRIATURAS DE HBITOS "...vs vos apegais s tradies dos homens." Marcos 7:8 Miguel concordou em procurar o aconselhamento conjugai com Adrienne aps anos de insistncia da parte dela. Adrienne queixava-se de que Miguel era muito exigente e crtico. Ele s se disps a vir s sesses para agrad-la. Ambos encaravam o prprio casamento como "tradicional", porque apenas Miguel trabalhava fora e Adrienne havia optado por ficar em casa com as crianas. Adrienne estava contente com essa situao, mas se ressentia com a atitude controladora de Miguel. Parecia que ele queria impor a ela e s crianas a forma de viver com que fora criado, e Adrienne estava achando o jeito do marido autoritrio e humilhante.

--Meus pais esto juntos h cinqenta anos, o que  mais tempo do que eu vejo na maioria dos casais -- proclamou Miguel. -- O que h de errado em tentar seguir o exemplo deles? --Voc est se esquecendo dos problemas que havia quando voc morava com eles, Miguel - retrucou Adrienne. --Tudo no era to perfeito na sua famlia. Depois de algumas sesses, Miguel admitiu que, embora respeitasse o pai, reconhecia que fora importante rebelar-se contra o poder que ele exercia na famlia. "De fato, ele era duro comigo. Mas aquela era a nica maneira de me fazer aprender", insistiu ele. O pai de Miguel era partidrio do castigo corporal e freqentemente batia no filho com um cinto. A triste conseqncia que essa atitude teve em Miguel foi fazer com que ele tirasse uma concluso inconsciente a respeito da autoridade de um pai: para que um homem seja respeitado em casa, ele precisa ser temido pelas pessoas que vivem com ele. Miguel estava seguindo o exemplo autoritrio do pai, sem se dar conta de que odiara viver daquela maneira. Sem perceber, Miguel tinha medo de perder o respeito da mulher e dos filhos caso no adotasse uma postura dominadora com relao a eles. Inconscientemente, o respeito e o medo confundiram-se, o que o levou a acreditar que precisava dominar os membros da famlia para no ser um fracasso como marido e pai. Miguel est comeando a aceitar que as tradies que estava tentando seguir tinham origem em fatos do passado que o fizeram sofrer. Ele consegue ver agora que a imposio de seu ponto de vista sobre a maneira como a famlia tinha que ser administrada no dava espao para o modo como Adrienne pensava e lidava com os filhos. Percebeu o preo que todos eles estavam pagando por isso. Miguel j no vive mais seu papel de pai e marido baseado no medo, e Adrienne finalmente est comeando a sentir que a sua opinio  respeitada. Miguel precisava compreender que seguir inconscientemente as tradies pode ser perigoso, e a percepo de que estava preso a crenas geradas pelas experincias de infncia o est ajudando a libertar-se. Somos criaturas de hbitos. Encontramos segurana nas nossas rotinas e identidade nas nossas tradies. Alguns hbitos so bons e Jesus recomendou que segussemos certas tradies para nos relacionarmos melhor uns com os outros e com Deus. Ele sabia que precisamos de gestos concretos para expressar o amor nos nossos relacionamentos. O problema surge quando ficamos presos inconscientemente aos hbitos, porque esta atitude nos faz repetir atividades do passado sem que nos apercebamos disso. Jesus no queria que as pessoas seguissem hbitos e tradies sem estar conscientes das razes pelas quais faziam assim. Seguir tradies pode ser benfico, mas aderir inconscientemente a elas pode trazer prejuzos. Jesus nos disse que tomssemos cuidado ao nos prendermos s tradies, no por elas serem ms, mas porque com freqncia as repetimos inconscientemente. A questo no  se temos ou no tradies familiares e sim por que as temos. Se as nossas tradies so fator de crescimento para a nossa famlia, elas so boas, mas, se acontece o contrrio, precisamos prestar ateno  advertncia de Jesus. PRINCPIO ESPIRITUAL: Os hbitos fundamentados no medo corrompem as tradies baseadas no respeito.

NO TENHA TANTA CERTEZA DE SI MESMO "Mas a vossa culpa permanece porque afirmais saber o que estais fazendo." Joo 9:41 Pensamentos inconscientes so experimentados como fatos. Como no sabemos que algo  inconsciente, temos certeza de que  verdadeiro. Quando vivemos baseados em pensamentos e sentimentos inconscientes, achamos que sabemos o que estamos fazendo, mas a verdade  que desconhecemos as razes que nos levam a agir de determinada forma. Jesus nunca pediu s pessoas que estivessem absolutamente certas com relao a si mesmas; ele pedia que elas refletissem a respeito de si mesmas. Conheci Tommy em um orfanato de meninos. Embora s tivesse 17 anos, tinha algumas idias bem definidas a respeito da vida. Ele no confiava em ningum e no esperava nada de ningum. Roubava se achasse que conseguiria se safar, mentia descaradamente e exibia qualquer sinal de remorso quando era apanhado. Tommy se achava muito esperto e estava convencido de que todo mundo era idiota. No havia meio de convencer Tommy de que seu ponto de vista estava distorcido. Ele fora muito cedo afastado da me e nunca conhecera o pai. O fato de ter passado por vrios orfanatos tornara a sua vida muito instvel e o deixara convicto de que nada  certo na vida e que ningum  de confiana. "No importa o que as pessoas digam, elas s pensam nelas mesmas", afirmava Tommy. "As pessoas no valem nada." Este era o seu lema. Era difcil ajudar Tommy. Ele no tinha interesse em ser ajudado, pois estava absolutamente certo de que a sua avaliao das pessoas era correta. Confiar nos outros significava ser "trouxa", e o fato de conseguir enganar as pessoas apenas provava que ele era mais esperto. O que Tommy no conseguia entender era que ele estava dominado por convices inconscientes. Inconscientemente acreditava que no valia nada, o que o tornava extremamente agressivo e irresponsvel. Como nunca tinham cuidado dele da maneira como precisava, chegara  concluso inconsciente de que no merecia esses cuidados. Mas como essa convico era inconsciente, ele a experimentava como um fato verdadeiro. Quem tem certeza de que  intil no tem nada a perder. Tommy estava convicto de que nada poderia ajud-lo e queria manter as pessoas  distncia para evitar a dor de ser visto como o intil que ele prprio se considerava. Infelizmente, as pessoas que tm idias negativas inconscientes a respeito de si mesmas acham que essas idias refletem "exatamente a maneira como elas so". Em casos como o de Tommy, os resultados podem ser devastadores. Ele passou a adolescncia envolvido em comportamentos autodestrutivos que s reforavam o conceito que tinha de si mesmo. As coisas s mudaram quando Tommy comeou a compreender que no eram os outros que o desvalorizavam, fazendo-o agir destrutivamente. Era ele mesmo que inconscientemente se desvalorizava e por isso precisava lutar contra esse sentimento. Quando atravs da terapia ele se convenceu, passou a aceitar-se melhor, a no rejeitar os outros e a mudar seu comportamento. Pessoas como Tommy agem como se tivessem convico absoluta de que esto certas. Jesus freqentemente desafiava aqueles que tinham essa maneira rgida de pensar, exortando-os a serem mais flexveis. Ele sabia que quando as pessoas tm

um raciocnio muito inflexvel, elas freqentemente deixam de perceber verdades importantes a respeito dos outros e muitas vezes tambm a respeito de si mesmas. PRINCPIO ESPIRITUAL: Se voc pensa rigidamente que est certo, reveja seu pensamento.

A CURA ACONTECE DE DENTRO PARA FORA "Limpa primeiro o interior do copo e depois todo o copo ficar limpo." Mateus 2:26 Marty sofre de ataques de pnico. Quando o ataque  violento, ela acha que est tendo um ataque do corao e que vai morrer. O corao dispara, ela no consegue respirar, comea a suar profusamente e seus joelhos ficam fracos. Marty tenta controlar os ataques de pnico, mas sem sucesso. A caminho do meu consultrio, ela repete para si mesma que no vai deixar que isso acontea de novo. Mas acaba inevitavelmente pegando um sinal vermelho, caindo em uma pista sem sada ou levando uma cortada de outro motorista. Qualquer uma dessas coisas faz Marty sentir ansiedade e a comeam seus problemas. Assim que fica ansiosa, ela tenta se livrar da ansiedade, o que s faz torn-la mais ansiosa. O temor de ter um ataque de pnico aumenta a ansiedade. Suas tentativas de controlar-se geralmente resultam em uma sobrecarga no sistema, ou num ataque de pnico. So as prprias tentativas de controlar os ataques que do origem a eles. O problema de Marty era que ela estava tentando corrigir o seu problema "de fora para dentro". Em outras palavras, ela se concentrava no seu comportamento e no nas suas convices. Ao tentar controlar o seu comportamento (a ansiedade), ela apenas confirmava as suas convices (a ansiedade  perigosa). Marty comeou a receber ajuda quando compreendeu que a cura se processa "de dentro para fora". Foi preciso primeiro entender que inconscientemente ela acreditava que toda ansiedade  perigosa e causa ataques de pnico. Quando esta noo tornou-se consciente, ela abriu-se para a possibilidade de que sua convico no fosse necessariamente verdadeira. Na vez seguinte em que uma ocorrncia a deixou ansiosa, Marty conscientemente pensou que era normal se sentir assim ante uma situao tensa e que no precisava controlar a ansiedade. Ela aprendeu que, se no piorarmos a ansiedade ao tentar control-la, ela pode passar naturalmente. No nvel mais profundo, todos ns vivemos em funo das convices armazenadas no inconsciente. Elas guiam automaticamente o nosso comportamento sem que o percebamos. Quando essas convices so negativas, nosso comportamento, com freqncia,  autodestrutivo. Tomar conscincia dessas convices inconscientes  a nica maneira de modificar o comportamento externo de uma forma duradoura. Jesus sabia que o nico modo de mudar o comportamento externo das pessoas era modificando o que elas acreditam interiormente. A no ser que sejamos capazes de ter acesso s nossas profundezas, estamos destinados a viver uma vida influenciada pelas marcas do passado. Mudanas no comportamento ou na aparncia externa tm pouca probabilidade de durar se no descobrirmos os motivos enterrados na

profundidade do nosso ser. Foi por esse motivo que Jesus nos disse para limpar primeiro o interior do copo. PRINCPIO ESPIRITUAL: A mudana duradoura acontece de dentro para fora.

O QUE NO SABEMOS PODE NOS FERIR "Todo reino dividido contra si mesmo ser destrudo e toda cidade ou famlia dividida contra si mesma no subsistir." Mateus 12:25 Darlene veio fazer terapia para trabalhar os seus relacionamentos com os homens. Ela desejava ardentemente encontrar um companheiro para poder se casar e ter filhos, mas apesar de estar no meio da casa dos trinta nunca tivera um envolvimento romntico com um homem. "Meu maior problema", confessou-me ela, " que eu me acho feia." Fiquei um pouco surpreso com a declarao de Darlene, pois eu a considerava uma moa atraente e sempre preocupada com a prpria aparncia. Ela passou a descrever o seu doloroso constrangimento na presena dos homens e os sentimentos embaraosos com os quais tinha que lidar sempre que pensava em se envolver romanticamente. - Eu sei que no sou burra e que s vezes a minha conversa  interessante. Mas no consigo deixar de pensar que qualquer homem por quem eu pudesse me interessar me acharia fisicamente repulsiva. Tenho certeza de que deve haver algum cara que tenha vontade de fazer sexo comigo, mas acho que nenhum homem que eu considere realmente atraente tambm se sentiria atrado por mim. Darlene cresceu com um pai que dificultava a sua vida. Ela nunca sabia o que esperar quando voltava para casa depois da escola. O pai era geralmente rude e agressivo com Darlene e com a me dela quando bebia, o que freqentemente fazia a adolescente ter vontade de se tornar invisvel. Se pudesse, ela trocaria de vida com qualquer pessoa no planeta. Infelizmente, a me de Darlene pouco podia ajud-la. Era uma mulher passiva e incapaz de controlar o marido ou de proteger a filha das exploses dele. Darlene vacilava entre esperar que um dia seu pai notasse que ela era uma boa pessoa e parasse de maltrat-la e desejar que ele morresse. Nenhuma dessas duas esperanas, no entanto, fazia Darlene sentir-se bem a respeito de si mesma. Este processo desenvolveu nela a convico inconsciente de que o pai no a valorizava o suficiente para mudar de comportamento, e ela comeou a sentir dio dele. Este dio do pai e o desejo que ele morresse davam-lhe a impresso de ser uma pessoa feia por dentro. Darlene estava envolvida num conflito entre suas convices inconscientes a respeito de si mesma e sua vida consciente do dia a dia. Inconscientemente, ela acreditava que era uma pessoa feia que no valia grande coisa, embora conscientemente soubesse que a sua vida agora era diferente. Somente quando se deu conta de que se achava feia por causa do dio que sentia pelo pai  que

Darlene conseguiu ver-se tal como a mulher atraente que de fato era. Ela ainda se lembrava, com raiva, da maneira como ele a tratava quando criana, mas pde comear a acreditar que no era necessariamente uma pessoa feia por sentir-se assim. Estamos continuamente transferindo as nossas convices inconscientes baseadas nas experincias passadas para o mundo que nos cerca hoje, observando constantemente o presente atravs do filtro inconsciente do nosso passado. Geralmente no sabemos que estamos fazendo isso, porque o fazemos automaticamente. A nica maneira pela qual podemos abrir espao para experincias novas  tomando conscincia de como estamos projetando essas antigas convices no nosso mundo de hoje. O fato de no termos conscincia de uma coisa no significa que ela no possa nos prejudicar. Nossa realidade atual nos diz uma coisa, mas as nossas convices inconscientes nos dizem outra. Infelizmente, o inconsciente geralmente sai vencedor. Esta  freqentemente a origem dos problemas psicolgicos da nossa vida que podem ter conseqncias perniciosas. Jesus exortou-nos a ser mais conscientes. Esta conscincia  a soluo para resolver uma "famlia dividida". Quando acreditamos inconscientemente em uma coisa que est em conflito com o que pensamos conscientemente, travamos uma batalha com ns mesmos e ficamos "divididos". Jesus quer que tomemos conscincia das convices que nos dividem para sermos inteiros. PRINCPIO ESPIRITUAL: No podemos vencer uma luta contra ns mesmos.

CURANDO O DIO "Por que te preocupas com o cisco no olho do teu irmo quando tens uma trave no teu?" Mateus 7:3 Odiamos nos outros o que no conseguimos suportar em ns mesmos. Uma das perguntas que me fazem de tempos em tempos  a seguinte: "Como posso saber o que existe no meu inconsciente que pode estar me prejudicando?" Para responder a esta pergunta, digo s pessoas que pensem a respeito de tudo que elas no gostam nos outros. A seguir, peo-lhes para fazer uma lista das cinco coisas que mais detestam nas pessoas que as cercam.  provvel que essas cinco coisas estejam enterradas em um lugar profundo que os analistas junguianos chamam de o "lado da sombra" do inconsciente. O dio de Bill com relao  imoralidade na indstria do cinema  to intenso que ningum ousa entabular uma conversa com ele sobre o assunto. Para Bill, a pureza sexual tornou-se a prova da verdadeira espiritualidade na nossa poca, e ao no reconhecer este fato Hollywood sujeitou-se ao mal. Bill chama os atores que trabalham em filmes sexualmente provocantes de "imorais" ou "transviados" e insiste em afirmar que eles no tm carter porque se deixaram filmar perto de pessoas seminuas.

Susan, sua filha de 13 anos, tem medo de pedir ao pai para ir ao cinema, temendo tornar-se tambm objeto da ira de Bill. Como a maioria das crianas da sua idade, Susan admira muitos atores e, ao contrrio do pai, no considera os filmes deles to censurveis. Bill acha que as pessoas que produzem filmes com cenas de sexo esto apenas tentando controlar os outros por meio dos seus sentimentos sexuais e que qualquer pessoa que pague para assistir a esses filmes est sucumbindo a desejos nocivos. Susan quer sentir-se to normal quanto os amigos, no apenas a respeito de sua sexualidade como tambm da sua vontade de ir ao cinema. Mas a reao do pai no s ao sexo nos filmes como tambm s pessoas que trabalham na indstria do cinema parece afast-la mais dele. Susan no ousa falar sobre seus sentimentos, justamente no momento da vida em que mais precisaria abrir-se com o pai. Ela gostaria de conversar com o pai a respeito de assuntos sexuais, mas no tem coragem. Bill no consegue perceber que o seu dio aos atores que ele acredita estarem tentando controlar os outros por meio do sexo  na verdade uma maneira de ele prprio exercer o controle. Bill luta em segredo com fantasias sexuais e sente raiva de si mesmo por freqentemente ceder a elas. No decorrer dos anos, ele chegou  concluso de que a nica maneira de controlar a sua atrao pela pornografia  odiando os sentimentos de luxria que ela estimula nele. Ele se sente de tal modo controlado interiormente por esses sentimentos que tenta desesperadamente controlar todas as pessoas externas. Alm de no funcionar, essa forma de controlar as fantasias sexuais est criando um distanciamento entre ele e a filha. Bill precisa parar de concentrar-se tanto na sua censura ao sexo na indstria do cinema e comear a examinar mais o que se passa com ele. Jesus parecia compreender que quando nos descobrimos odiando alguma coisa nos outros devemos parar e verificar se temos algo parecido em ns. Condenar os outros por um defeito contra o qual lutamos em ns mesmos  como preocupar-nos com o "cisco" nos olhos de uma pessoa, a respeito do qual nada podemos fazer, enquanto temos uma "trave" no olho que requer uma ateno imediata. s vezes, a cura do nosso dio pelas outras pessoas comea com um exame sincero do que guardamos no inconsciente. PRINCPIO ESPIRITUAL: O dio aos outros freqentemente  sintoma de uma ferida interna em ns mesmos.

A HISTRIA SE REPETE, A NO SER... "Como poder algum entrar na casa de um homem forte e roubar os seus haveres se antes no o tiver amarrado?" Mateus 12:29 Quando fui fazer terapia pela primeira vez, eu sabia que meu principal problema era o meu relacionamento com o meu pai. Eu estava constantemente em conflito com ele e ressentia-me da maneira como havia sido tratado na infncia e na adolescncia. Eu raramente tinha contato com meu pai depois de adulto e encurtara as minhas visitas  casa dele durante as festas para evitar que acabssemos tendo uma das nossas tpicas brigas sem sentido.

Lembro-me de uma sesso na qual eu estava explicando ao meu terapeuta como a minha infncia tinha sido horrvel. "Era uma sndrome de 'chutar o cachorro" expliquei. "Ele tinha um dia difcil no trabalho, voltava para casa e descarregava a raiva em cima de ns. Como eu era a pessoa que mais falava na famlia, bastavam algum minutos para que ele comeasse a gritar comigo por alguma coisa." Para enfatizar o que eu estava querendo dizer, descrevi a ocasio em que eu tinha 18 anos e havia secretamente cronometrado o discurso do meu pai a respeito do comprimento do meu cabelo. "Eu sabia que a coisa ia ser difcil naquele dia, de modo que fiquei olhando para o meu relgio. Duas horas e meia depois ele ainda estava gritando comigo, sem que eu tivesse dito uma palavra. Voc consegue acreditar? Duas horas gritando sem nenhuma provocao da minha parte? Nunca me esquecerei do que o meu terapeuta disse. "Talvez ele tenha amado muito voc." "O qu?", perguntei boquiaberto. "Claro", prosseguiu ele. "Que outro motivo seu pai teria para gastar toda aquela energia tentando corrigir voc? "No acho que ele estava brigando com voc; ele estava lutando por voc da melhor maneira que sabia." Eu nunca tinha pensado naquilo daquele jeito. Lembro-me de ter sentido que o meu terapeuta tinha entrado em um dos armrios mais escuros da minha casa psicolgica e derrubado no cho um monstro com o qual eu no conseguia lidar. At aquele momento eu s tinha olhado para a raiva do meu pai de uma determinada maneira, achando que ele me desvalorizava. Mas talvez ele estivesse zangado comigo porque queria que minha vida fosse melhor. Do seu jeito desajeitado, talvez meu pai estivesse tentando fazer com que eu olhasse para coisas que ele considerava importantes. A histria com o meu pai se repetia todas as vezes que estvamos juntos, porque eu interpretava a raiva dele exatamente da mesma maneira. O meu terapeuta fez com que uma janela de oportunidade se abrisse e me ajudasse a romper o ciclo. Depois desse dia continuei a sentir-me tentado a ter as mesmas antigas discusses com o meu pai, mas de um jeito um pouco diferente. Como eu me tornara mais consciente da maneira inconsciente pela qual interpretava a raiva dele como uma rejeio, comecei a perceber que eu poderia ser capaz de v-la como uma outra coisa. O nosso relacionamento no foi magicamente restaurado a partir dali, mas melhorou bastante. Jesus sabia que ns no temos que ser condenados a repetir a mesma histria, mas esta se repetir enquanto no recebermos ajuda dos outros. Precisamos do ponto de vista dos outros a fim de verdadeiramente compreender a ns mesmos. Podemos ento optar por viver uma vida nova e diferente, porque estamos mais conscientes das influncias inconscientes que esto determinando nossos comportamentos e nossa vida. A misso espiritual que guiou a vida de Jesus resultou em benefcios psicolgicos para todos os que tiveram contato com ele. Hoje em dia chamamos isso de psicoterapia. Na vida de Jesus, era simplesmente sua maneira de ser. As pessoas tomam conscincia de seus mecanismos inconscientes com a ajuda de outra pessoa. s vezes, o "homem forte" que precisamos que outra pessoa nos ajude a amarrar  a nossa parte inconsciente. PRINCPIO ESPIRITUAL: A mudana nos pontos de vista tem o poder de mudar a histria.

CAPTULO 9

Conhecendo a verdadeira humildade
Jesus contou tambm a seguinte parbola para alguns que confiavam em si mesmos, tendo-se por justos e desprezando os outros: "Dois homens subiram ao Templo para rezar; um era fariseu, o outro, um cobrador de impostos. O fariseu rezava, em p, desta maneira: ' Deus, eu te agradeo por no ser como os outros homens, que so ladres, injustos, adlteros, nem mesmo como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana, pago o dzimo de tudo que possuo.' Mas o cobrador de impostos, parado  distncia, nem se atrevia a levantar os olhos para o cu. Batia no peito, dizendo: ' Deus, tem piedade de mim, pecador!' Eu vos digo: Este voltou justificado para casa e no aquele. Porque todo aquele que se enaltece ser humilhado e quem se humilha ser exaltado." Lucas: 18:9-14 Jesus criticava o amor-prprio excessivo porque acreditava que as pessoas que aceitam depender de Deus e abrem mo da auto-suficincia alcanam a plenitude.  preciso humildade para reconhecer que no somos Deus e saber que precisamos nos relacionar com ele para sermos espiritualmente completos. Essa mesma humildade nos permite compreender que tambm necessitamos dos outros para sermos emocionalmente completos. Deixamos de ser humildes e fingimos ser superiores aos outros quando sentimos medo de admitir que temos necessidade deles. A tendncia atual da psicologia tambm reconhece a importncia de dependermos dos outros. No somos unidades auto-suficientes e sim seres interligados.1 O ponto de partida para a plenitude espiritual e psicolgica  a nossa necessidade de ter um relacionamento com algo maior do que ns mesmos. A dependncia saudvel nos relacionamentos produz pessoas saudveis. Precisar dos outros nos torna mais fortes e no carentes. Os seguidores de Jesus nunca se consideravam melhores do que as outras pessoas pelo fato de precisarem delas para serem completos. Ao contrrio dos fariseus, temos que agradecer a Deus por sermos como as outras pessoas, porque isso nos coloca no caminho para conhecer a plenitude.

A GUERRA ENTRE A PSICOLOGIA E A RELIGIO "Para alguns que confiavam em si mesmos, tendo-se por justos e desprezando os outros..." Lucas 18:9 Vrias pessoas religiosas tm me procurado no decorrer dos anos para fazer terapia. Em determinados casos, precisei ser muito cuidadoso devido ao preconceito

delas contra a psicologia, mas acabei descobrindo algumas abordagens bastante proveitosas. Por desejar compartilhar o que aprendera com outros profissionais, escrevi um artigo e submeti-o a uma famosa revista tcnica na rea da psicoterapia. Fiquei consternado ao ser informado que o artigo tinha sido rejeitado. O editor da publicao incluiu na carta que me enviou os comentrios da pessoa que fez a anlise do meu artigo. Fiquei surpreso com os comentrios, que eram concisos, hostis e extremamente pejorativos. No final da anlise, em que apaixonadamente argumentava que o assunto em questo no era adequado a uma revista de psicologia, as frases estavam incompletas evidenciando a raiva de quem escrevera. Ficou claro para mim que ele no tinha terminado de ler o meu artigo porque vrias das suas objees haviam sido respondidas na parte final do meu texto. Eu escrevera o artigo para ajudar os psicoterapeutas a entender os preconceitos dos pacientes religiosos. No entanto, vrios psicoterapeutas tambm esto precisando de ajuda com relao aos seus prprios preconceitos contra a religio. A necessidade de menosprezar aqueles que no compreendemos decorre de um amor-prprio excessivo que prejudica a nossa prpria sade espiritual e psicolgica. O fato de o meu artigo ter sido rejeitado  irnico se levarmos em conta seu tema central: podemos ser dogmticos com relao  religio ou  psicologia, mas ao nos considerarmos superiores aos outros e ao achar que no precisamos do que eles tm a nos oferecer estamos causando um dano a ns mesmos. Meu artigo acabou sendo publicado em uma revista de psicologia conhecida por interessar-se tanto pela psicologia quanto pela religio. No entanto, no consegui deixar de pensar que os leitores da primeira revista talvez fossem os que mais precisassem ler o que eu estava tentando dizer. O que Jesus criticava como excesso de amor-prprio a psicologia chama de narcisismo, que acontece quando a pessoa tem uma viso grandiosa de si mesma para defender-se das prprias imperfeies. O narcisismo prejudica o relacionamento com os outros e cria uma barreira tanto para a sade espiritual quanto para a psicolgica. Algumas pessoas no acreditam que a psicologia e a religio sejam compatveis, chegando ao ponto de descrever as divergncias entre elas como uma "guerra". Quando a psicologia  excessivamente narcisista e no admite que a religio tenha alguma coisa a oferecer para o entendimento do comportamento humano, ela  culpada de um excesso de amor-prprio. Quando a religio tem um amor-prprio exagerado e no admite que a psicologia tenha algo a oferecer para o entendimento do corao e da mente humana, ela  culpada de narcisismo. Aqueles que so suficientemente humildes para admitir que podem aprender com os outros sem os desprezarem esto no caminho da sade psicolgica e espiritual  qual Jesus se referiu. PRINCPIO ESPIRITUAL: A arrogncia que nos leva a acreditar que somos superiores aos outros tem origem no medo de sermos inferiores.

JESUS PREGOU RELACIONAMENTOS E NO REGRAS "Todos sabero que sois meus discpulos se vos amardes uns aos outros." Joo 13:35 Jack veio fazer terapia porque havia prometido a si mesmo que se perdesse a pacincia e quebrasse de novo alguma coisa procuraria ajuda profissional. Ele sempre cumpre suas promessas. Na verdade, no acredita que a raiva que sente seja um problema; ele apenas acha que a maioria das pessoas tem um comportamento muito condescendente, o que ele considera extremamente irritante. Jack sempre tenta fazer a coisa certa. Por que no deveria esperar o mesmo de todas as outras pessoas? Jack sente que tem o direito de ficar zangado quando os outros o desapontam. No incio, ele teve dificuldade com a terapia porque fazia questo de seguir regras. Queria saber como devamos comear as sesses, ou seja, se tnhamos que retomar as coisas do ponto onde havamos parado na ltima vez e exatamente sobre que tipo de coisas devamos conversar. Jack acreditava que as pessoas boas seguem as regras, e as ms estragam tudo. Por esse motivo ele tentava seguir religiosamente as regras em todos os aspectos da sua vida. Ele levou bastante tempo para entender que tanto na terapia de boa qualidade quanto na religio de bom nvel as regras s existem e so usadas para favorecer melhores relacionamentos. No existe nenhum mrito em seguir regras s pelo fato de serem regras. Jack no compreendia isso. Para ele o simples fato de uma pessoa seguir rigidamente as regras indicava a qualidade da pessoa, e por isso ele se enraivecia quando as regras no eram obedecidas ao p da letra. Ele rejeitava a idia de que uma pessoa boa talvez tivesse s vezes que sacrificar algumas regras para preservar seus relacionamentos com os outros, pois as considerava mais importantes do que os relacionamentos. Jack comeou aos poucos a perceber que o relacionamento que tinha comigo o estava ajudando, apesar de eu no seguir o que ele imaginara como sendo as regras da terapia. No incio, ele se aborreceu comigo, mas acabou concluindo que poderia ser de algum modo beneficiado por eu compreend-lo. Jack comeou a sentir a minha importncia por eu ser quem era e no por eu ter um desempenho  altura do que ele esperava. Foi uma grande libertao quando Jack descobriu que era isso exatamente o que ele queria sentir por si mesmo. Ele vinha seguindo religiosamente as regras porque tinha medo de no ser considerado uma boa pessoa. Jack est comeando a acreditar que os outros podero achar que ele tem valor por ser quem , mesmo que o seu desempenho no corresponda s expectativas deles. Est comeando a compreender a diferena entre a religio em que acreditava, na qual as regras tm primazia, e a religio de Jesus, na qual os relacionamentos so o ponto principal. Jesus no pregou uma filosofia de vida e no deixou um conjunto de regras religiosas para serem seguidas. Ele se expressava por meio de analogias, oferecia princpios espirituais e falava sobre o amor como a marca que distinguia aqueles que o seguiam. Ele disse: "Todos sabero que sois meus discpulos se vos amardes uns aos outros", porque esta era a mais pura explicao da religio que ele pregava. A religio dele era de relacionamentos e no de regras A psicologia est chegando  concluso de que os seres humanos no podem existir sem um relacionamento

saudvel com outra pessoa. Estamos reconhecendo que os relacionamentos so a atmosfera necessria  nossa sobrevivncia. As crianas que no so abraadas no se desenvolvem bem, parceiros amorosos de uma vida inteira morrem com poucos meses de diferena e a solido  a principal causa do suicdio. A religio de Jesus era sobre amor e relacionamento, no sobre regras, porque  do amor nos relacionamentos que precisamos para sobreviver. PRINCPIO ESPIRITUAL: Os relacionamentos que encerram amor so a prova da verdadeira religio.

ESTMULO "Eu vos digo que este homem... voltou para casa justificado diante de Deus." Lucas 18:14 De acordo com Jesus, Deus no exige que mudemos para que ele nos ame;  porque nos ama que ele nos estimula a mudar.  nos momentos de paz em que ansiamos em nos tornar pessoas melhores e admitimos para ns mesmos que podemos crescer que o sentimento de sermos amados por Deus nos estimula. O estmulo nos motiva a ser completos. No incio, achei que a minha terapia com Jssica tinha tudo para dar certo por causa do apego positivo que ela parecia ter por mim. "Voc parece realmente saber o que est fazendo", disse ela. "Acho que sou uma pessoa de sorte por ter encontrado algum to competente na sua funo quanto sou na minha." Mas,  medida que o tempo foi passando, ficou claro que o fato de idealizar-me estava prejudicando Jssica. Em vez de sentir-se melhor na minha presena, ela parecia sentir-se pior. Embora me considerasse um grande terapeuta, ela dava a impresso de no se sentir  vontade com o que considerava a minha excelncia. "Voc foi realmente esperto quando decidiu ser psiclogo, porque estou certa de que voc no tem que suportar o tipo de frustraes no seu trabalho que eu tenho que enfrentar no meu", ela se queixava. "Quero dizer, as pessoas com quem eu trabalho so basicamente idiotas. Eu sou provavelmente a pessoa mais esperta no escritrio e ningum parece gostar disso." Jssica dava a impresso de estar quase desconcertada porque a sua vida no estava indo to bem quanto ela imaginava que a minha estivesse. Finalmente percebi que cada vez que Jssica estava comigo e me olhava considerando-me uma pessoa especialmente bem sucedida, ela se sentia um fracasso. Apesar de me repetir que estava se dando muito bem na vida e de contar seus sucessos no trabalho, a verdade era que Jssica sentia uma grande insatisfao. Sentia-se desestimulada e no queria que ningum soubesse disso. De repente percebi que o triunfalismo de Jssica era uma fachada para encobrir sua sensao de fracasso. Ela precisava sentir-se segura para falar de suas falhas, de suas vulnerabilidades e do quanto desejava ser melhor do que achava que era. Assim que Jssica conseguiu descrever a sua insegurana e dizer que queria que os

outros gostassem dela mas temia que isso no acontecesse, nossa terapia adquiriu uma qualidade diferente. Jssica ficou surpresa com o que aconteceu. Em vez de sentir-se pior a respeito de si mesma por falar de suas falhas, ela passou a sentir-se melhor. A tentativa de receber ateno demonstrando uma extrema competncia na verdade a desestimulava, mas o fato de compartilhar seu ardente desejo de crescer e melhorar comeou a dar-lhe mais coragem. Jssica estava aprendendo que era mais importante para ela receber estmulos dos outros do que tentar impression-los. Este foi um passo fundamental para que ela compreendesse do que precisava para ser uma pessoa completa. Jesus ensinou que temos um Deus que est intimamente interessado em tudo a nosso respeito, no para julgar-nos por nossas ms aes e sim por desejar o nosso crescimento. Cada um de ns  importante para Deus. Quando revelamos a ele os nossos pensamentos e sentimentos mais profundos, ele nos aceita pelo que somos. Esta  uma profunda fonte de estmulo. Jesus ensinou que temos uma necessidade essencial de crescer e que o estmulo que vem de Deus nos encoraja para nos desenvolvermos. Qualquer pessoa que tenha criado uma criana conhece essa necessidade humana fundamental. Quer seja empilhando blocos ou tentando ganhar o Prmio Nobel, precisamos que os nossos esforos tenham importncia para outra pessoa. Necessitamos de estmulo para crescer. PRINCPIO ESPIRITUAL: No mude para ser amado; cresa a partir do que voc .

SERMOS AMADOS POR QUEM SOMOS "E at mesmo todos os fios de cabelo da vossa cabea esto contados." Mateus 10:30 Foi muito bom Mary e Daniel terem procurado o aconselhamento conjugal. Mary amava Daniel, mas achava que viver com ele era muito estressante. Daniel era um homem de elevados princpios morais, comprometido com suas convices religiosas e que valorizava a sua reputao na comunidade. Mary era uma pessoa de esprito livre que dava valor a ser receptiva e aberta aos outros. Daniel era um homem para quem as coisas eram "ou pretas ou brancas", ao passo que Mary vivia principalmente nas "reas cinzentas". Ambos tinham muito a aprender um com o outro, mas cada um achava o outro decepcionante. Daniel acreditava firmemente no certo e no errado. Mary achava que os sentimentos da outra pessoa deviam ser considerados em primeiro lugar. s vezes, Daniel era mais prudente, em outras Mary era mais amorosa. A dificuldade estava no fato de que para Daniel e Mary suas diferenas significavam desavenas, e isso era um problema no casamento deles. Daniel acreditava que marido e mulher deviam tornar-se "uma s carne" e deviam concordar e pensar da mesma maneira quando tomavam decises. Mary nem sempre tinha o mesmo ponto de vista a respeito das coisas. Daniel via as opinies

diferentes de Mary como uma oposio e um desafio a ele. Mary achava que Daniel era crtico demais. Mary respeitava Daniel por ele ser ntegro e fiel, mas mesmo assim queria que o marido mudasse. Daniel amava Mary por sua compaixo e capacidade de discernimento, mas considerava a recusa dela em prestar ateno aos detalhes um defeito de carter. Nem Mary nem Daniel gostavam de ter um cnjuge to diferente de si. Ambos eram de opinio que intimidade significava concordncia, de modo que questionavam o casamento baseados no fato de terem personalidades diferentes. Tanto Mary quanto Daniel achavam que tinham cometido um erro ao se casar, mas nenhum dos dois sabia o que fazer a respeito do problema. Embora fosse mais difcil para Daniel, eles comearam a discutir menos quando ambos modificaram a maneira como encaravam as diferenas entre eles. Ser diferente no tinha que significar que algo estava errado; poderia tambm ser um sinal de fora no casamento. Daniel aprendeu por que "A corda tripla no se rompe facilmente" (Eclesiastes 4:12) quando comeou a perceber como as diferenas entre eles poderiam atuar juntas para tornar a unio mais forte. Comeou a entender que um vnculo formado pelo amor era sempre mais forte do que laos baseados na total concordncia. A harmonia no casamento de Daniel e Mary melhorou assim que eles foram capazes de aplicar essa lio a si mesmos.  medida que Daniel e Mary comearam a apreciar suas diferenas, em vez de ressentir-se delas, eles continuaram a discordar a respeito das coisas, mas essas divergncias geraram menos discusses. Jesus ensinou que as caractersticas de cada pessoa como indivduo so to importantes para Deus que este sabe o nmero "at mesmo de todos os fios de cabelo da vossa cabea". Jesus acreditava que cada um de ns possui caractersticas nicas que enriquecem nossos relacionamentos com os outros. As nossas personalidades distintas precisam ser apreciadas para que os nossos relacionamentos sejam completos. Algumas pessoas tm dificuldade em compreender isso. Elas acham que se fizermos parte da mesma comunidade no poderemos ser diferentes em nada, ou seja, precisamos andar, falar, nos vestir, agir e pensar da mesma maneira para fazer parte do mesmo grupo. Jesus no pensava assim. Ele acreditava que os relacionamentos mais fortes deixam espao para as diferenas individuais entre as pessoas. A nossa capacidade de conviver com essas diferenas  um sinal de sade espiritual e emocional. Na verdade, as pessoas que tm os relacionamentos mais amadurecidos sentem prazer no fato de serem diferentes.

PRINCPIO ESPIRITUAL: As diferenas no precisam significar divergncias.

O PERDO E A CURA "O que  mais fcil dizer: 'Teus pecados esto perdoados' ou 'Levanta-te e anda?" Lucas 5:23 Emma sofreu abuso e foi abandonada pelos pais quando criana, tendo sido criada no sistema de lares adotivos. Sua infncia foi extremamente sofrida por causa do tratamento que recebeu dos pais e tambm em vrios dos locais onde morou. Emma sempre culpara os pais pelo sofrimento que teve que suportar, mas ultimamente decidira colocar uma pedra em cima do passado. "J consegui superar tudo", ela me explicou. "Eles provavelmente eram imaturos e incapazes de assumir responsabilidade ou no tinham recursos. No importa. Vou simplesmente me concentrar no presente e deixar o passado para trs. No estou interessada em uma terapia profunda. S preciso de algumas sesses rpidas para recobrar o equilbrio e seguir em frente." Mas o passado de Emma recusava-se a ficar para trs. Ela sentia raiva grande parte do tempo, no confiava nas pessoas, nunca dormia bem e fazia sistematicamente ms escolhas nos seus relacionamentos. Emma havia desculpado os pais, mas no os havia perdoado. No entanto, queria seguir em frente, sem olhar para trs, achando que revolver todas aquelas recordaes dolorosas da infncia era penoso demais e no adiantaria nada. Acontece que a terapia de Emma no foi to rpida quanto ela desejava. Foram necessrios anos de terapia e grupos de apoio para que ela pudesse compreender a importncia de lidar com sua questo inacabada com os pais e mais tempo ainda para que pensasse em perdo-los. No fundo, Emma no queria perdoar os pais porque achava que ao fazer assim estaria tornando a atitude deles aceitvel. Mas isso no  verdade. Pode-se perfeitamente perdoar as pessoas, mas optar por no permitir que elas voltem a fazer parte da sua vida se voc no achar que receb-las de volta seria uma boa coisa. Emma precisava acreditar que o que os pais fizeram foi errado, mas no tinha que continuar a odi-los por isso. O seu dio s a estava magoando. Emma precisava perdoar os pais por causa dela mesma, e no deles. Ao compartilhar suas experincias e sentimentos na terapia e nos grupos de apoio, Emma no se sente mais sozinha. Sentindo-se compreendida, ela comeou a olhar de novas maneiras para o ressentimento que os pais despertaram nela. Ao perdolos, ela libertou a si mesma de uma vida de culpa e dio. O trabalho foi imenso, mas, ao complet-lo, Emma atingiu um nvel mais profundo de totalidade espiritual e psicolgica. s vezes os meus pacientes gostariam que eu dissesse algo milagroso que lhes permitisse psicologicamente "levantar-se e andar" de imediato. Mas quando somos feridos no nosso nvel mais profundo precisamos passar por um processo que exige a nossa participao ativa. Precisamos nos esforar para identificar o que foi ferido no nosso corao e nos nossos relacionamentos para em seguida perdoar. Esta seqncia geralmente no  fcil e raramente  instantnea. Na poca de Jesus, as pessoas tambm desejavam solues imediatas. Elas preferiam os milagres ao trabalho rduo. Mas Jesus no estava interessado simplesmente em ajudar as pessoas a se sentir melhor; ele queria que elas de fato melhorassem. Para ele, isso significava lidar com as feridas do corao e dos relacionamentos que exigiam perdo e reconciliao. Ele sabia que s vezes era

mais fcil dizer a uma pessoa fisicamente debilitada "levanta-te e anda" do que dizer "teus pecados esto perdoados". Curar fisicamente o corpo era fcil quando comparado com o arrependimento e o perdo necessrios no corao humano. PRINCPIO ESPIRITUAL:  mais fcil desculpar as pessoas do que perdo-las; mas para o nosso crescimento o ideal  perdoar.

CAPTULO

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Conhecendo o seu poder pessoal
Quando uma mulher samaritana veio tirar gua, Jesus lhe disse: "Podes me dar de beber?" A mulher samaritana respondeu-lhe: "Como  que tu, um judeu, pedes de beber a mim, que sou samaritana?"... Em resposta Jesus lhe disse: "Quem bebe dessa gua tornar a ter, sede, mas quem beber da gua que lhe darei nunca mais ter sede."... A mulher pediu: "Senhor, d-me dessa gua para que eu no sinta mais sede."... Jesus lhe disse: "Vai chamar teu marido e volta aqui." A mulher respondeu: "Eu no tenho marido." Jesus disse: "Ests certa quando dizes que no tens marido. De fato, tiveste cinco e aquele que agora tens no  teu marido." "Senhor", disse a mulher, "vejo que s um profeta. ... Eu sei que o Messias est para vir. Quando chegar, ele nos explicar todas as coisas." Jesus ento declarou: "Sou eu que falo contigo." Nisso chegaram os discpulos e se admiravam de que estivesse falando com uma mulher. Mas ningum perguntou, ... "Que falas com ela?" Deixando ento o cntaro, a mulher voltou  cidade e disse a todos: "Vinde ver um homem que me disse tudo o que fiz. No ser ele o Cristo?" Joo 4:7-30 O poder que exercemos sobre os outros pode ser inebriante, mas o seu efeito  temporrio. Jesus teve na vida a experincia sempre satisfatria de alcanar o poder com os outros. Para ele, no existia poder isolado. Este fato era frustrante para os seus seguidores, porque muitos esperavam que Jesus se estabelecesse como um lder poltico e os indicasse para cargos influentes no seu novo reino. Jesus sabia que a pessoa verdadeiramente poderosa est mais interessada nas pessoas do que na poltica. Para ele, o verdadeiro teste do poder pessoal no reside em controlar os outros, mas em dar-lhes poder. Apesar de ter sido um dos maiores lderes espirituais da histria, Jesus passou muito pouco tempo em lugares religiosos, pois quase sempre ficava onde as pessoas viviam. Ele estava interessado nas pessoas e exerceu grande influncia na vida daqueles que conheceu. Jesus sabia que a empatia era o segredo do verdadeiro poder pessoal. Empatia  uma atitude de interesse e acolhida.  ela que possibilita o verdadeiro entendimento. Quando existe uma verdadeira empatia, o resultado pode ser transformador.1

A DEFINIO DO PODER PESSOAL "Dai a Csar o que  de Csar e a Deus o que  de Deus." Mateus 22:21 Justin  um homem poderoso. Ele  funcionrio pblico de alto nvel, possui vrios cursos de ps-graduao e  conhecido em todo o pas devido  sua carreira poltica. Justin custeou seus estudos na faculdade e conquistou a posio que ocupa hoje com o seu prprio esforo. Ele tem orgulho das suas realizaes porque no espera que os outros lhe ofeream oportunidades, preferindo ele mesmo cri-las. Por temer que sua carreira pudesse ser prejudicada, Justin tomou medidas para que ningum soubesse que ele estava fazendo terapia. No mundo dos tubares da poltica no qual ele vivia, ter sesses com um psiclogo poderia ser interpretado como uma fraqueza pela qual ele poderia ser comido vivo. Minha primeira tarefa foi mostrar a Justin que o consultrio do psiclogo no  um lugar onde se consertam as pessoas. Ele no precisava de mim para lhe dar conselhos e corrigir seus problemas. Ele necessitava de mim para ajud-lo a se compreender melhor, para que ento ele pudesse dar melhores conselhos para si mesmo e fazer escolhas mais saudveis. Para Justin, o poder era usado para chegar ao topo. Justin considerava o poder um bem escasso, ou seja, quanto mais ele tivesse, menos os outros teriam. Estava constantemente tentando manter o poder nos seus relacionamentos, imaginando que se abrisse mo dele acabaria na posio mais fraca. Esta idia dava origem a uma contnua luta de poder nos relacionamentos pessoais de Justin. Durante o processo teraputico, Justin e eu vivemos uma experincia diferente de poder. Embora no incio ele se sentisse ameaado pelo que supunha ser meu poder como terapeuta, esta sensao j no  mais to intensa. Ele est comeando a compreender que posso ser poderoso na vida dele de uma maneira que lhe confira poder, e isso  bom para ele. O trabalho realizado em comum  que promove essa compreenso. Justin inicialmente imaginou que eu tinha poder sobre ele porque tenho o grau de doutor e ele est me pagando. Agora ele percebe que  o nosso relacionamento que lhe d o poder de compreender melhor a si mesmo. O fato de eu conhec-lo o ajuda a se conhecer melhor. Est comeando a entender o poder da maneira que Jesus queria que o compreendssemos. Existem muitos tipos de poder: fsico, poltico, financeiro, intelectual, espiritual, pessoal; a lista  bem longa. Embora algumas pessoas persigam o poder em todas as suas formas, Jesus s estava interessado no poder verdadeiro, aquele que perdura. Alguns pensam no poder pessoal como uma fora que emana de algum e possibilita que essa pessoa alcance a sua excelncia individual. Para Jesus, o poder pessoal era uma ligao amorosa com os outros que resultava em algo muito maior do que a excelncia individual. O poder pessoal  uma unio espiritual entre seres humanos que faz com que cada pessoa seja mais do que ela poderia ser isoladamente. O poder pessoal no nasce dentro das pessoas; ele  uma fora criada entre elas. Jesus sabia que Csar estava interessado em um tipo de poder que desapareceria quando ele morresse, e  por isso que disse: "Dai a Csar o que  de Csar." Jesus estava interessado no poder que transcende a morte. Para ele, o poder pessoal era

o poder alcanado com outras pessoas e no sobre os outros. Ele achava que era um erro tentar obter poder individualmente. O tipo de poder que ele queria para ns s podia ser sentido se fosse partilhado. PRINCPIO ESPIRITUAL: O poder pessoal  o poder com outras pessoas e no sobre elas.

O PODER DE SER CONHECIDO PESSOALMENTE "Eu vos conheo." Joo 5:42 Olvia veio fazer terapia para trabalhar a auto-estima. Ela queria ter mais confiana em si mesma e vencer a timidez. Lera alguns livros sobre auto-estima e tentara praticar as sugestes includas neles, mas sua maneira de pensar e de sentir no mudara muito. No final da nossa primeira sesso, Olvia pediu-me que lhe passasse uma tarefa para fazer em casa. --Gostaria de trabalhar um pouco a minha auto-estima todos os dias -- disse ela. -- Qualquer coisa que voc me der para fazer vai me ajudar a lidar mais rpido com esse problema. --Acho que voc j leu muito coisa sobre auto-estima - retruquei. -- Talvez o que voc precise aprender mais neste momento seja conhecer a si mesma, e acho que ns dois precisamos estar juntos para fazer isso acontecer. Pude perceber que o processo que levaria Olvia a compreender mais profundamente a si mesma se daria  medida que ela se sentisse conhecida. No decorrer dos meses seguintes foi exatamente isso o que aconteceu. Na terapia, descobri que Olvia sentia-se mal a respeito de quem era. Por isso, raramente se abria com as pessoas e mantinha em segredo os sentimentos negativos, com medo de que os outros pudessem sentir o mesmo por ela. Infelizmente, os segredos ocultos raramente se modificam com leituras ou conselhos. Ela precisava expor seus segredos para outra pessoa para poder sentirse pessoalmente conhecida e acolhida. Este era o ponto de partida para a transformao da sua auto-estima. O fato de ela fingir ser uma pessoa diferente do que era no contribua em nada para sua auto imagem. Ela precisava se sentir aceitvel tal como era e a partir da crescer e se aprimorar. A terapia de Olvia a tem ajudado muito. Em vez de querer que eu lhe fornea informaes, ela passou a desejar ser conhecida por mim. Eu no a vejo mais como uma moa tmida, e outras pessoas tambm esto notando uma diferena. Acredito que Olvia esteja se tornando pessoalmente mais poderosa porque descobriu que  conhecida e compreendida, e isso no faz com que ela se sinta to mal. Com efeito, perder o medo da verdade fez Olvia sentir-se muito melhor. Os seres humanos no podem viver isolados, e por isso procuramos nos relacionar com os outros. A experincia de sermos conhecidos e entendidos nos confere a sensao psicolgica de que tudo est bem. Temos que perceber que somos

conhecidos pelos outros, tal como somos - e no apenas pelo que fazemos - para nos sentirmos psicologicamente completos. Esse tipo de conhecimento  compartilhado entre as pessoas, pois so necessrias duas pessoas para criar o conhecimento pessoal. Quando ele se fundamenta na verdade, ambas as pessoas so transformadas e crescem. Jesus acreditava que fomos criados com o propsito de conhecer Deus e sermos conhecidos por ele. Um ponto central do seu ensinamento era comunicar o poder transformador de conhecer Deus, que no  um conhecimento intelectual e isolado, mas uma experincia que s se d no relacionamento. PRINCPIO ESPIRITUAL: O conhecimento pessoal  criado entre as pessoas e no dentro delas.

O PODER DA EMPATIA "Vinde ver um homem que me disse tudo o que j fiz'' Joo 4:29 John foi forado a fazer terapia devido  sua dificuldade em se relacionar com as pessoas. Estava prestes a perder o emprego e a sua mulher ameaava pedir o divrcio. Ele no gostava de psiclogos e achava que a terapia era um desperdcio de dinheiro. Mas como queria mostrar  mulher que estava tentando fazer alguma coisa para manter o casamento, veio me procurar. Descobri logo que John era o tipo de pessoa de quem acho difcil gostar. Ele achava que tinha o direito de ser rude com os outros, freqentemente agia de modo ameaador e acreditava em vencer atravs da intimidao. Vrias vezes em nossas sesses ele me provocava, como se estivesse procurando um motivo para discutir. Era brigo e orgulhava-se disso. Apesar da dificuldade em relacionar-me com John, vim a compreend-lo com o tempo. Ele havia sofrido vrias humilhaes dolorosas na vida e sentia muita raiva por causa disso. Embora no se abrisse completamente comigo a respeito de seus traumas, cheguei a entend-lo o suficiente para ajud-lo a perceber a ligao entre sua raiva e os acontecimentos passados que ainda despertavam nele um desejo de vingana. Ele fora ferido, e algum tinha que pagar por isso. Eu gostaria de poder dizer que me tornei uma figura semelhante a Cristo para John na nossa terapia e que foi isso que o curou da raiva. Mas em muitos aspectos fiquei bem aqum do que Jesus teria feito. No entanto, fiz uma coisa que o beneficiou. Eu o acolhi e compreendi o suficiente para ajud-lo a conhecer-se um pouco melhor, ajudando-o a mudar. John terminou a terapia entendendo por que fica com tanta raiva e sendo mais capaz de lidar com isso e expressar seus sentimentos. Eu no diria que John est curado, mas afirmaria que ele melhorou muito. Apesar de ter sido difcil para mim, o fato de eu ter acolhido e compreendido com empatia a dor de John foi muito positivo na vida dele. Ele no conseguiu escapar do impacto da empatia.

A mulher  beira do poo foi to profundamente tocada pela forma emptica com que Jesus a compreendeu que teve a sensao de que ele sabia "tudo o que ela tinha feito". Era assim que Jesus demonstrava o seu poder pessoal. Ele mostrava seu poder milagroso e espiritual em outras ocasies,2 mas gostava especialmente de comunicar o poder pessoal por meio da sua empatia pelos outros, fazendo com que suas vidas se modificassem para sempre. Empatia  sinnimo de compreenso, e ningum na histria demonstrou ser mais capaz de evidenci-la do que Jesus. PRINCPIO ESPIRITUAL: A maior expresso de empatia  sermos compreensivos com algum de quem no gostamos.

O PODER DA SOLIDARIEDADE "Deus amava tanto o mundo..." Joo 3:16 Supervisiono vrios alunos de terapia no centro de aconselhamento onde trabalho. Gosto muito de trabalhar com terapeutas iniciantes porque eles trazem um grande entusiasmo para o exerccio da terapia.  claro que eles no tm muita experincia quando comeam a praticar, mas descobri que compensam a falta de prtica com a compaixo que sentem pelos pacientes. Connie foi escolhida para ser a primeira paciente de Mary, uma das alunas que esto sob a minha superviso. Connie, que tivera uma criao terrvel, nunca fizera terapia antes e jamais falara com outro ser humano a respeito do abuso que sofrera quando criana.  medida que a terapia foi progredindo, Connie comeou a sentir-se segura o suficiente para compartilhar com Mary as experincias que guardara em segredo a vida inteira. Foi doloroso at mesmo para Mary ouvir o relato do abuso e da degradao humilhantes que Connie sofrera, mas ambas sabiam que o fato de Connie recontar a sua histria era uma parte essencial da sua cura. Numa sesso, apesar de temer no estar tendo uma postura profissional, Mary no conseguiu se conter e comeou a chorar. No final da sesso, as duas conversaram a respeito de como tinha sido doloroso para Connie sobreviver sozinha a tudo o que sofrera na infncia. Mary sentia por Connie uma genuna compaixo, e ambas sabiam disso. Durante o perodo da minha superviso, Mary e eu descobrimos que suas lgrimas espontneas na presena de Connie tiveram um grande poder teraputico. At ento, Connie sentia medo de compartilhar a sua histria com algum, por ter muita vergonha. Ela temia que quem escutasse o relato do abuso que sofrera ficasse to zangado com ela quanto sua me ficara quando Connie acusou o pai. As lgrimas de Mary lhe transmitiram uma mensagem bem diferente: ela compreendeu que no era responsvel pelo abuso e que poderia ser amada mesmo nos momentos em que se sentia menos digna de receber amor. Connie tinha medo de que os seus sentimentos negativos contra o pai a tornassem uma pessoa m, mas a solidariedade de Mary fez com que ela sentisse que tinha valor suficiente para que as pessoas se preocupassem com ela.

Tanto Mary quanto Connie descobriram uma coisa que Jesus ensinou sculos atrs. A compaixo nos confere um poder pessoal. No caso de Mary, esse sentimento lhe deu o poder de facilitar a cura de Connie, que ningum tinha feito antes. Solidariedade  diferente de empatia. Solidariedade  o sentimento de compaixo por outra pessoa, que pode assumir a forma de calor humano, misericrdia ou mesmo piedade. Podemos ser solidrios com as pessoas mesmo quando no as entendemos. A solidariedade era um dos aspectos do poder pessoal de Jesus. Jesus no veio ficar entre ns porque "Deus amava tanto o mundo". Ele nunca se aproximou das pessoas transmitindo-lhes a idia de que elas precisavam mudar para serem dignas de amor. Ningum precisava fazer nada para conquistar o seu amor, pois ele amava as pessoas por serem quem eram, com todas as imperfeies que pudessem ter. Jesus era poderoso porque era solidrio com as pessoas. PRINCPIO ESPIRITUAL: A compaixo  um precioso instrumento de transformao.

AS PESSOAS OU A POLTICA? "O maior entre vs ser vosso servo." Mateus 23:11 Halle era uma profissional bem sucedida que havia demonstrado que a mulher pode ser eficiente em um setor dominado pelos homens, mas o seu sucesso tivera um preo. Por saber que se fosse "excessivamente emocional" nas reunies de negcios no seria levada a srio, Halle tornara-se perita em reprimir seus sentimentos. Ela conseguia alcanar com eficcia as metas da empresa, mas seus objetivos pessoais foram deixados em segundo plano. Durante a terapia, Halle e eu descobrimos algumas contradies na sua vida. Ela estava sendo obrigada a tomar decises que atendiam profissionalmente, mas no emocionalmente, aos seus interesses. O fato de sufocar seus sentimentos a respeito das prticas injustas, e s vezes cruis, dos seus associados preservava a sua posio na organizao mas prejudicava sua sade psicolgica. Por outro lado, expressar esses sentimentos poderia ser benfico do ponto de vista emocional, mas lhe custaria o emprego. Quando examinvamos os vrios aspectos das escolhas que Halle estava fazendo, ela chegou a uma difcil concluso. Embora descortinasse para si um futuro profissional brilhante se continuasse a calar-se ante as injustias que presenciava, Halle concluiu que o preo a pagar seria excessivamente alto. Pessoas importantes na sua vida estavam sofrendo por causa das suas escolhas, inclusive ela mesma. Aquelas que ela menos respeitava eram as que estavam se beneficiando mais. Halle decidiu que no queria viver daquela maneira; para ela, a dignidade daquelas pessoas valia mais que o seu sucesso na empresa. Hoje, Halle  uma executiva de sucesso em uma organizao sem fins lucrativos e adora o emprego. Ela moderou o seu estilo de vida para se adequar  reduo salarial no novo emprego, mas melhorou muito sua qualidade de vida, pois se

respeita mais e se relaciona melhor com as pessoas que ama. Halle no  mais to ansiosa e deprimida e se sente feliz na maior parte do tempo. A felicidade e a paz de esprito no so sentimentos que ela costumava levar em conta h alguns anos no seu processo de tomada de decises, mas hoje so os primeiros na sua lista de prioridades. A ambio pode levar as pessoas a procurar o poder poltico e profissional. Os seres humanos so ambiciosos por vrias razes, algumas das quais bastante saudveis e positivas. O poder pessoal, contudo,  motivado pelo amor. Jesus estava disposto a sacrificar qualquer coisa politicamente correta para preservar o seu poder pessoal. Nem mesmo aqueles mais prximos de Jesus compreendiam o seu poder pessoal. Seus discpulos discutiam entre si sobre quem seria a figura mais importante no reino poltico de Jesus que estava para ser criado.3 Sem dvida, pensavam eles, uma pessoa poderosa como Jesus ascenderia  posio poltica de destaque que desejasse. Mas Jesus priorizou as pessoas quando disse: "O maior entre vs ser vosso servo." Para ele, o poder pessoal sempre seria vivido dessa maneira. PRINCPIO ESPIRITUAL: Ser politicamente correto muitas vezes encerra um alto preo pessoal.

A DIFERENA ENTRE CONFIANA E ARROGNCIA "Todos os que lanarem mo da espada, pela espada morrero." Mateus 26:52 Brian havia lido muitos livros sobre autoconfiana. Ele buscava o sucesso e exercia seu poder atravs da intimidao. Para ele, autoconfiana era a fora interior que lhe permitia atingir a supremacia pessoal sem sentir-se mal a respeito de si mesmo nesse processo. O conceito de autoconfiana de Brian o fazia trabalhar arduamente na sua carreira sem nenhum sinal de insegurana. Mas a sua vida pessoal estava se deteriorando. Os amigos se afastavam e eram substitudos por seus scios nos negcios e por pessoas com interesses semelhantes aos dele. Seus colegas o temiam, e os seus relacionamentos com as mulheres estavam cada vez mais difceis. Embora Brian afirmasse estar gostando de si mesmo mais do que nunca, todo mundo parecia estar gostando menos dele. Pouco a pouco, no decorrer da terapia, Brian percebeu que suas idias a respeito da autoconfiana eram uma tentativa de encobrir suas carncias. Ele queria sempre mais coisas porque sem elas sentia-se mal. Estava tentando dissimular maus sentimentos em vez de perseguir os bons. Brian agora est comeando a redefinir a autoconfiana na sua vida, fazendo com que ela se baseie mais na satisfao interior do que no sucesso. Hoje ele se preocupa em usufruir mais daquilo que est ao seu alcance do que em buscar continuamente novas coisas. Brian est comeando a compreender que a sua busca da supremacia pessoal no estava aumentando a sua autoconfiana e sim tornando-o arrogante. Concentrar-se em ser melhor do que os outros nunca o fez sentir-se bem a respeito de si mesmo.

Para que isso acontecesse ele tinha que forar uma situao. A paz interior no surgia naturalmente ou com facilidade. Brian est comeando a entender o que Jesus quis dizer quando falou: "Todos os que lanarem mo da espada, pela espada morrero." Seu modo de encarar o mundo como um campo de batalha psicolgico onde somente os fortes sobrevivem o estava obrigando a fundamentar a sua opinio sobre si mesmo no que ele fazia e no em quem ele era. Isso nos obriga a depender sempre do ltimo desempenho e nos deixa em estado de ansiedade ante o prximo desafio. Em vez de reforar a autoconfiana de Brian, as vitrias nessa guerra estavam aumentando a sua arrogncia, o que afastava as pessoas. Quando Brian passou a basear sua autoconfiana no fato de ser uma pessoa mais autntica, comeou a atrair as pessoas. Brian ainda  um homem de negcios extremamente bem-sucedido e est a caminho do topo da sua profisso, mas no quer estar sozinho quando chegar l. As pessoas sabiam imediatamente que Jesus possua poder pessoal e muita autoconfiana. Ele se sentia suficientemente seguro e  vontade para fascinar multides ou acolher uma criana. Possua a capacidade nica de transmitir confiana sem ser confundido com um homem arrogante com necessidade de exercer controle.  fcil testar se estamos ou no na presena de uma pessoa autoconfiante. Diante de algum que possui uma verdadeira auto-estima, ns nos sentimos mais  vontade e poderosos. Na presena de uma pessoa que tem uma falsa auto-estima e est tentando compensar este fato com a arrogncia, ficamos diminudos e intimidados. Jesus no precisava que os outros se sentissem diminudos para se sentir poderoso. As pessoas sentiam-se agradecidas por o terem conhecido. PRINCPIO ESPIRITUAL: A confiana fortalece, ao passo que a arrogncia subjuga.

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Conhecendo o seu verdadeiro valor
Quando Jesus e os discpulos continuaram a seguir o seu caminho para Jerusalm, chegaram a um povoado no qual uma mulher de nome Marta os recebeu em sua casa. A irm dela, Maria, estava sentada aos ps do Senhor e escutava as suas palavras. Marta estava ocupada pelo muito servio. Parando, por fim, disse: "Senhor, no te parece injusto que minha irm fique sentada enquanto eu fao todo o servio? Dizlhe que venha me ajudar." Mas o Senhor retrucou: "Marta, Marta, tu te inquietas e agitas por muitas coisas! No entanto, apenas uma coisa merece a nossa preocupao. Maria com efeito escolheu a melhor parte que no lhe ser tirada?" Lucas 10:38-42 Embora Marta achasse que sua irm estava sendo egocntrica ao deixar de ajudla, Maria, ao contrrio, estava crescendo espiritualmente ao concentrar-se no relacionamento com Jesus. Ele nos ensina que s podemos encontrar o nosso centro espiritual interior ao reconhec-lo como a dimenso do divino em ns. As pessoas que entram em contato com sua dimenso divina so pessoas retas e ntegras. A retido espiritual envolve confiar em algum maior do que ns, o que  diferente de confiarmos apenas em ns. Marta confiava apenas em si e em seu trabalho. Maria procurava a retido espiritual confiando e entregando-se a Deus. Muitas pessoas, como Marta, procuram ser virtuosas aos seus prprios olhos desenvolvendo comportamentos que consideram adequados. Jesus sabia que os comportamentos verdadeiramente retos e ntegros so conseqncia do relacionamento com Deus. O termo "retido" pode aplicar-se tanto ao nosso relacionamento com os outros quanto com Deus. Para ter um relacionamento reto com os outros precisamos aceitar que termos necessidade deles  sinal de fora e no de fraqueza.1  somente atravs do nosso relacionamento com Deus e com os outros que podemos alcanar o nosso mais elevado potencial. Quando tentamos fazer as coisas completamente sozinhos, acabamos como Marta, nos esforando para parecermos virtuosos aos nossos prprios olhos, mas sempre insatisfeitos.

SOMOS TODOS PECADORES "Aquele de vs que estiver sem pecado atire a primeira pedra." Joo 8:7 Dalton e Miranda pareciam um timo casal. Eram pessoas atraentes e divertidas. Tinham uma casa grande, filhos bonitos e muitos amigos. Aparentemente tudo parecia andar s mil maravilhas para eles. Mas as aparncias podem enganar. Miranda sabia que Dalton era um homem maravilhoso, mas ela se sentia insatisfeita no casamento. Dalton era divertido, mas adorava contar as prprias histrias e tinha dificuldade em ouvir as dela. Ela o achava bonito e atraente, mas sempre muito apressado ao fazer sexo. Miranda queria algo mais. Ela desejava ter uma comunho maior com o marido, de corao para corao, e sentir que era profundamente compreendida. Miranda queria mais intimidade e no acreditava que Dalton fosse capaz. As coisas aconteceram aos poucos. Miranda comeou a ter regularmente conversas intensas e pessoais com um dos vizinhos. Sheldon era amigo do casal, e Miranda constatou que gostava muito de conversar com ele. "Tnhamos uma enorme afinidade um com o outro", ela explicou mais tarde. "Era como se eu tivesse conhecido Sheldon a vida inteira. Conversar com ele no requeria esforo. Nada parecia mais natural." Em um determinado momento, Miranda compreendeu que estava tendo um caso emocional. Ela no tinha qualquer relao fsica com Sheldon, mas certamente estava oferecendo a ele as partes mais ntimas do seu eu emocional. Dalton e Miranda fizeram a sbia escolha de procurar o aconselhamento conjugai para lidar com a situao em que se encontravam. Ela contara ao marido a natureza do seu relacionamento com Sheldon e tinha concordado em romp-lo a fim de descobrir se o casamento deles poderia ser salvo. Dalton estava profundamente magoado e zangado, porque no tinha feito de fato nada de errado. Quando no somos abandonados por causa do que fizemos, provavelmente  em virtude de quem somos, o que  uma coisa muito dura de suportar. Dalton reagiu, um pouco talvez por esprito de competio, mas principalmente porque amava sinceramente sua mulher. Lutou por ela e pela famlia, mas no de forma defensiva e destrutiva. Foi preciso um grande esforo para dizer a Miranda o quanto estava humilhado, mas no descansou enquanto no teve certeza de que ela compreendia a profundidade de sua dor e de sua raiva. Tomou conhecimento de como ela se sentia solitria no casamento e esforou-se para entender a sua parte no processo. Muitas vezes Dalton sentiu muita raiva de Miranda, mas se conteve. Ele sabia que no era perfeito e no ia melhorar as coisas agindo precipitadamente. Mas em algum ponto do processo do aconselhamento conjugai Dalton descobriu que era capaz de ficar zangado e ao mesmo tempo ser amoroso. Aprendeu que o oposto do amor no era a raiva, mas a indiferena, e que ele tinha sido omisso no seu relacionamento com Miranda. Miranda tambm aprendeu alguns fatos a respeito de si mesma. Descobriu que tomar posse de coisas que no lhe pertenciam (Sheldon tambm era casado) era uma soluo egosta para os seus problemas. Constatou que no tinha sido uma pessoa to aberta quanto imaginara ser e que tinha julgado Dalton injustamente ao consider-lo psicologicamente inferior a ela. Mas o mais importante  que Miranda compreendeu que podia ser amada em um momento da vida em que menos

merecia. Quando entendeu o quanto Dalton tinha sido ferido com o seu envolvimento, ficou impressionada ao descobrir como ele ainda a amava. Miranda e Dalton representam uma histria de sucesso no aconselhamento conjugai. Eles comearam como pessoas imperfeitas que haviam contribudo para a ferida no casamento. Ao reconhecer este fato, estavam admitindo que ambos eram "pecadores" na terminologia de Jesus. Reconhecer que haviam errado foi o ponto inicial para corrigir as coisas. Hoje o casamento deles  um "processo em andamento". A comunicao entre os dois est mais intensa, os sentimentos de amor so mais fortes e ambos diriam que o casamento est melhor que nunca. A unio deles no  perfeita, mas tem a retido que Jesus achava que os relacionamentos devem ter. Em determinada ocasio, uma mulher apanhada em flagrante de adultrio foi levada  presena de Jesus para que certos lderes religiosos pudessem testar o seu respeito pela lei judaica que exigia que a mulher fosse apedrejada at morrer. Mas Jesus via a retido de outra maneira. Ele pediu a cada pessoa na multido que examinasse o prprio corao dizendo: "Aquele de vs que estiver sem pecado atire a primeira pedra." Ningum teve coragem de atirar. Ao fazer isso, Jesus estava deixando clara a sua definio de retido e integridade. As pessoas retas seguiam leis religiosas em decorrncia do relacionamento que j tinham com Deus e no para se tornarem retas. Muitas vezes usamos leis e regras para provarmos que estamos certos. No entanto, o primeiro passo em direo  retido  reconhecer que somos todos pecadores, capazes de incorrer em erros no nosso relacionamento com os outros. Jesus quer que essa capacidade de errar v sendo superada. No final, ele disse  mulher que "deixasse a vida de pecado". Ele sabia que gestos e atitudes de amor ajudam as pessoas a serem melhores. Se os nossos relacionamentos forem amorosos, ser mais fcil agir com retido. Relacionamentos comprometidos do espao para atos moralmente incorretos. Como psiclogo, concordo plenamente com isso. Os meus pacientes que vivem casos ilcitos e destrutivos fazem isso por causa de maus relacionamentos, de feridas no curadas, de desapontamentos ou de falta de amor. Dizer-lhes que sigam as regras geralmente no adianta. O que funciona  am-los. PRINCPIO ESPIRITUAL: Ns nos tornamos retos quando nos sentimos amados, mesmo quando estamos errados.

VOC NO  DEUS "Ao Senhor teu Deus adorars e somente a ele servirs." Lucas 4:8 Chloe  uma alma torturada. Ela se mortifica por qualquer coisa, constantemente sente-se culpada e reduziu o contato humano na sua vida a uns poucos amigos que raramente v. Chloe quase no sai de casa porque tem medo de que possa acontecer alguma coisa que arrune o seu dia, de modo que prefere no deixar a segurana do seu apartamento. Chloe morre de medo de micrbios e passa uma enorme parte do dia ocupada em livrar-se deles. Ela precisa certificar-se de que suas mos esto limpas, lavando-as repetidas vezes. No convida ningum para ir ao seu apartamento porque, se algum tocar em algum objeto seu, deixar micrbios nele e ela ser forada a limp-lo repetidas vezes. Chloe sofre de um distrbio obsessivo compulsivo. Ela no percebe, mas os micrbios no so o seu verdadeiro inimigo. Ela teve boas razes para sentir medo muitas vezes, mas isso comeou muito antes de ela pensar em micrbios. Chloe foi criada como filha nica em uma casa onde seus pais brigavam constantemente. Ela consegue lembrar-se que chorou muitas noites at conseguir dormir, com um medo terrvel de que algum se machucasse e seus pais acabassem se divorciando. Chloe temia que o seu mundo fosse desmoronar e no tinha a menor idia do que faria se isso acontecesse. "Por favor, Deus", ela rezava todas as noites. "Prometo ser uma boa menina pelo resto da vida se voc fizer com que eles parem de brigar." Mas os pais de Chloe continuavam a brigar, de modo que com o tempo a menina voltou-se para um mundo secreto de fantasia para lidar com o seu medo. Ela imaginava que, se fizesse o percurso da escola at em casa sem pisar em nenhuma rachadura na calada, seus pais no discutiriam naquela noite. s vezes, quando os ouvia brigando, ela imaginava que, se pensasse com suficiente intensidade em uma palavra especfica, ela os faria parar. Como os pais de Chloe no a faziam sentir-se segura, ela tinha que procurar segurana sozinha. Se no havia ningum maior e mais forte que ela em quem pudesse confiar, ela tinha ento que confiar no pensamento mgico da sua mente. Infelizmente, a fantasia de Chloe de que a sua mente possua poderes mgicos expandiu-se alm da tentativa de fazer os pais pararem de brigar. Quando atingiu a idade adulta, a fantasia havia se difundido para vrias reas da sua vida na tentativa de criar uma sensao de segurana em um mundo cheio de ameaas. Hoje em dia, a sua principal preocupao so os micrbios. Agora ela imagina que se seguir os ditames da sua mente ficar a salvo dos perigos que os micrbios oferecem. Como no podia confiar nos pais, e nem mesmo em Deus para proteg-la do mal, ela foi obrigada a depositar a sua confiana no poder da prpria mente. Jesus ensinou que as pessoas, no seu desejo de segurana e proteo, precisam ter conscincia do amor de Deus. Idolatrar qualquer outra coisa simplesmente no funciona. Precisamos sentir-nos protegidos, mas no podemos obter esse sentimento sem que algum maior do que ns esteja presente quando precisarmos. Sob o aspecto psicolgico, s podemos desenvolver a capacidade de nos acalmar se tivermos tido em nossa vida algum em quem podamos confiar e admirar durante a nossa fase de desenvolvimento. Jesus queria que as pessoas

depositassem a sua confiana em Deus, porque  exatamente disso que elas precisam para conseguir a paz interior. Quem  mais capaz de nos fazer sentir seguros do que o criador do universo? Chloe tentou venerar o poder da prpria mente, e isso s a levou em direo  angstia e ao medo. Jesus ensinou que no devemos adorar a Deus em proveito dele e sim em nosso benefcio. PRINCPIO ESPIRITUAL: Venerar a prpria mente  servir a um deus muito pequeno.

A CHAVE PARA A ESPIRITUALIDADE "Aquele a quem pouco se perdoa pouco ama." Lucas 7:47 Considero importante examinar o passado, mas no creio que devamos viver nele. Com essa observao, quero dizer que compreender o impacto da nossa histria passada no nosso presente nos deixa livres para fazer as escolhas mais saudveis. Rebecca no entendia de que maneira a sua infncia estava prejudicando sua vida na idade adulta. Paradoxalmente,  conversando a respeito do passado que podemos libertar-nos dele. Rebecca foi criada em uma comunidade conservadora onde aprendeu valores familiares tradicionais. Ela  grata pela criao que teve e ama muito seus pais. O nico fato da infncia e adolescncia que ela se recusa a ver como problemtico  que a sua nica irm, Sabrina, era deficiente mental. Isto representou um fardo financeiro e emocional para seus pais, e Rebecca reconhecia isso. Ela sempre admirou a dedicao e a maneira abnegada com que eles cuidavam de Sabrina. "Eles sempre foram to bons",  como Rebecca descrevia os pais. "Quero dizer, eu sei como era difcil lidar com Sabrina e com tudo o mais, mas eles nunca se queixavam. Nem uma nica vez ouvi algum dos dois falar como se lamentasse alguma coisa. Meus pais so incrveis." Essa dedicao, porm, criou um problema para Rebecca. Como nunca ouviu os pais se queixarem, ela acreditava que se reclamasse de qualquer coisa estaria errada. Mas ela tinha queixas com relao ao tempo e  energia que os pais despendiam para cuidar de Sabrina e ao fato de sentir-se responsvel pela irm quando os pais no estavam por perto. Rebecca secretamente ressentia-se por no ter sido criada em um lar normal ao qual pudesse convidar os amigos sem envergonhar-se. Rebecca nunca foi capaz de admitir esses sentimentos na frente dos pais: "Afinal de contas, veja bem tudo o que eles fizeram." "Sinto-me muito mal. Eu acho horrvel sentir ressentimento de uma irm mentalmente deficiente. Quero dizer, eu tive sorte. Sou esperta e normal. Afinal, posso dizer que graas a Deus eu escapei..." Rebecca sentia-se terrivelmente culpada por seus sentimentos em relao a Sabrina. Ela se achava uma pessoa m por sentir-se assim. A terapia de Rebecca obrigou-a a enfrentar outra tarefa difcil. Para ficar curada dos sentimentos dolorosos que tinha dentro de si, ela teria que conceder o perdo  pessoa mais difcil de

perdoar - ela mesma. Ela precisava aceitar-se e perdoar a si mesma por ressentir-se de Sabrina, por desejar que os pais lhe tivessem dado mais do que ela recebera e por ser a filha normal. Ela tinha que aceitar esses sentimentos como naturais e descobrir que no somos culpados por aquilo que sentimos, mas pelos atos que cometemos quando prejudicam os outros. Para amar a si mesma e aos outros do jeito aberto e vulnervel que desejava, Rebecca teria que remover o muro de culpa e ressentimento ao redor do seu corao. Perdoar a si mesma era a nica maneira de fazer isso. A forma mais profunda de perdo  um processo de compreenso que exige esforo e mudana interior. Para chegar a este ponto,  necessrio um processo mais ou menos longo. Quanto mais tomamos conscincia de nossos sentimentos e os entendemos, mais podemos mudar de idia e mais profundamente somos capazes de perdoar. Felizmente, Rebecca foi capaz de dedicar-se  terapia, e o processo de perdoar a si mesma est caminhando bem. Exatamente como Jesus previu, existe um poderoso relacionamento entre nos sentirmos perdoados e a capacidade de amar. A pessoa que Rebecca precisava perdoar era ela mesma. Jesus ensinou que o perdo  uma das ferramentas mais poderosas  disposio da humanidade. Muitos subestimam a importncia psicolgica do perdo. A vida de inmeras pessoas foi transformada no decorrer da histria humana por sentirem-se aceitas e perdoadas. Alm disso, Jesus tambm ensinou que o perdo beneficia quem perdoa. O perdo remove os ressentimentos que nos impedem de desenvolver nossa espiritualidade. Como Rebecca descobriu, a frase "aquele a quem pouco se perdoa pouco ama"  especialmente verdadeira quando somos ns a pessoa que precisa de perdo. PRINCPIO ESPIRITUAL: Existem ocasies em que perdoar a ns mesmos  o mais rduo ato de amor.

O AMOR POR SI MESMO "Ama o teu prximo como a ti mesmo." Mateus 22:39 Pierre tenta ser um exemplo positivo para seus alunos. "As crianas hoje em dia precisam admirar algum e eu levo a minha funo de professor muito a srio neste sentido", declarou ele, orgulhoso. Eu admirava Pierre por dedicar a vida a ajudar crianas e o admirei ainda mais por ele ter vindo fazer terapia quando essa dedicao comeou a deix-lo exausto. "Eu sei que o meu trabalho com as crianas  realmente importante. S preciso de alguma ajuda para recuperar o entusiasmo. O pensamento negativo nos bloqueia", disse-me ele depois de um seminrio de aperfeioamento pessoal do qual participara. "S preciso imaginar que estou mais feliz para que isso se torne realidade. Ns somos aquilo em que acreditamos."

Achei que Pierre estava negando alguma coisa importante. Era como se o amor por si mesmo dependesse apenas de como ele se sentia a seu prprio respeito, independente de outras pessoas. Ao falar sobre sua infncia, Pierre comentou: "Preciso apagar essas lembranas sobre os meus pais. Tudo isso est no passado. Preciso amar a mim mesmo e no depender tanto do amor de outras pessoas." Os pais de Pierre o haviam negligenciado quando criana, de modo que ele aprendera cedo na vida a no esperar que outra pessoa lhe desse o que precisava. A verdade era que Pierre no se sentia amado e queria distanciar-se desses sentimentos. Fazer coisas positivas e conversar consigo mesmo de maneira otimista eram os recursos que usava para superar os sentimentos dolorosos. Infelizmente, a estratgia de Pierre no estava funcionando to bem quanto ele desejaria. Como seus pais o tinham depreciado muito, ele lutava para evitar os sentimentos resultantes de autocondenao. Suas tentativas de amar a si mesmo visavam acalmar as vozes interiores de insegurana e desprezo. O problema de Pierre no era a falta de amor por si mesmo, mas a rejeio por si mesmo. Seus esforos eram tentativas de encobrir a rejeio. No decorrer da nossa terapia, Pierre parou de tentar me convencer de que o amor por si mesmo  apenas uma atitude mental que se pode aprender repetindo frases poderosas. Em vez disso, passamos a conversar mais sobre o que ele no gosta nele mesmo.  medida que Pierre compartilha comigo o que realmente sente com relao a si, ele descobre que j no tem que encobrir tantas coisas quanto antes. Embora seus pais tenham lhe transmitido o sentimento de ser intil, a experincia de ter algum que o escute nos seus piores momentos est lhe dando a sensao de que talvez haja alguma coisa boa nele. Pierre aprendeu com os pais que, quando nos desprezamos, prejudicamos nosso relacionamento com os outros. Na terapia, descobriu como  amar a si mesmo. Hoje, Pierre est mais feliz no seu papel de professor. Ele deixou de tentar convencer as crianas de que elas precisam amar a si mesmas para vencer na vida. Agora ele simplesmente as ama. Pierre aprendeu que esta  a coisa mais poderosa que ele pode fazer tanto pelos outros quanto por si mesmo. Jesus deixou muito claro que a sua definio do amor por si mesmo no significava egocentrismo. Para ele, o amor por si mesmo estava intimamente ligado ao amor pelos outros, assim como o dio por si mesmo conectado ao abuso dos outros. Quando disse: "Ama o teu prximo como a ti mesmo", Jesus estava explicando que s pode amar os outros quem se ama. O amor a si mesmo no pode estar separado do amor aos outros; um depende do outro. O amor se multiplica quando  distribudo, assim como o dio destri enquanto permitimos que ele exista. PRINCPIO ESPIRITUAL: O amor por si mesmo e o amor aos outros -um no pode ser praticado sem o outro.

ABRIR-SE PARA O AMOR "Estais em mim e eu em vs." Joo 14:20 Jake procurou-me porque a mulher o estava abandonando. Eles vinham tendo problemas conjugais h vrios anos, mas tinham tentado resolver as coisas por conta prpria. Jake era um homem de negcios franco e carismtico, e a sua mulher era do tipo introvertido. Aparentemente, Jake dominava no relacionamento, e a mulher se tornara uma pessoa ressentida e incapaz de expressar a sua infelicidade. At resolver sair de casa. Jake era capaz de admitir que no era perfeito, mas no acreditava que merecesse o abandono da mulher. Achava que ela estava sendo egosta ao fugir dele. Ambos haviam investido nove anos no casamento, e ele no conseguia acreditar que aquilo estivesse acontecendo. No incio Jake queria falar exclusivamente da mulher. As sesses eram cheias de pedidos para que eu o ajudasse a faz-la voltar. Ele estava basicamente interessado em entend-la e fazer com que ela mudasse de opinio. Jake estava fazendo terapia para mudar a mulher.  medida que o tempo foi passando, Jake comeou a perceber que estava fazendo na terapia o que estivera fazendo no casamento nos ltimos nove anos, e que no estava dando certo. Ele no era uma pessoa m, nem particularmente egosta, mas a sua felicidade dependia de as outras pessoas fazerem o que ele queria que elas fizessem. Jake desejava que a mulher o quisesse, mas ela precisou afastar-se dele para descobrir se isso era tambm o que ela queria. Ele exigia que ela o amasse, mas o amor exigido no  um presente valioso. Embora fosse difcil para ele, Jake aos poucos deixou de se concentrar em tentar mudar a mulher e passou a procurar entender a si mesmo. Quando comeou a olhar para dentro de si, o seu desejo de culp-la desapareceu. Chegou ao ponto de achar que ela s deveria voltar quando ela sentisse que era o que desejava. Embora ele estivesse magoado por ter sido abandonado, o fato de achar que era responsvel pelo afastamento dela estava comeando a mago-lo ainda mais. Por sorte, a mulher de Jake voltou. Voltou para um homem bastante diferente. Hoje Jake escuta mais quando ela fala e expressa como se sente com relao ao que ela diz. Est mais calmo, a sua presso se estabilizou e ele consulta a mulher sobre as decises que precisam tomar. Jake est mais centrado porque o seu relacionamento com a mulher fez com que ele examinasse alguns aspectos dolorosos de si mesmo que estava tentando evitar. Ele agora  capaz de amar a mulher e a famlia de uma maneira mais profunda por causa dessa atitude. Jake est aprendendo a lio que Jesus ensinou atravs do exemplo da prpria vida. O amor  gratuito, mas no  barato. Jesus acreditava que o nosso desenvolvimento pessoal s se d no relacionamento com Deus e com os outros. O amor pelos outros  a fora criativa que impulsiona o desenvolvimento espiritual. A razo pela qual muitas pessoas temem os relacionamentos  que o amor nos deixa vulnerveis. O risco de sofrer  o preo que pagamos quando estabelecemos um relacionamento com outras pessoas. Mas o amor  a recompensa. Aqueles que

esto dispostos a pagar esse preo podero desenvolver o seu eu, e os que procuram evitar qualquer risco e se fecham tornam-se egocntricos. PRINCPIO ESPIRITUAL: Abrir-se para o amor  o que nos realiza.

EPLOGO
O meu objetivo foi oferecer uma perspectiva sobre como os antigos ensinamentos de Jesus encerram poderosas idias psicolgicas,capazes de influenciar hoje a nossa vida. Durante sculos, aqueles que estiveram dispostos a meditar sobre as parbolas de Jesus tiraram proveito das prolas de sabedoria nelas encontradas.  medida que a nossa capacidade de refletir a respeito do comportamento humano se torna mais sofisticada, acredito que a nossa capacidade de sermos beneficiados por essa sabedoria s far aumentar. Jesus nos deixou a crena de que a conversa  uma coisa positiva, tanto com as outras pessoas quanto com Deus. No  bom ficarmos sozinhos. Este livro gira em torno do dilogo entre os ensinamentos de Jesus e o pensamento psicolgico em evoluo. Espero que voc tenha se reconhecido em alguma das situaes apresentadas e que tenha conseguido se conhecer melhor. Compreendo que escrever um livro sobre os ensinamentos de Jesus pode ser controvertido. Mas de uma coisa eu sei: o meu trabalho como terapeuta beneficiou a minha vida e a dos meus pacientes. Embora a cincia da psicologia s tenha oficialmente pouco mais de cem anos, ela foi desenvolvida na mente de muitos pensadores proeminentes muito tempo antes. Quando penso em todas as figuras da antigidade cuja doutrina  chamada nos tempos modernos de "psicolgica", no consigo pensar em ningum que merea mais o ttulo de o maior psiclogo de todos os tempos do que Jesus.

NOTAS
CAPTULO 1 1. Um importante livro de psicanlise sobre como o que sabemos  sempre limitado pela nossa perspectiva pessoal  Structures of Subjectivtty (Estrutura da subjetividade), de George Arvvood e Robert Stolorow. Hillsdale, NJ: Analytic Press, 1984. 2. Explico melhor o inconsciente no captulo 8. 3. "Eles tm zelo por Deus, mas um zelo pouco esclarecido" (Rm. 10:2). 4. Allan Bloom foi um professor universitrio que observou seus alunos durante mais de trinta anos. Ele chegou  concluso de que "quase todos os estudantes que entram na universidade acreditam, ou afirmam acreditar, que a verdade  relativa". O professor Bloom ficou to perturbado com esse fato que escreveu um livro para desafiar essa convico intitulado O declnio da cultura ocidental. So Paulo: Best Seller, 1989. 5. MITCHELL, Stephen. Relational Concepts in Psychoanalysis (Conceitos relativos na psicanlise). Cambridge, MA: Harvard University Press, 1988. CAPTULO 2 1. Um livro de psicanlise inovador sobre a natureza relacionai do "eu" humano  Anlise do self de Heinz Kohut. Rio de Janeiro: Imago, 1988. 2. "E o Senhor arrependeu-se de ter feito o homem na terra" (Gn. 6:6). 3. ROGERS, Carl. Tornar-se pessoa. So Paulo: Martins Fontes, 1997. 4. KOHUT, Heinz. Como cura a psicanlise? Porto Alegre: Artmed, 1989. 5. "Deus criou o homem  sua imagem... homem e mulher ele os criou" (Gn. 1:27). CAPTULO 3 1. O conceito dos princpios organizadores  explicado em Contexts of Being (Contextos do ser), de Robert Stolorow e George Atwood. Hillsdale, NJ: Analytic Press, 1992, captulo 2. CAPTULO 4 1. Jesus trata em outro lugar do uso criterioso do dinheiro. Ver Mt 25:14-30. 2. Mais informaes sobre a psicopatologia como autopreservao podem ser encontradas em "Introspection, Empathy and the Semi-Circle of Mental Health" (Introspeco, empatia e o semicrculo da sade mental), de autoria de Heinz Kohut, no International Journal of Psychoanalysis, n 63 (1982): 395-407. 3. "A tristeza que vem de Deus produz arrependimento... de que nunca h razo para arrepender-se" (2 Cor. 7:10). 4. Hamartia  a palavra grega mais freqentemente usada para "pecado" no Novo Testamento e pode ser traduzida por "falhar" ou "errar devido  ignorncia". CAPITULO 5 1. Mais informaes sobre a inflexibilidade na psicoterapia podem ser encontradas em um artigo de Mark Baker sobre fundamentalismo religioso no Journal of Psychology and Theology 26, n" 3 (1998): 223-31. Por que o pensamento humano torna-se concreto  adicionalmente explicado em Structures of Subjectivity (Estrutura da subjetividade), de George Atwood e Robert Stolorow. Hillsdale, NJ: Analytic Press, 1984, captulo 4 (Pathways of Concretization). 2. FREUD, Sigmund. "O futuro de uma iluso", in Edio Standard Brasileira das Obras Psicolgicas Completas de Sigmund Freud. CAPTULO 7 1. Um livro que faz uma anlise profunda da supremacia das emoes nos relacionamentos humanos  Affects as Process: An Inquiry into the Centrality of Affect in Psychological Life (As emoes como um processo: uma pesquisa sobre o sentimento na vida psicolgica), de Joseph Jones. Hillsdale, NJ: Analytic Press, 1995.

2. Allan Schore, Affect Regulation and the Origin of the Self (As leis da emoo e a origem do eu). Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum, 1994. CAPTULO 8 1. Uma discusso tcnica da transferncia e do inconsciente pode ser encontrada em Psychoanalytic Treatment: An Intersubjective Approach (Tratamento psicanaltico: uma abordagem intersubjetiva), de R. Stolorow, B. Brandchaft e G. Atwood. Hillsdale, NJ: Analytic Press, 1987, captulo 3; e Contexts of Being (Contextos do ser), de R. Stolorow e G. Atwood (Hillsdale, NJ: Analytic Press, 1992), captulo 2. CAPITULO 9 1. Mais informaes sobre a interconexo da experincia humana podem ser encontradas em O mundo interpessoal do beb, de Daniel Stern. Porto Alegre: Artmed, 1992. Veja tambm: MITCHELL, Stephen. Relational Concepts in Psychoanalysis (Conceitos relativos na psicanlise). Cambridge, MA: Harvard University Press, 1988. CAPTULO 10 1. Um importante artigo sobre a psicanlise e a empatia  "Introspection, Empathy and Psychoanalysis" (Introspeco, empatia e o semicrculo da sade mental), de Heinz Kohut, Journal of American Psychoanalytic Association 7 (1959): 459-83. 2. "Uma gerao perversa e adltera busca um sinal milagroso" (Mt. 16:4). 3. "...no caminho tinham discutido sobre qual deles era o maior" (Mc 9:34). CAPITULO 11 1. Um livro de psicanlise sobre a importncia do enfoque sobre o relacionamento na terapia  A Meeting of the Mind: Mutuality in Psychoanalysis (Um encontro da mente: a reciprocidade na psicanlise), de Lewis Aron. Hillsdale, NJ: Analytic Press, 1996.

